La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)

Livros



 
 

Apaixonante

Um leitor contumaz, geralmente, tem dificuldade de apontar um único livro que tenha marcado a sua vida. São tantas as aventuras vividas, tantos os aprendizados adquiridos, tantos os mundos descobertos através das páginas que lemos... Eu, no entanto, tenho o meu livro de cabeceira, que é a Bíblia. Lia diariamente quando era adolescente, e cheguei a saber de cor passagens, páginas inteiras. E creio que meu modo de olhar o mundo, a vida, os seres humanos foi modelado pelos padrões ali expressos.

Agora estou mergulhada na leitura de Jerusalém - uma cidade, três religiões. Ainda me falta um terço para terminar a leitura, mas este calhamaço de 430 páginas já mudou minha maneira de ver a religião, ou melhor, o que os homens fizeram com as religiões. O que os judeus fizeram com os ensinamentos de Moisés, o que os cristãos fizeram com os ensinamentos de Jesus, o que os muçulmanos fizeram com os ensinamentos de Maomé. As três mensagens são idênticas: amor ao próximo e justiça social. E as três religiões falharam vergonhosamente.

O personagem principal do livro é Jerusalém, cidade triplamente sagrada. A autora, com sólidos conhecimentos de teologia e história, descortina os insights espirituais de judeus, cristãos e muçulmanos. Um livro muito esclarecedor sobre o conflito que não se restringe a Israel ou à faixa de Gaza, mas que engloba as populações, praticantes ou não, das três religiões monoteístas do nosso mundo.

Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta os pintinhos debaixo das suas asas, mas tu não quiseste.



Escrito por Teresa Abreu às 16h21
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 

A montanha mágica

A leitura de A montanha mágica me converteu numa admiradora incondicional de Thomas Mann, alemão com pitadas tropicais, pois sua mãe era brasileira. A estória é ambientada em um sanatório para tuberculosos em Davos, nos Alpes Suíços, nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial. É uma alegoria de uma sociedade européia doente de suas ideologias, de suas certezas e, sobretudo, de suas incertezas. Os tipos humanos são retratados em estado bruto, os preconceitos são ali vividos de maneira extrema, pois as pessoas, destinadas a morrer, não precisam preservar as aparências. 

Um tesouro literário, atemporal e obrigatório para quem gosta de elucubrações filosóficas.

 



Escrito por Teresa Abreu às 19h48
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 

A triste verdade dos Claudel

 

Graças a uma gripe que me derrubou desde segunda-feira (cruzes, estou na cama há 48 horas!), cheguei ao fim desta leitura de Paul et Camille - a paixão Claudel. Contrariamente à nossa expectativa, Maria Augusta, a autora não elucida o motivo que levou Paul a abandonar sua irmã num asilo de loucos durante 30 anos, não tê-la vestido e alimentado convenientemente, não ter comparecido ao seu enterro e ter deixado que fosse sepultada como indigente. Nos seus derradeiros dias, numa longa entrevista a um jornalista, ele diz apenas que ele teve uma vida bem-sucedida, enquanto sua irmã, com todo o talento que possuía, foi um fracasso.

Por outro lado, Laura, tomei conhecimento de um outro Auguste Rodin. Ele sim, foi o grande braço direito de Camille. Quando ela o deixou, ele esteve ao ponto de morrer de desespero e à medida que a doença dela avançava - ela sofria de paranóia e mania de perseguição - ele nunca a abandonou, mesmo se todo o furor da escultora se voltou contra ele. Ele contratava testas-de-ferro para comprar as esculturas de Camille, pois ela não as venderia para ele, mesmo se precisasse desesperadamente de dinheiro.

Para entender o drama dessas vidas, é preciso contextualizar várias coisas: a moral da época, a religiosidade (assim como Paul, Rodin era católico praticante e vivia atormentado por sua vida de pecado), mas também as histórias pessoais de cada um. Eles tiveram uma infância dramática. A mãe dos Claudel tinha uma preferência absoluta por sua segunda filha e um desprezo também absoluto por Camille e Paul, que se tornaram unidos desde a infância para se proteger da inimiga comum - e isso não é um eufemismo.

Paul, no entanto, se converteu ao catolicismo aos 32 anos e sua fé o ajudou a superar os traumas da infância, pois ele adotou a Virgem Maria como sua mãe. Camille, sempre agnóstica, não teve qualquer amparo quando viu que sua história de amor não iria se realizar como ela queria e aí entrou o desvio - que Paul também tinha (o medo de também enlouquecer foi um dos seus grandes fantasmas).

Nada justifica, porém, o total abandono de sua irmã. Ele queria talvez proteger sua imagem de diplomata bem-sucedido e Camille representava a vergonha da família? Mesmo seus netos ignoravam a existência da escultora.

Evidentemente, a leitura de um livro é pouco - ou nada - para emitir um juízo. Mas se a autora fez uma pesquisa aprofundada, e eu acho que fez, mesmo se ela não faz nenhum julgamento, nem sobre Camille, nem sobre Paul, nem sobre Rodin, nem mesmo sobre a mãe dos Claudel, eu não preciso me privar de emitir minha opinião. Para mim, o grande carrasco de Camille não foi Rodin, como talvez a literatura e o cinema franceses quiseram nos fazer crer para não manchar a imagem de seu grande poeta, dramaturgo e diplomata.  Desde que inaugurou seu museu, Rodin assumiu o compromisso de dedicar um espaço às obras de Camille - o que ela nunca soube. Foi ele  o principal perpetuador da obra da artista.

