Do amor e outros demônios
Do amor e outros demônios é o quarto livro de Gabriel Garcia Márquez que leio, depois de Cem anos de solidão, Memórias de minhas putas tristes e Crônica de uma morte anunciada. Não sou, portanto, uma especialista no autor, mas já posso identificar um traço comum em seus personagens: uma solidão existencial, com a qual todo leitor se identifica inapelavelmente.
Cem anos de solidão eu li há muitos anos, no hospital, enquanto realizava exames para me submeter a uma cirurgia. Como tomei anestesia geral, à qual reajo sempre mal, tive que suportar, na saída do bloco cirúrgico, as borboletas amarelas que rondavam a cidade imaginária de Makondo dentro da minha cabeça.
Em Crônica de uma morte anunciada você fica torcendo para algo dar errado nos planejamentos dos assassinos, o que é totalmente impossível porque Garcia Márquez abre a narrativa com a cena do crime. Só então vêm os antecedentes, e o seu desconforto aumenta na medida em que você se afeiçoa àquele sujeito tão adorável que já está agonizando desde o primeiro capítulo.
Memórias de minhas putas tristes eu comentei aqui.
Ontem, ao chegar do trabalho, mal jantei e me troquei, não vi o telejornal nem o programa Pekin Express que está mostrando aos franceses belas paisagens brasileiras. Só desgrudei do livro por volta de uma hora da manhã, quando cheguei à ultima página. Em alguns momentos da leitura me lembrei de O Santo Inquérito, de Dias Gomes, por envolver um padre e uma mocinha, na época da Inquisição. Mas esta é a única semelhança, porque Garcia Márquez não deriva ao panfleto político ou anti-religioso. Ele trata exatamente do que o título propõe. Perfeito.
Escrito por Teresa Abreu às 13h27




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