Dia Internacional da Mulher
Eu pensei no que poderia escrever sobre a "valorização da mulher brasileira" no exterior. É complicado viver no exterior. É complicado ser brasileira no exterior. Dos países que visitei, os que me causaram mais constrangimento foram Espanha, Equador e Angola. Nesses países, a opinião é unânime: a brasileira é uma mulher fácil, adjetivo que uso como um eufemismo, bem entendido.
De quem é a culpa dessa imagem negativa tão largamente difundida pelo mundo? Das prostitutas brasileiras que povoam as cidades italianas? "Mas se há demanda...", alegam alguns. Das imagens do carnaval carioca que viajam pelo mundo, o cinegrafista deitado no chão bem embaixo da x... da passista? "É só isso que elas sabem fazer", conclui a âncora do jornal de 20 horas da televisão equatoriana, comentário não muito distante do angolano casado com uma brasileira, em Luanda.
A culpa é nossa, brasileiras e brasileiros, que abraçamos o culto ao corpo, à juventude, à super-exposição da sexualidade. A culpa é do nosso jornalismo, que mostra como motivo de orgulho nacional, em pleno Jornal Nacional, uma brasileira indo passar uma única "noite de amor" com um dançarino espanhol no Copacabana Palace. A culpa é nossa, quando educamos nossos filhos de maneira diferente daquela que educamos nossas filhas. A culpa é do nosso governo, que, além de "vender" ao exterior a imagem de um Brasil que se resume a bola e bunda, não oferece educação de qualidade para nossos meninos e meninas.
Viva meu pai! Sei que hoje é o dia da mulher, mas minha homenagem vai para o meu pai, que fez de mim a mulher que eu sou. Ele nasceu em Belém do Pará em 1904, em uma família rica. Seus pais se separaram - coisa raríssima para a época - antes que Getúlio Vargas criasse as leis que protegem a mulher em caso de separação. Resultado: a minha avó saiu de casa com dois filhos homens e suas jóias. Os três pegaram um ita no Norte e foram para o Rio de Janeiro, onde os rapazes tiveram que trabalhar duro para sobreviver.
Foi assim que meu pai aprendeu, aos 19 anos, o que era a dependência da mulher. Sua mãe dependeu primeiro do marido, depois, dos filhos. Ele se casou duas vezes e teve quatro filhas. Estimulou-nos, todas, a estudar. Como economista, era extremamente rigoroso. Brinquedos, só duas vezes por ano: Natal e aniversário. Roupas, também duas vezes por ano: enxoval de inverno e de verão. Mas livros e revistas, à vontade. Sempre nos incentivou a ter a nossa profissão, a nossa independência financeira. Obviamente, não era contra o casamento - ele era um homem conservador e não deixava os namorados "abusarem" das suas filhas! - mas nunca disse que essa era a nossa prioridade. E enchia o peito para falar de minha irmã mais velha, primeiro: "minha filha é diretora da faculdade de Educação da UEG"; e de mim, mais tarde. Minha irmã caçula é diretora da faculdade de Matemática de não sei qual universidade em São Paulo.
E é assim que eu consigo me impor como brasileira, quando viajo pelo mundo: apresentando as minhas credenciais, ou seja, os meus diplomas. E lamento muito, muitíssimo, que poucas brasileiras tenham a minha sorte!

Texto escrito às pressas, sem revisão, porque estou saindo para aproveitar o sábado de sol de inverno. Blogagem coletiva proposta pela Meiroca e pela Lys.
Escrito por Teresa Abreu às 14h05
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