La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Assombrações da vida real

Comecei a ler Camille et Paul – La passion Claudel  (433 páginas), cuja leitura, entrevejo, será bastante dura continuar. Embora esteja apenas na página 88, o simples relato da infância dos irmãos artistas e, mais ainda, a descrição do temperamento de Paul, me causa convulsões estomacais, pois imediatamente me identifiquei com ele. “Enganado, asfixiado, envenenado” – assim se descreveu Paul Claudel  ao rememorar os anos que passou no liceu, o mais prestigiados de seu tempo, em Paris.

Sempre tive atração por Camille Claudel, desde que vi o filme de sua vida, interpretada por Isabelle Adjani. Por conseguinte, sempre detestei Auguste Rodin. Para mim, não importa quão grande artista ele tenha sido, o que retenho dele é o ser humano execrável que foi. Por extensão, não consigo ter respeito por pessoas de prestígio de nosso tempo, uma vez que nelas identifico baixeza de caráter. Podem ter o poder que tiverem, não esperarão de mim salamaleques.

Sou assim desde que me entendo por gente. Aos seis anos já desafiava professoras que me vinham com ordens que considerava despropositadas! Era meu primeiro ano na escola e eu aprendi a levantar a mão para pedir a palavra. Quando a professora me deu atenção, disse-lhe que precisava ir ao banheiro. Ela não me autorizou e eu fiz xixi ali mesmo, sentada  na cadeira. De propósito? Não sei dizer hoje, 44 anos depois. Desde então, mantive a mesma atitude frente aos absurdos proferidos por superiores ébrios de babaquice.

Porque sou uma pessoa séria nos meus propósitos. Ordeira e disciplinada, criei dois filhos, cuja educação é hoje reconhecida e elogiada. Meu trajeto profissional no serviço público testemunha uma ascensão, digo sem falsa modéstia, de tirar o chapéu. Mas sempre levantei o nariz para a boçalidade que se manifesta por intermédio de quem exerce a única coisa preciosa que possui: o seu pequeno poder.

Paul Claudel teve uma carreira brilhante como escritor e diplomata. Parece que serviu no Brasil. Lutando contra meus engulhos, vou me esforçar para continuar a leitura, pois me interessa saber em que estado de espírito ele alcançou a idade madura.

Enquanto isso, vou virando a página de uma semana de asfixia e envenenamento, posto que fui acometida por uma gastro-enterite sem causa identificada. Mas tenho pela frente um fim-de-semana para ser feliz ao lado dos que têm valor para mim. 



Escrito por Teresa Abreu às 19h41
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Eu também tenho um sonho

Depois que se tornou realidade o sonho do pastor americano Martin Luther King, nenhum outro parece impossível. Eu tenho um sonho também: o de criar, na França, uma editora brasileira. Meu sonho é comprar direitos de autores brasileiros, traduzi-los e publicá-los na França. De preferência, numa rede de livrarias também brasileiras.

 

Como o de Luther King, esse parece um sonho irrealizável, por vários motivos: 1) eu não tenho recursos financeiros para comprar direitos autorais (dependendo do autor, o valor pode chegar a 5.000 Euros) e para a tradução; 2) eu não posso me dedicar a duas atividades profissionais ao mesmo tempo, e o meu emprego público, embora burocrático e desinteressante, me paga bem; 3) eu não tenho mais idade para jogar tudo pro alto e viver de água e palito.

 

O desejo, porém, de ver autores brasileiros nas prateleiras das livrarias francesas é uma obsessão. Até já criei na minha cabeça um catálogo inicial, idéias não me faltam. Em Frankfurt, conversei com brasileiros donos de editoras; em Düsseldorf, vi máquinas ultramodernas de impressão digital (Chéri é impressor, e foi ele que me levou à Drupa, feira mundial de impressão que acontece a cada quatro anos na Alemanha); em Paris, procuro cursos de formação em edição, leio biografias de editores.

 

Meu pai queria ter feito carreira na Marinha, seu sonho era viajar pelos sete mares. Acabou bancário, mas, de alguma forma, eu realizei o sonho dele, pois já fui a países de todos os continentes, a turismo ou a trabalho. Como Martin Luther King, porém, ele não estava mais aqui para ver, ou me acompanhar. Não queria que fosse assim comigo, que um dia, após a minha morte, alguém criasse a editora e livraria Lettres Brésiliennes.

