La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)

Brasil



 
 

Antes tarde do que nunca

Estou em Búzios. Tive insônia de ontem para hoje, fiquei lendo Divã, de Martha Medeiros, pela madrugada a dentro, para me distrair, porque meu coração estava muito apertado. De saudade de Chéri, que ficou em Paris. Prometi para mim mesma nunca mais tirar férias sem ele. Isso não são férias, são tortura. Durante a madrugada, entre um capítulo e outro, me recriminava por não ter trocado meu bilhete para voltar mais cedo para Paris; tinha dito a ele que faria isso, mas não fiz. Vim para Búzios.

Na minha insônia, me lembrei de Leila Diniz. Ela morreu no acidente de um avião que não era para ela, porque adiantou sua viagem, de saudade da filha. Cheguei a ter uma taquicardia, quando esta lembrança me cruzou o pensamento. Se eu tivesse trocado o meu bilhete, não teria sido a primeira vez. Em setembro, quando fui a Saint-Malo, também sem meu homem, adiantei meu retorno. De saudade. Mas será que eu não aprendo, que sem ele não dá, eu não me divirto, eu não aproveito, não relaxo?

Não sei a que hora peguei no sono, mas acordei hoje com Chéri ao telefone. Ele sabia onde eu estava, e foi o primeiro a me dar a notícia do desaparecimento do avião da Air France. Se eu estaria dentro daquele avião? Provavelmente não, porque teria preferido voltar no sábado. Voltarei no final desta semana, pela Air France mesmo. Diz o ditado que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Mas aprendi a lição: férias sem Chéri, nunca mais.



Escrito por Teresa Abreu às 20h29
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 

Foi estranho... e foi perfeito

Às vezes fazemos coisas sem saber por que as fazemos, e depois de feitas, descobrimos que foi o melhor que poderíamos ter feito. Foi assim. Acessei o site da companhia aérea para reservar bilhete Rio – São Paulo, ida e volta no mesmo dia. Acostumada aos preços “último minuto” das empresas francesas, tive a desagradável surpresa de verificar que os preços das passagens sobem, e muito, quando você demora a comprá-las. Como um castigo por deixar para a última hora, o que é ridículo, pois, se você desiste diante do preço, o avião vai decolar e voar com aquela poltrona, que deveria ser ocupada por você, vaga.

 

Digitei a cidade de partida e apareceu a opção todos os aeroportos; cliquei sim. Em seguida, digitei a cidade de chegada e novamente optei por múltiplos aeroportos. Os preços eram de uma diferença estonteante, por volta de R$ 400,00. Claro que comprei os bilhetes mais baratos, cujos horários, além de tudo, me convinham.

 

Consumada e confirmada a transação, verifico que meu desembarque não seria na cidade de São Paulo, mas na vizinha Campinas. Os cabelos arrepiaram. Para começar, eu não conheço São Paulo e, confesso, tenho medo dela. Já viajei sozinha e peguei metrô em Madri e em Frankfurt, mas nenhuma cidade me assusta tanto como São Paulo, por seu gigantismo algo devorador.

 

Boooooooooooommmmmmmmm.................. (respirando fundo)................... descobri que tem ônibus direto do aeroporto de Viracopos para a rodoviária Tietê. Beleza. Mas na véspera da viagem, tive que tomar um comprimidinho para ajudar a dormir.

 

Em Viracopos, finalmente, peguei ônibus para a rodoviária de Campinas, pois o que faria trajeto direto a São Paulo iria demorar mais de duas horas para sair. Comecei a suar, e não apenas de calor. E aí começa a aventura.

 

Uns 15 minutos depois da partida do aeroporto, eu, que estava sentada no primeiro banco do ônibus, vejo que o motorista explica a um passageiro uma maneira mais rápida de chegar a São Paulo. Bastava descer na passarela tal e pegar o ônibus da Cometa para ganhar 40 minutos de viagem.

