Terezinha de Jesus

A vida é feita de escolhas. Nós, humanos, temos uma visão um tanto limitada de nossa mísera existência, que se resume ao conhecimento, muitas vezes inconsciente, do passado e do presente. O futuro a Deus pertence, diz a sábia voz do povo.  Como, nos dias que correm,  a maior parte dos mortais prescinde da presciência de Deus, o futuro não passa de um enorme ponto de interrogação.

No entanto, qualquer que seja  a orientação religiosa ou existencial do mais comum dos mortais, fazer escolhas é preciso, porque, no fim das contas, a fila tem que andar. E eis-nos diante de um problema difícil: o de decidir, aqui e agora, o que queremos para o resto de nossas vidas, se é que esta expressão ainda tem lugar nos dias de hoje, em que tudo é relativo.

Relativo demais.

Terezinha de Jesus foi ao chão e três cavalheiros prontificaram-se a acudi-la. Com o primeiro teve uma forte identificação intelectual. O diálogo entre eles era como uma partida de esgrima:  dinâmico, afinado, elegante. Cérebros gêmeos.

O segundo era o seu oásis. Qualquer que fosse o deserto que Terezinha tivesse de enfrentar, as suas sábias palavras e os seus conselhos lúcidos lhe apaziguavam as inquietudes e lhe renovavam as forças para as difíceis travessias vindouras.

O terceiro lhe proporcionava aquela segurança que só o confiante abandono da infância pode ensejar. Ele vinha de longe, dos dias de sua juventude, e a constância de seus sentimentos dava a Terezinha a certeza de que ao seu lado ela estava em casa.

Mas foi a um quarto cavalheiro que a Tereza deu a mão. Ele não lhe garantiu nada. Nem precisava, porque ela não o escolheu para satisfazer o seu intelecto, ou a sua fragilidade, e menos ainda a sua memória. Ele falou-lhe às entranhas...

... e ela não teve escolha.