Enfim, se eles foram todos vítimas das circunstâncias e do tempo em que viveram, a atitude de Paul, do meu ponto de vista, é imperdoável.



Escrito por Teresa Abreu às 16h34
[   ] [ envie esta mensagem ]




Eu também tenho um sonho

Depois que se tornou realidade o sonho do pastor americano Martin Luther King, nenhum outro parece impossível. Eu tenho um sonho também: o de criar, na França, uma editora brasileira. Meu sonho é comprar direitos de autores brasileiros, traduzi-los e publicá-los na França. De preferência, numa rede de livrarias também brasileiras.

 

Como o de Luther King, esse parece um sonho irrealizável, por vários motivos: 1) eu não tenho recursos financeiros para comprar direitos autorais (dependendo do autor, o valor pode chegar a 5.000 Euros) e para a tradução; 2) eu não posso me dedicar a duas atividades profissionais ao mesmo tempo, e o meu emprego público, embora burocrático e desinteressante, me paga bem; 3) eu não tenho mais idade para jogar tudo pro alto e viver de água e palito.

 

O desejo, porém, de ver autores brasileiros nas prateleiras das livrarias francesas é uma obsessão. Até já criei na minha cabeça um catálogo inicial, idéias não me faltam. Em Frankfurt, conversei com brasileiros donos de editoras; em Düsseldorf, vi máquinas ultramodernas de impressão digital (Chéri é impressor, e foi ele que me levou à Drupa, feira mundial de impressão que acontece a cada quatro anos na Alemanha); em Paris, procuro cursos de formação em edição, leio biografias de editores.

 

Meu pai queria ter feito carreira na Marinha, seu sonho era viajar pelos sete mares. Acabou bancário, mas, de alguma forma, eu realizei o sonho dele, pois já fui a países de todos os continentes, a turismo ou a trabalho. Como Martin Luther King, porém, ele não estava mais aqui para ver, ou me acompanhar. Não queria que fosse assim comigo, que um dia, após a minha morte, alguém criasse a editora e livraria Lettres Brésiliennes.

 

 

O nome e o logo estão registrados no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) da França. Como se eu quisesse chamar à realidade algo que só existe em sonhos.

 



Escrito por Teresa Abreu às 18h28
[   ] [ envie esta mensagem ]




Minha biblioteca de livros eróticos

Acabo de encomendar pela Internet um livro erótico. É o segundo, ou o terceiro, ou o quarto. Eu ando com vontade de ler livros eróticos, e de viver momentos eróticos, e de escrever contos eróticos. Li recentemente um livro erótico escrito por um húngaro.

 E, mais recentemente ainda, o livro erótico "A prova pelo mel", da síria Salwa Al Neimi.

Quando escreve sobre sexo e, mais precisamente, sobre suas experiências sexuais, o homem é mais pudico do que a mulher. O homem poupa sua parceira e se mostra humilde, encantado com o que lhe é oferecido; a mulher, ao contrário, relata tudo nos mais íntimos detalhes, assume o papel de protagonista e submete a virilidade dos parceiros ao serviço do seu prazer.

O que me atrai no conto erótico não é o relato do sexo. Este, não há dúvida, é mais excitante de ser vivenciado do que lido. O que me encanta é a maneira como essa prática tão primitiva quanto a vida sobre a Terra é sentida, percebida, decantada. Interpretada em palavras.

Vício de leitor? Voyerismo de escritor? Vá saber. É a liberdade que me proporciona a idade que avança?; o inverno chegando no hemisférios Norte?; a permissividade/vulgaridade extrema dos dias que correm, que me impulsionam a buscar poesia na atividade humana que mais nos aproxima dos animais?

No fim das contas, o que me resta é a minha humanidade, ou animalidade, que estou talvez à procura de apurar, aprimorar, embriagar de lirismo, pois que da bestialidade humana ando farta.

P.S. O livro que comprei agora há pouco é de uma francesa. Se alguém tiver indicação de livro erótico de autor/a brasileiro/a, aceito sugestões.



Escrito por Teresa Abreu às 00h22
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

Locations of visitors to this page

UOL

 
Histórico
  Ver mensagens anteriores

Categorias
  Todas
  Livros
  França
  Brasil
  Miniconto
  "Conta as bênçãos"
Sites amigos
  Minhas fotos - Mes photos
  La vie est belle! (o antigo)
  Soraia direto de Chicago
  My little Paris
  Ramses no século XXI
  Le blog d'Estelle en Irlande
  Blog da Martha Medeiros
  Idéias e livros
  Pensieri e parole
  Porão abaixo®
  Histórias do mundo
  Blog da Magui
  O mundo sueco e eu
  trajédia
  Cissinha
  Croissant-land
  Caminhar
  Pisando em uvas
  Brasileirinha
  Forum democrático
  Blogup
  Cenas do cotidiano
  As Palavras Todas
  Pub 66
  Samba Um
  avant-dernières pensées
  Luz de Luma
  Observador
  Bloggente
  Gazeta mundo cão
  Sandra Pontes
  Lino Resende
  O Chato
  Fotoblog da Filhinha
  Bibi Move Scliar
  Petite parisienne
  Balaio Porreta 1986
  Côté cour, Côté jardin
  Política à francesa
  Banca do Blues
  Bom dia, França
  Além da Torre
  meus instantes
  Nothing and all
  Facebook
  UOL
Votação
  Dê uma nota para meu blog