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Livros
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Última página
Finalmente, acabei de ler o livro que tanto me entristeceu. Valeu a pena persistir. Não que morra de amores por ele, pois trata-se sem dúvida da estória mais triste que já li. Mas admirei a ousadia da autora, que faz o relato de uma grande amizade e de uma grande traição. O surpreendente é que a heroína é a culpada... e você chega ao final da leitura dividido entre a empatia com o personagem e o desprezo por seu comportamento.
O leque secreto
Autor: SEE, Lisa
Editora: Rocco
Assunto: Literatura estrangeira-romances
No mais, estou melhor da alergia (mas ainda espirro bastante) e, com certeza, Maria Augusta, feliz e emocionada com a libertação da Ingrid Betancourt. Ontem, só conseguimos ir dormir depois de ouvirmos os pronunciamentos de Nicolas Sarkozy e dos filhos da ex-refém, Melanie e Lorenzo.
Escrito por Teresa Abreu às 12h32
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O que elas estão lendo!?
“Corcovado” - Jean-Paul Delfino 420 páginas - Record Gênero: Romance histórico
Por que resolveu ler o livro?
Li a contracapa e vi que era um romance histórico, ou seja, uma história inventada, mas ambientada num momento histórico, do Rio de Janeiro dos anos 20 como os eventos que levaram à criação do Cristo Redentor. Esse tipo de literatura é muito comum na França, onde moro. Muitos romancistas gostam de ambientar suas histórias nas cortes dos reis e imperadores. Esse tipo de texto exige anos e anos de pesquisa e quando é bem feito fica muito bom. Eu, pelo menos, adoro. Você se envolve numa ficção e, de quebra, aprende um pouco sobre um determinado país ou período da história. O livro é sobre...A saga de um jovem francês que, para fugir de uma vingança, embarca no primeiro navio com destino ao Rio de Janeiro, onde chega em 1º de janeiro de 1921. De estivador do cais do porto em Marselha, ele vira funcionário de escritório de arquitetura no Rio de Janeiro, depois bicheiro, depois contrabandista de bebidas e por fim tradutor. O que achou mais interessante?A minuciosa pesquisa histórica feita pelo autor sobre as ruas do Centro do Rio, as marchinhas que tocavam na época, os nomes dos músicos, os instrumentos musicais brasileiros, o nascimento do samba, a urbanização do Rio, a política brasileira, os problemas econômicos da jovem república, a prática proibida pela polícia das religiões afro-brasileiras, as comidas, o jogo do bicho... ele foi fundo na cultura carioca de uma certa época. Pontos fracos?Só se forem os meus, que conheço menos a história da minha cidade do que um francês. Para quem indica?Para quem gosta de romance histórico e tem curiosidade de saber como um estrangeiro nos vê. De um a dez, qual nota você dá? 10, sem pestanejar. E já estou procurando o segundo volume (na verdade, é uma trilogia), que Rufino ambienta nos anos do nascimento da Bossa Nova. 
Escrito por Teresa Abreu às 13h51
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O olhar do outro
Cheguei à última página do livro Corcovado. O marselhês Jean-Paul Delfino, amante inconteste do Brasil e do povo brasileiro, quis contar a seus conterrâneos a história da construção do Cristo Redentor. Não achando suficiente fazer um relatório histórico, ele preferiu criar um personagem que desembarca no Rio de Janeiro em 1921 e, a partir daí, conta as impressões de um francês que imerge na boemia da Lapa, nos morros do Centro, no jogo do bicho, nos rituais de Candomblé, nas rodas de samba, na Semana de Arte Moderna, na política e na economia brasileiras. E, naturalmente, nos fatos que levaram à edificação do Cristo Redentor.
Corcovado é o primeiro livro de uma trilogia. O autor explica que decidiu escrever sobre o Brasil porque sentia vergonha. “Vergonha de que a França não conheça melhor esse país com o qual mantém, há 500 anos, relações de uma riqueza extraordinária. Vergonha de que os franceses ainda retenham os clichês piegas e fáceis sobre o Brasil, que vêm, com ingenuidade e desprezo, como um país de samba, futebol, prostituição e violência. Vergonha mais ampla de que a Europa ainda se sinta, inconscientemente, proprietária dos países da América Latina, da África ou da Ásia. Vergonha, finalmente, de que nós ainda vejamos o Brasil pelas lentes que nos foi apresentado no Século das Luzes: um país de bons selvagens.”
Um livro que todo brasileiro deveria ler, pois o olhar estrangeiro e apaixonado do personagem Jean Dimare tem muito a nos esclarecer sobre a nossa maneira de vivermos a nossa brasilidade.

