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Livros
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Eu também tenho um sonho
Depois que se tornou realidade o sonho do pastor americano Martin Luther King, nenhum outro parece impossível. Eu tenho um sonho também: o de criar, na França, uma editora brasileira. Meu sonho é comprar direitos de autores brasileiros, traduzi-los e publicá-los na França. De preferência, numa rede de livrarias também brasileiras.
Como o de Luther King, esse parece um sonho irrealizável, por vários motivos: 1) eu não tenho recursos financeiros para comprar direitos autorais (dependendo do autor, o valor pode chegar a 5.000 Euros) e para a tradução; 2) eu não posso me dedicar a duas atividades profissionais ao mesmo tempo, e o meu emprego público, embora burocrático e desinteressante, me paga bem; 3) eu não tenho mais idade para jogar tudo pro alto e viver de água e palito.
O desejo, porém, de ver autores brasileiros nas prateleiras das livrarias francesas é uma obsessão. Até já criei na minha cabeça um catálogo inicial, idéias não me faltam. Em Frankfurt, conversei com brasileiros donos de editoras; em Düsseldorf, vi máquinas ultramodernas de impressão digital (meu chéri é impressor, e foi ele que me levou à Drupa, feira mundial de impressão que acontece a cada quatro anos na Alemanha); em Paris, procuro cursos de formação em edição, leio biografias de editores.
Meu pai queria ter feito carreira na Marinha, seu sonho era viajar pelos sete mares. Acabou bancário, mas, de alguma forma, eu realizei o sonho dele, pois já fui a países de todos os continentes, a turismo ou a trabalho. Como Martin Luther King, porém, ele não estava mais aqui para ver, ou me acompanhar. Não queria que fosse assim comigo, que um dia, após a minha morte, alguém criasse a editora e livraria Lettres Brésiliennes.
O nome e o logo estão registrados no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) da França. Como se eu quisesse chamar à realidade algo que só existe em sonhos.

Escrito por Teresa Abreu às 18h28
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Minha biblioteca de livros eróticos

Acabo de encomendar pela Internet um livro erótico. É o segundo, ou o terceiro, ou o quarto. Eu ando com vontade de ler livros eróticos, e de viver momentos eróticos, e de escrever contos eróticos. Li recentemente um livro erótico escrito por um húngaro.

E, mais recentemente ainda, o livro erótico "A prova pelo mel", da síria Salwa Al Neimi.

Quando escreve sobre sexo e, mais precisamente, sobre suas experiências sexuais, o homem é mais pudico do que a mulher. O homem poupa sua parceira e se mostra humilde, encantado com o que lhe é oferecido; a mulher, ao contrário, relata tudo nos mais íntimos detalhes, assume o papel de protagonista e submete a virilidade dos parceiros ao serviço do seu prazer.
O que me atrai no conto erótico não é o relato do sexo. Este, não há dúvida, é mais excitante de ser vivenciado do que lido. O que me encanta é a maneira como essa prática tão primitiva quanto a vida sobre a Terra é sentida, percebida, decantada. Interpretada em palavras.
Vício de leitor? Voyerismo de escritor? Vá saber. É a liberdade que me proporciona a idade que avança?; o inverno chegando no hemisférios Norte?; a permissividade/vulgaridade extrema dos dias que correm, que me impulsionam a buscar poesia na atividade humana que mais nos aproxima dos animais?
No fim das contas, o que me resta é a minha humanidade, ou animalidade, que estou talvez à procura de apurar, aprimorar, embriagar de lirismo, pois que da bestialidade humana ando farta.
P.S. O livro que comprei agora há pouco é de uma francesa. Se alguém tiver indicação de livro erótico de autor/a brasileiro/a, aceito sugestões.
Escrito por Teresa Abreu às 00h22
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Feira do livro de Frankfurt 2008
Pra quem gosta de livro, a Feira de Frankfurt é “o lugar”. Trata-se da maior feira de livro do mundo – este ano, 7.373 expositores de mais de 100 países apresentaram 402.282 produtos. O país convidado de honra foi a Turquia, que levou à feira 250 autores e 100 editoras.
Mas o grande tema foi, sem dúvida, a edição digital. Dos 2.500 eventos realizados durante os 5 dias, 400 foram dedicados ao livro eletrônico e seus suportes. O stand da Sony foi um dos mais visitados. O exemplar do e-reader passava de mão em mão, todos querendo tocar a pequena curiosidade.

