La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


 
 

A montanha mágica

A leitura de A montanha mágica me converteu numa admiradora incondicional de Thomas Mann, alemão com pitadas tropicais, pois sua mãe era brasileira. A estória é ambientada em um sanatório para tuberculosos em Davos, nos Alpes Suíços, nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial. É uma alegoria de uma sociedade européia doente de suas ideologias, de suas certezas e, sobretudo, de suas incertezas. Os tipos humanos são retratados em estado bruto, os preconceitos são ali vividos de maneira extrema, pois as pessoas, destinadas a morrer, não precisam preservar as aparências. 

Um tesouro literário, atemporal e obrigatório para quem gosta de elucubrações filosóficas.

 



Categoria: Livros
Escrito por Teresa Abreu às 19h48
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Sua máxima culpa

Faz tempo que não passo um domingo sozinha, já tinha até esquecido como é. Então, depois que você partiu, eu coloquei no DVD player aquele filme que eu comprei num desses domingos em que a gente foi bater perna em Montparnasse. Uma estória chatinha com Julia Roberts, do gênero “Sociedade dos poetas mortos” para meninas. Durante o filme, ouvi a descarga do sanitário do vizinho. Num lapso de memória, achei que você tinha ido ao toilette e fiquei esperando que voltasse. Depois de muito esperar, compreendi que era mais sensato continuar vendo o filme.

Quando você me telefonou para dizer que tinha feito boa viagem, eu tinha acabado de vestir o mantô para sair. Não te falei nada, mas eu fui à Montparnasse fazer algo que não fazia há muito, mas muito tempo mesmo: fui comprar uma garrafa de vinho. Comprei também uma revista de moda e uma bandeja de iogurte.

Disposta a me embriagar, decidi que meu jantar seria queijos e vinhos. Aí fui ficando bêbada, mas não ao ponto de esquecer de tomar o comprimido que promete ventre plat. Sentindo-me protegida pela pílula, avancei na caixa de Ferrero Rocher. Um. Dois. Três. Meu estômago começa a inchar e eu estou toda redonda e até um pouco nauseada, mas não consigo parar. E olha que coloquei a caixa de chocolate lá em cima da despensa da cozinha, de modo que tenho que subir no banquinho pra alcançá-la. Eu não desço a caixa porque toda vez digo que vai ser o último.

Sentada, pareço um pachá: um barrigão só. Amanhã, quando você chegar, eu vou estar com a cara inchada, porque é óbvio que não vou conseguir dormir, bêbada e sozinha. Eu não vou te dizer nada. Mas quando a gente brigar, daqui há uns 50 anos, eu vou jogar na sua cara que sou insone e escondo caixas de chocolate e garrafas de vinho debaixo da cama porque você me deixou sozinha num domingo de inverno.



Categoria: Miniconto
Escrito por Teresa Abreu às 21h26
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Reflexão filosófica

"Mais vale cair entre os urubus do que entre os bajuladores; pois os primeiros comem apenas os cadáveres, enquanto os últimos devoram os vivos."

Antístenes (444 aC-365 aC)



Escrito por Teresa Abreu às 13h45
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Aterrissando

Custo a acreditar que três semanas se passaram desde a chegada do meu filho. Nunca vi o tempo passar tão depressa. Fim de ano bastante movimentado, casa cheia, muitos convites, somente agora consigo dar uma olhada para trás e me surpreendo ao perceber que as lembranças me atravessam a mente como que encobertas por uma neblina. Talvez porque as emoções foram intensas - não via meu filho há dois anos, conheci meus sogros, os jantares com amigos e contatos profissionais se encadearam - tudo me parece um tanto irreal, como se eu tivesse sonhado.

Um sintoma a não neglicenciar: pela primeira vez, não fiz nenhuma foto. Os eventos estão, portanto, registrados apenas na mente. O que não deixa de ser significativo, para uma fotógrafa.

Não sou a única a ter essa impressão. Chéri e filhinha me disseram que se sentem da mesma maneira.

Por tudo isso, parece que o ano está começando para mim somente agora, dia 12. Votos? Sei lá. Devido às surpresas de 2008, ao novo ano não sobra muita coisa, a não ser manter as conquistas.

Assim, em 2009, eu prometo que vou:

. manter o excelente nível de relacionamento que tenho hoje com Chéri;

. manter meu peso, pois consegui emagrecer, graças a um livro que me ensinou a comer saudável e gostoso. Yessssssssssssssss;

. continuar a sonhar;

. continuar a acreditar nos sonhos.



Escrito por Teresa Abreu às 12h42
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Amor e paz em 2009. Ou até que a morte nos separe

E se, no fim das contas, nós não passássemos de reações químicas? E se nossas emoções, nossos pendores, nossos humores dependessem apenas da quantidade de tal e tal hormônio no nosso organismo? Estranho, mas não inverossímil.

Como não sou especialista no assunto, talvez esteja falando uma grossa besteira, mas é que acabei de ler esta reportagem, dando conta de que cientistas americanos teriam comprovado, por intermédio de reações químicas, que o amor pode durar para sempre.

Enquanto esperamos a pílula da felicidade, precisamos nos esforçar para viver plenamente o amor e a paz.

Sem o quê não há cristão, nem muçulmano, nem judeu, nem ateu que aguente.



Escrito por Teresa Abreu às 11h47
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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