CORCOVADO (em Português) 2005
Delfino, Jean-Paul
Record
Literatura estrangeira-romances
Escrito por Teresa Abreu às 17h38
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Quem lê, viaja
O pensamento é uma das forças mais poderosas que um ser humano pode possuir. A organização do pensamento em palavras é um dom, e a coragem de exprimi-las em situações adversas é uma necessidade imperiosa nos espíritos livres. Essa semana eu tive a sorte de conhecer dois exemplares dessa espécie, por intermédio de seus livros: o húngaro Stephen Vizinczey e o chinês Dai Sijie. Do primeiro, li Éloge des femmes mûres (literalmente, Elogio às mulheres maduras), um livro classificado como “erótico”. Não é, ou melhor, eu não acho que seja. Autobiográfico, o livro mostra a vida do autor do ponto de vista de suas aventuras sexuais. Como pano de fundo, a Hungria sob ocupação nazista, em 1944, e, em seguida, diluída no saco de gatos da União Soviética, passando pela insurreição de 1956 e fragmentos da história húngara desde os tempos do império romano. Uma aula de história, heroísmo e sensualidade.
O segundo livro, Balzac et la Petite Tailleuse chinoise (Balzac e a costureirinha chinesa), é um primor da literatura chinesa, refinada como sua porcelana, sua seda, seus ideogramas. O autor relata a estória, não sei se autobiográfica, de um adolescente que furta uma mala contendo livros de autores ocidentais, proibidos durante a revolução cultural de Mao Tsé Tung, de 1966 a 1976. Aqui também as descobertas amorosas e sexuais do jovem em “reeducação cultural” são entremeadas com fatos históricos de seu país.
Vizinczey é filósofo e vive na Inglaterra. Dai é cineasta e mora na França. Dois espíritos livres, que sobreviveram a seus respectivos totalitarismos, enfrentaram-nos, evadiram-se e encontraram meios lúdicos de denunciar a opressão, usando como recurso a memória afetiva das descobertas da juventude. Em quatro dias de leitura eu adquiri novos conhecimentos sobre a Hungria, a China, a capacidade humana para resistir, a sensibilidade masculina.

Escrito por Teresa Abreu às 22h18
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Do amor e outros demônios

Do amor e outros demônios é o quarto livro de Gabriel Garcia Márquez que leio, depois de Cem anos de solidão, Memórias de minhas putas tristes e Crônica de uma morte anunciada. Não sou, portanto, uma especialista no autor, mas já posso identificar um traço comum em seus personagens: uma solidão existencial, com a qual todo leitor se identifica inapelavelmente.
Cem anos de solidão eu li há muitos anos, no hospital, enquanto realizava exames para me submeter a uma cirurgia. Como tomei anestesia geral, à qual reajo sempre mal, tive que suportar, na saída do bloco cirúrgico, as borboletas amarelas que rondavam a cidade imaginária de Makondo dentro da minha cabeça.
Em Crônica de uma morte anunciada você fica torcendo para algo dar errado nos planejamentos dos assassinos, o que é totalmente impossível porque Garcia Márquez abre a narrativa com a cena do crime. Só então vêm os antecedentes, e o seu desconforto aumenta na medida em que você se afeiçoa àquele sujeito tão adorável que já está agonizando desde o primeiro capítulo.
Memórias de minhas putas tristes eu comentei aqui.
Ontem, ao chegar do trabalho, mal jantei e me troquei, não vi o telejornal nem o programa Pekin Express que está mostrando aos franceses belas paisagens brasileiras. Só desgrudei do livro por volta de uma hora da manhã, quando cheguei à ultima página. Em alguns momentos da leitura me lembrei de O Santo Inquérito, de Dias Gomes, por envolver um padre e uma mocinha, na época da Inquisição. Mas esta é a única semelhança, porque Garcia Márquez não deriva ao panfleto político ou anti-religioso. Ele trata exatamente do que o título propõe. Perfeito.
Escrito por Teresa Abreu às 13h27
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