 

 

O nome e o logo estão registrados no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) da França. Como se eu quisesse chamar à realidade algo que só existe em sonhos.

 



Categoria: Livros
Escrito por Teresa Abreu às 18h28
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Minha biblioteca de livros eróticos

Acabo de encomendar pela Internet um livro erótico. É o segundo, ou o terceiro, ou o quarto. Eu ando com vontade de ler livros eróticos, e de viver momentos eróticos, e de escrever contos eróticos. Li recentemente um livro erótico escrito por um húngaro.

 E, mais recentemente ainda, o livro erótico "A prova pelo mel", da síria Salwa Al Neimi.

Quando escreve sobre sexo e, mais precisamente, sobre suas experiências sexuais, o homem é mais pudico do que a mulher. O homem poupa sua parceira e se mostra humilde, encantado com o que lhe é oferecido; a mulher, ao contrário, relata tudo nos mais íntimos detalhes, assume o papel de protagonista e submete a virilidade dos parceiros ao serviço do seu prazer.

O que me atrai no conto erótico não é o relato do sexo. Este, não há dúvida, é mais excitante de ser vivenciado do que lido. O que me encanta é a maneira como essa prática tão primitiva quanto a vida sobre a Terra é sentida, percebida, decantada. Interpretada em palavras.

Vício de leitor? Voyerismo de escritor? Vá saber. É a liberdade que me proporciona a idade que avança?; o inverno chegando no hemisférios Norte?; a permissividade/vulgaridade extrema dos dias que correm, que me impulsionam a buscar poesia na atividade humana que mais nos aproxima dos animais?

No fim das contas, o que me resta é a minha humanidade, ou animalidade, que estou talvez à procura de apurar, aprimorar, embriagar de lirismo, pois que da bestialidade humana ando farta.

P.S. O livro que comprei agora há pouco é de uma francesa. Se alguém tiver indicação de livro erótico de autor/a brasileiro/a, aceito sugestões.



Categoria: Livros
Escrito por Teresa Abreu às 00h22
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God Bless America!

4 de novembro de 2008. Um dia memorável, não apenas para os Estados Unidos, mas para toda a humanidade. O dia em que os americanos provaram que a América permanece a terra da oportunidade para todos, como queriam os fundadores da nação. O cara pediu empréstimo bancário para pagar seus estudos. Universidade nos EUA é caríssima, os pais começam a fazer poupança desde o nascimento do filho para pagá-la.

Os desafios são enormes: a crise financeira internacional, a guerra no Iraque e no Afeganistão, as alianças desfeitas com os países que não aprovaram a política externa de George W. Bush.

 

Curiosamente, os comentaristas na França mal mencionam esses desafios. A tecla sobre a qual bate a imprensa francesa neste day after é o fato de o novo presidente dos EUA ser negro. E os debates se multiplicam sobre se a França está preparada para ter um presidente negro.

 

Ora, faça-me o favor! Os franceses elegeram no ano passado um presidente com perfil clássico. Se eles quisessem mesmo alguma mudança, teriam votado em Segolène Royal. Aliás, um correspondente americano em Paris não perdeu a oportunidade de comparar Barack Obama à candidata derrotada.

 

O que ninguém aqui se dá conta, é que os negros, assim como os muçulmanos, na França, são recém-chegados. Eles são considerados – como o são de fato – imigrantes. Seus filhos são franceses de primeira ou de segunda geração, no máximo. Isso significa que ainda guardam a língua e os hábitos dos países de onde vieram.

 

Não é assim com os negros nos Estados Unidos, que estão lá há gerações e têm vínculos menos fortes com a cultura africana. Ou seja, eles são americanos de fato, e mesmo o termo afro-americano serve para designar a cor da pele, e não os usos e costumes.

 

Ironicamente, não é o caso de Barack Obama, um afro-americano no sentido estrito do termo, pois seu pai era queniano e muçulmano. Barack significa abençoado, em árabe.



Escrito por Teresa Abreu às 09h19
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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