A Amazon também estava presente com seu Kindle, que foi apresentado apenas para quem tinha credencial de editor. Nem um nem outro estavam à venda. O representante da Sony me informou que seu reader será lançado na Alemanha somente em 2009. Já os franceses poderão comprá-lo a partir do dia 25 de outubro, na Fnac.
Eu visitei o stand do Brasil, conversei com representantes de editoras brasileiras. Estive também nos stands de Estados Unidos, Inglaterra, França, Israel e, claro, Turquia. Dois dias, obviamente não são suficientes para fazer todo o salão.
Quem sabe eu volto o ano que vem para ver os outros. A feira do livro de Frankfurt 2009 acontecerá de 14 a 18 de outubro. A convidada de honra é a China.
Escrito por Teresa Abreu às 14h07
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Eu vou
Feira do Livro de Frankfurt
"Desde o seu início que essa feira não é alemã, mas internacional. Ela está por acaso em Frankfurt, mas o setor adotou este lugar, se sente bem aqui. Acho que a tradição colabora para isso."
Jürgen Boos Diretor da Feira do Livro de Frankfurt

Brasil que Lê - Agência de Notícias
Escrito por Teresa Abreu às 18h44
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O futuro do livro está chegando
Eu me lembro bem como e quando nasceu minha paixão pelos livros. Por ocasião da minha primeira comunhão, minha mãe me deu de presente o meu primeiro livro. Eu peguei o pequeno volume, abri, e só voltei a mim quando cheguei à última página. Da estória já não tenho a mais remota lembrança, mas nunca esqueci a sensação que tive ao terminar a leitura: eu me dei conta de que tinha me evadido, tinha viajado, não tinha sentido o tempo passar. Eu achei aquilo mágico e, desde então, tornei-me uma devoradora de livros. Primeira providência: inscrevi-me na biblioteca da escola pública onde estudava, na Tijuca. Toda quarta-feira (como é que eu consigo lembrar essas coisas?), eu ia à biblioteca deixar um volume em troca de outro. Ia na estante de tarja azul marinho: contos de fadas.
Depois, comecei a comprar fascículos de enciclopédia e livros infanto-juvenis que se vendiam nas bancas de jornais, quinzenalmente. Rato de livraria, descobri uma coleção de não sei mais qual editora chamada Literatura do Mundo. Iniciei-me nos escritos de autores americanos, franceses, ingleses, japoneses. Com o amplo, geral e irrestrito apoio do meu pai, que financiava a farra literária.
Mais tarde, passei a apreciar também a leitura de biografias. Gostava de ver como tinha sido a formação de grandes personagens da história (David Ben Gurion, Anuar Sadat, Winston Churchill, Julio César, Getulio Vargas...)
E os romances... ah... gosto até hoje. Melhor ainda se for romance histórico, do tipo que ambienta os personagens num espaço/tempo definido. A obra em negro e Memórias de Adriano, ambos de Marguerite Yourcenar, são nessa linha. Como vários que li recentemente e cujos comentários estão postados neste blog.
Para mim, livro é uma paixão definitiva, inquestionável. Paixão que agora adquire a forma do século XXI. Faz duas semanas comprei o livro Gutenberg 2.0 - le futur du livre. Trata-se de um ensaio sobre o que o autor chama de a segunda revolução do livro, bem entendido que a primeira foi o advento da impressão, pelas mãos de Gutenberg, no século XV.
Além de retraçar a história da escrita desde que o homem habitava as cavernas, o autor aponta o que espera os leitores do futuro – ou do presente, se se considerar toda uma geração que já nasce lendo na tela do computador e do telefone celular. Os periféricos para leitura de livros eletrônicos (ebooks), os chamados e-readers, são objeto de intensas pesquisas de aperfeiçoamento pelas grandes empresas de TIC (tecnologias da informação e da comunicação). O ponto fraco, hoje, é sobretudo o conteúdo. As grandes editoras ainda não se decidiram pela comercialização do ebook, paralelamente ao livro em papel. No entanto, alguns sites em português se dedicam exclusivamente à venda de livros eletrônicos, como o Viciados em livros. O Project Gutenberg tem títulos em várias línguas.
O reader da foto abaixo é comercializado na França e acaba de ter seu preço rebaixado em 60 Euros para fazer face à entrada no mercado, no próximo dia 23 de outubro, do leitor da Sony, que já faz o maior sucesso nos Estados Unidos. A engenhoca não cansa a vista, pois não é iluminada como a tela do computador, se assemelha a uma folha de papel (e-paper), pesa menos de meio quilo e armazena até 300 livros. Você carrega a sua biblioteca dentro da bolsa! Já pensou? Eu não, mas já estou encantada. Vai ser, com certeza, o meu presente de Natal. E eu ainda voltarei ao assunto.
Escrito por Teresa Abreu às 19h17
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