O futuro do livro está chegando
Eu me lembro bem como e quando nasceu minha paixão pelos livros. Por ocasião da minha primeira comunhão, minha mãe me deu de presente o meu primeiro livro. Eu peguei o pequeno volume, abri, e só voltei a mim quando cheguei à última página. Da estória já não tenho a mais remota lembrança, mas nunca esqueci a sensação que tive ao terminar a leitura: eu me dei conta de que tinha me evadido, tinha viajado, não tinha sentido o tempo passar. Eu achei aquilo mágico e, desde então, tornei-me uma devoradora de livros. Primeira providência: inscrevi-me na biblioteca da escola pública onde estudava, na Tijuca. Toda quarta-feira (como é que eu consigo lembrar essas coisas?), eu ia à biblioteca deixar um volume em troca de outro. Ia na estante de tarja azul marinho: contos de fadas.
Depois, comecei a comprar fascículos de enciclopédia e livros infanto-juvenis que se vendiam nas bancas de jornais, quinzenalmente. Rato de livraria, descobri uma coleção de não sei mais qual editora chamada Literatura do Mundo. Iniciei-me nos escritos de autores americanos, franceses, ingleses, japoneses. Com o amplo, geral e irrestrito apoio do meu pai, que financiava a farra literária.
Mais tarde, passei a apreciar também a leitura de biografias. Gostava de ver como tinha sido a formação de grandes personagens da história (David Ben Gurion, Anuar Sadat, Winston Churchill, Julio César, Getulio Vargas...)
E os romances... ah... gosto até hoje. Melhor ainda se for romance histórico, do tipo que ambienta os personagens num espaço/tempo definido. A obra em negro e Memórias de Adriano, ambos de Marguerite Yourcenar, são nessa linha. Como vários que li recentemente e cujos comentários estão postados neste blog.
Para mim, livro é uma paixão definitiva, inquestionável. Paixão que agora adquire a forma do século XXI. Faz duas semanas comprei o livro Gutenberg 2.0 - le futur du livre. Trata-se de um ensaio sobre o que o autor chama de a segunda revolução do livro, bem entendido que a primeira foi o advento da impressão, pelas mãos de Gutenberg, no século XV.
Além de retraçar a história da escrita desde que o homem habitava as cavernas, o autor aponta o que espera os leitores do futuro – ou do presente, se se considerar toda uma geração que já nasce lendo na tela do computador e do telefone celular. Os periféricos para leitura de livros eletrônicos (ebooks), os chamados e-readers, são objeto de intensas pesquisas de aperfeiçoamento pelas grandes empresas de TIC (tecnologias da informação e da comunicação). O ponto fraco, hoje, é sobretudo o conteúdo. As grandes editoras ainda não se decidiram pela comercialização do ebook, paralelamente ao livro em papel. No entanto, alguns sites em português se dedicam exclusivamente à venda de livros eletrônicos, como o Viciados em livros. O Project Gutenberg tem títulos em várias línguas.
O reader da foto abaixo é comercializado na França e acaba de ter seu preço rebaixado em 60 Euros para fazer face à entrada no mercado, no próximo dia 23 de outubro, do leitor da Sony, que já faz o maior sucesso nos Estados Unidos. A engenhoca não cansa a vista, pois não é iluminada como a tela do computador, se assemelha a uma folha de papel (e-paper), pesa menos de meio quilo e armazena até 300 livros. Você carrega a sua biblioteca dentro da bolsa! Já pensou? Eu não, mas já estou encantada. Vai ser, com certeza, o meu presente de Natal. E eu ainda voltarei ao assunto.