Ratos no inconsciente
Muitas coisas lhe povoam o pensamento. Uma certa paranóia toma-lhe a mente de assalto. E se estivesse rodeado de olheiros, sanguessugas, ratos de porão que espreitam para comer-lhe as carnes?
Como discernir o olhar prolongado daquele homem que sem abrir a boca diz-lhe assim mesmo mil palavras impronunciáveis? Como interpretar o andar da magricela empertigada, com boca de papagaio e olhos de águia, mau humor (e mal de amor) à flor da pele sobre os ossos? E as palavras que lhe são dirigidas, educadas, geladas, comedidas a não mais poder...
Vai pro mar, vai pro vento, vai pro week-end de morfedose. Que viver está muito complicado e não se encontra explicação pra tudo. Aliás, não há explicação pra nada, se é que alguma coisa é explicável.
Resta-lhe a intuição de que vão lhe arrancar o couro, as vísceras, a alma.
Escrito por Teresa Abreu às 14h38




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