 

Eu não sei explicar porque, mas, ao ouvir a conversa, decidi descer na rodovia com o homem.  De fato, o trajeto a partir daquele trecho da estrada até a rodoviária foi bem rápido (uma hora, mas me disseram que eu poderia gastar até mais do que isso de taxi do aeroporto de Guarulhos até a rua Oscar Freire, onde tinha minha reunião). Eu paguei menos de R$ 20,00, e não quero saber quanto gastaria de taxi.  Nesse meio tempo, não parei de conversar com Jairo, paulistano morando no Rio e que também fazia viagem de ida e volta. Falei-lhe do meu medo de enfrentar as entranhas de São Paulo e ele, então, fez um esquema muito bem detalhado das linhas e estações de metrô que eu deveria pegar para chegar ao meu destino.  

 

Meu encontro correu às maravilhas e eu não tive dificuldade para retornar à rodoviária. Lá chegando, novamente o horário do ônibus direto para o aeroporto não ajudava. E novamente eu comprei passagem para a rodoviária de Campinas.  E o trânsito na saída de São Paulo estava daquele jeito que todo paulista já conhece.

 

E novamente Jairo e eu descemos na estrada. O atraso foi tamanho que corríamos sério risco de perder o vôo, o último do dia. Tivemos tempo apenas de subir e descer a passarela e eis que um taxi desponta. O motorista entendeu que nosso vôo era às 20 horas, mas nós dissemos que na verdade dispunhamos de 20 minutos para estar dentro do avião. O sujeito correu tanto, que nós ainda tivemos tempo de brindar a façanha com um cafezinho, antes de embarcar.

 

Agora, voltando à frase que abre este post: por que eu desci com Jairo na rodovia, na ida? Eu não estava atrasada, meu encontro estava previsto para o final da manhã. Estava, sim, assustada, mas por que não me assustou me aventurar com um homem desconhecido numa estrada desconhecida?

 

Não sei. Só sei que acompanhá-lo foi o melhor que poderia ter feito. A decisão me valeu ajuda preciosa na ida e na volta. Merci, Jairo, merci!



Escrito por Teresa Abreu às 22h07
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 

Peraí, estou de férias...



Escrito por Teresa Abreu às 20h24
[   ] [ envie esta mensagem ]




 
 

Você é patriota?

Este texto está circulando na Internet há algum tempo. Ignoro o autor, mas seu conteúdo merece ser divulgado:

“Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi o nosso Brasil chorar: - O que houve, meu Brasil brasileiro? - Perguntei-lhe!

Ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: - Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo...

Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados, retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?

Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.

Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam sem que nenhum homem de coragem, às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.

Não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta, estrelado. Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais... Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?

Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.”



Escrito por Teresa Abreu às 11h39
[   ] [ envie esta mensagem ]




100 anos da ABI

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

 

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

 

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

 

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

 

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

 

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

 

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

 

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

 

Uma vírgula muda tudo.

 

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

 

Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.



Escrito por Teresa Abreu às 10h57
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

Locations of visitors to this page

UOL

 
Histórico
  Ver mensagens anteriores

Categorias
  Todas
  Livros
  França
  Brasil
  Miniconto
  "Conta as bênçãos"
Sites amigos
  Minhas fotos - Mes photos
  La vie est belle! (o antigo)
  Soraia direto de Chicago
  My little Paris
  Ramses no século XXI
  Le blog d'Estelle en Irlande
  Blog da Martha Medeiros
  Idéias e livros
  Pensieri e parole
  Porão abaixo®
  Histórias do mundo
  Blog da Magui
  O mundo sueco e eu
  trajédia
  Cissinha
  Croissant-land
  Caminhar
  Pisando em uvas
  Brasileirinha
  Forum democrático
  Blogup
  Cenas do cotidiano
  As Palavras Todas
  Pub 66
  Samba Um
  avant-dernières pensées
  Luz de Luma
  Observador
  Bloggente
  Gazeta mundo cão
  Sandra Pontes
  Lino Resende
  O Chato
  Fotoblog da Filhinha
  Bibi Move Scliar
  Petite parisienne
  Balaio Porreta 1986
  Côté cour, Côté jardin
  Política à francesa
  Banca do Blues
  Bom dia, França
  Além da Torre
  meus instantes
  Nothing and all
  Facebook
  UOL
Votação
  Dê uma nota para meu blog