La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


O reverso da História

Nós, brasileiros, não temos uma idéia clara do modo como os demais sul-americanos nos vêem, não sabemos o que falam de nós, a não ser quando saímos de nosso país e nos defrontamos com uma sociedade multinacional. Em Paris, aprendi que todos os sul-americanos de língua espanhola deploram ainda hoje o massacre infringido pelos brasileiros aos paraguaios na guerra do século XIX. Guerra, para nós, é algo que ou faz parte dos livros de História, ou diz respeito ao hemisfério Norte. Se a guerra nos atinge é do ponto de vista econômico, com o aumento do preço do petróleo e dos alimentos. Mas os seus efeitos estruturais - psicológicos, familiares, e mesmo urbanísticos - nós não sabemos o que é. 

 

Minha estada na França, e mais do que isso, minha opção de não me entrincheirar nos guetos de brasileiros, mas de buscar me relacionar com os nativos do país, me levou à inevitável convivência com pessoas que carregam ainda hoje as conseqüências das guerras – não somente da segunda guerra mundial, mas também da guerra da Argélia, de 1954 a 1962. Eu ouço relatos de pessoas que passaram fome na infância, de amigos cujas mães atravessaram sozinhas o período de gravidez, e que receberam seus pais traumatizados ou mutilados, ou que nunca os receberam. E as seqüelas estão lá, diante dos meus olhos, em pessoas que me são queridas. 

 

Toda a memória que tenho do conflito de 1939-1945 vem dos livros com ilustrações dos navios, submarinos e aviões de guerra que meu pai me mostrava, cheio de admiração pela engenhosidade humana. É, pois, com estranheza, que hoje, por exemplo, caminho por uma rua e ouço a pessoa ao meu lado dizer: “este bairro é diferente do resto da cidade, porque foi refeito, depois do bombardeio que sofreu durante a guerra”. Mas é também com respeito e admiração que percebo a reconstrução dessas vidas que, mesmo machucadas, traumatizadas, voltam o olhar para o futuro, na certeza de que sim, têm direito ao seu quinhão de felicidade. São francesas e franceses não consumistas, felizes e criativos apesar de ganharem pouco dinheiro, que fazem da arte uma forma de evasão, e cuja ambição é proteger a amizade e o amor, seus bens mais inestimáveis.

 

E eu me emocionei às lágrimas quando uma amiga me contou que a sua terapeuta lhe aconselhou a me guardar como um dos seus tesouros.



Categoria: França
Escrito por Teresa Abreu às 16h51
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Cada uma que acontece !

Um francês de 66 anos, professor de Letras aposentado, virou um sans papier em seu próprio país porque o órgão administrativo que emite e renova carteiras de identidade se recusou a aceitar sua assinatura: alguns traços representando um rosto. O senhor Jackie Laisné-Brillet, que perdeu sua carteira em abril de 2007 e está desde então sem documento de identidade, entrou na justiça para obter o direito de continuar assinando em forma de desenho, como faz há mais de 20 anos.

 

Ele contou que tudo começou quando um gerente de banco lhe sugeriu trocar de assinatura, porque a que ele usava era muito banal. O desenho foi aceito pelo banco, e pelo Tesouro Nacional, que nunca devolveu nenhum de seus cheques. A carinha também assina sua carteira de motorista e o documento de propriedade de seu veículo. “Quando será mesmo a minha expulsão do país?”, ironizou o senhor Laisné, que mostra, na foto abaixo, seu título de eleitor com a assinatura desenhada.

 

foto : Mychele Daniau, AFP



Categoria: França
Escrito por Teresa Abreu às 13h07
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L'amoureuse

Hoje faz seis meses que eu reencontrei o homem da minha vida.

Precisava falar com ele sobre trabalho e esperei com ansiedade a chegada do seu aniversário, em 15 de janeiro, para lhe telefonar. A verdade é que ele me impactou desde nosso primeiro encontro, em outubro de 2005. Foi amor à primeira vista, e nós tivemos um rápido affaire, que não foi adiante porque ele não quis. Ele estava enfrentando problemas na empresa e, sem me consultar, decidiu que não tinha o direito de me embarcar no seu inferno. Quando ele me deixou, eu disse à minha amiga que era a pessoa certa no momento errado. Pois o momento certo finalmente chegou.  No início de 2008 ele estava livre e pronto.

Anotaí

O dia em que você vier a Paris, por favor, não deixe de visitar o restaurante Nos ancêtres les Gaulois, na île Saint-Louis. Meu chéri me levou lá no sábado. Pelo valor fixo de 41 € você come (e bebe) como um ogro. A entrada é self-service e o vinho também, que você vai buscar no tonel com a sua jarra quantas vezes quiser e agüentar. E ainda tem o prato principal, os queijos, a sobremesa, o cafezinho... Depois de comer, beber e cantar (sim, tem um trovador que faz a animação, e que animação!) como um bárbaro, você fará obrigatoriamente um passeio ao longo do Sena. Imperdível.

E compre o novo CD de Carla Bruni, Comme si de rien n'était. No vídeo, a música L'amoureuse (A apaixonada).

 



Categoria: França
Escrito por Teresa Abreu às 06h45
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Última página

Finalmente, acabei de ler o livro que tanto me entristeceu. Valeu a pena persistir. Não que morra de amores por ele, pois trata-se sem dúvida da estória mais triste que já li. Mas admirei a ousadia da autora, que faz o relato de uma grande amizade e de uma grande traição. O surpreendente é que a heroína é a culpada... e você chega ao final da leitura dividido entre a empatia com o personagem e o desprezo por seu comportamento.

 

 

O leque secreto

Autor: SEE, Lisa

Editora: Rocco

Assunto: Literatura estrangeira-romances

 

No mais, estou melhor da alergia (mas ainda espirro bastante) e, com certeza, Maria Augusta, feliz e emocionada com a libertação da Ingrid Betancourt. Ontem, só conseguimos ir dormir depois de ouvirmos os pronunciamentos de Nicolas Sarkozy e dos filhos da ex-refém, Melanie e Lorenzo.



Categoria: Livros
Escrito por Teresa Abreu às 12h32
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Verão

É verão, faz calor e eu estou cansada e triste. Cansada, porque hoje é o 11º dia de uma rinite alérgica que está me castigando. Tudo começou no sábado retrasado. Nariz escorrendo, espirro, calafrio. É gripe, diagnostiquei, e me automediquei. Três dias depois, nada. Ou melhor, piorei. Não é gripe, concluí, e parei os remédios. Esperei mais três dias e os sintomas só foram aumentando. Fui à médica: é rinite alérgica. Três dias de anti-histamínico. Nada. Cansada, cansada, cansada.

 

Minha amiga Vera me receitou água de mar, vê se pode. Fui à farmácia e comprei um tubo, por quase 6 Euros. Estou melhorando. Mas um mergulho no mar de Ipanema teria me curado mais rápido e mais barato.

 

 

Com alergia e tudo, fui visitar minha amiga Michelle, que mora em Buc, pequena cidade próxima a Versailles. Falamos de tudo e mais um pouco. Carla Bruni-Sarkozy, verão, filmes, férias, homens, amores, amigos, livros. Michelle também gosta de ler e eu saí da casa dela com um exemplar de Fleur de Neige, em que Lisa See conta a estória de duas meninas que viveram no século XIX na China e aprenderam o nu shu, escrita inventada por mulheres chinesas há mais de mil anos para seu uso exclusivo. Que estória mais triste, meu Deus do céu! O livro é muito bem escrito, mas o romance é horrivelmente triste. Pavorosa a condição de submissão da mulher chinesa, que tinha os pés enfaixados e mutilados, a partir dos 7 anos de idade.

 

Eu, lógico, comecei a fazer o paralelo com a condição da mulher africana, que tem o clitóris cortado; com a condição da mulher muçulmana, submetida ao casamento arranjado; com a condição da mulher ocidental, que se submete a milhões de cirurgias plásticas... Triste, triste, triste.

 

É verão e eu estou no trabalho com a garganta seca, os olhos ardendo e o nariz coçando.



Escrito por Teresa Abreu às 15h01
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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