La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


L'affaire d'Outreau

Vi ontem na televisão um programa sobre o que está sendo considerado na França como o erro judiciário do século, embora o século esteja apenas começando, "l'affaire d'Outreau" (o caso de Outreau). Um casal com sérios problemas mentais (ele, alcoólatra, e ela tendo sofrido abuso sexual na infância) submete seus cinco filhos a torturas psicológicas e estupros. O pai tem relações sexuais com as crianças com a ajuda da mãe, que lhes tapa a boca durante o ato. O caçula tem 5 anos. Vídeos de filmes pornográficos passam na televisão o dia inteiro e uma noite um casal vizinho é convidado a fazer um swing, em que as crianças também participam. Várias entradas dos pequenos no hospital não despertam a atenção do corpo médico. Foi após a denúncia de um deles à professora (o papai faz “coisas” comigo) que o casal é levado à justiça. Ambos são presos, as crianças são colocadas em famílias de substituição e submetidas a exames que constatam o óbvio: elas sofreram abuso sexual à repetição. O casal vizinho confessa a participação e tudo leva a crer que será um julgamento rápido e sem surpresas.

 

Mas o caso cai nas mãos de um juiz de instrução de 28 anos. A mãe das vítimas logo percebe que pode manipulá-lo e cria uma história com contornos de novela mexicana. Ela não somente confessa o abuso às crianças, como conta a prática dos atos nos mais sórdidos detalhes. Ciente do horror que causa nos advogados e no juiz que a ouvem, ela se delicia em ser o centro das atenções. E, para permanecer mais tempo na ribalta, dá novos nomes de supostos participantes de seu bacanal doméstico: o padeiro, o padre, o oficial de justiça, outros vizinhos. Dona de uma imaginação fertilíssima, ela vai aumentando a história que acaba por se transformar numa rede internacional de pedofilia, com conexões na Bélgica. Treze pessoas são presas como suspeitas, inclusive dois belgas, pai e filho, que nunca tinham visto aquele casal. O mais espantoso é que as crianças, ao serem interrogadas, confirmavam todas as alegações da mãe. O mais jovem dos prisioneiros, o belga, de 20 anos na época, resolve contra-atacar. Ele confessa a participação na rede de pedofilia e acrescenta que além do abuso das crianças, teria ocorrido também o assassinato de uma menina de 10 anos, enterrada no quintal do prédio onde o casal reside. A mulher confirma o caso e vai acrescentando, acrescentando, acrescentando.

 

Por medida de segurança, acusados de estupro são colocados em celas isoladas, de sorte que o pai das crianças não sabia das manobras da sua mulher. Até que o caso começa a aparecer na televisão e ele, de sua cela, escreve uma carta ao juiz dizendo que aquilo tudo era um delírio, que nunca houve criança morta, e que somente quatro pessoas participaram dos estupros: ele mesmo, sua mulher e os dois vizinhos. O resto era inocente. O rapaz belga também escreve ao juiz dizendo que inventou a história do assassinato apenas para demonstrar que a sua acusadora mentia.

 

Resumindo, o caso foi a julgamento três anos depois do início das denúncias e durante todo esse tempo os suspeitos permaneceram presos em isolamento. Um deles morreu de overdose dos calmantes que precisou tomar depois que esfolou as mãos de tanto bater nas paredes e gritar que era inocente. O castelo de mentiras começou a desmoronar quando as crianças foram levadas ao tribunal. Muito assustadas com o aparado judiciário (talvez as roupas dos advogados e do juiz as tenham remetido aos pesadelos que viviam quando o pai, bêbado, se fantasiava de fantasma e as acordava aos gritos no meio da madrugada) elas, então, inocentaram os 13 acusados. Ao ver o desespero dos filhos diante do júri, a própria mulher confessou suas mentiras. Depois de voltas e reviravoltas os acusados voltaram para casa com as vidas completamente destruídas. Até onde acompanhei a emissão, o jovem belga, hoje com 26 anos, contou que afundou nas drogas e ainda toma remédios psiquiátricos.

 

Instado a se explicar, o tal juiz de instrução não se deu por achado. Ele disse que seguiu os procedimentos à risca, que as suspeitas contra os acusados eram fortes, visto que as próprias crianças confirmavam tudo (inclusive o assassinato da tal menina!). A carreira dele, obviamente, acabou.

 

Quando, separada, entrei com ação na justiça para pedir pensão alimentícia para os meus filhos, o advogado do meu ex-marido fez o possível para que ele desse o percentual mais alto que a lei permitia. Meu ex-marido chegou a reclamar: “você parece mais advogado dela do que meu!” Então, o doutor Antonio disse: “a justiça é feita por leis que visam ao ser humano, o seu bem-estar. Não é porque a lei permite um percentual baixo, mas insuficiente para a dignidade da vida das crianças, que você vai dar o mínimo.” Encorajado por meus olhos esbugalhados de espanto, ele divagou: porque a justiça não é a letra da lei, mas são os homens, as universidades não deveriam, na sua opinião, formar advogados com menos de 30 anos.

 

Não sei se lhe dou razão, mas o fato é que aquele juiz, que foi acusado de “calculista” e “matemático” nos procedimentos judiciários, era jovem demais. E vou mais longe (mas isso é mera especulação de minha parte): quem sabe esse moço não tenha tido uma forte identificação pessoal com a sorte das crianças, quem sabe o que ele passou na sua infância, quem sabe o que o motivou a prender 13 pessoas durante tantos anos sem a menor prova concreta de sua culpa. Quem sabe...



Categoria: França
Escrito por Teresa Abreu às 15h59
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Do amor e outros demônios

 

Do amor e outros demônios é o quarto livro de Gabriel Garcia Márquez que leio, depois de Cem anos de solidão, Memórias de minhas putas tristes e Crônica de uma morte anunciada. Não sou, portanto, uma especialista no autor, mas já posso identificar um traço comum em seus personagens: uma solidão existencial, com a qual todo leitor se identifica inapelavelmente.

 

Cem anos de solidão eu li há muitos anos, no hospital, enquanto realizava exames para me submeter a uma cirurgia. Como tomei anestesia geral, à qual reajo sempre mal, tive que suportar, na saída do bloco cirúrgico, as borboletas amarelas que rondavam a cidade imaginária de Makondo dentro da minha cabeça.

 

Em Crônica de uma morte anunciada você fica torcendo para algo dar errado nos planejamentos dos assassinos, o que é totalmente impossível porque Garcia Márquez abre a narrativa com a cena do crime. Só então vêm os antecedentes, e o seu desconforto aumenta na medida em que você se afeiçoa àquele sujeito tão adorável que já está agonizando desde o primeiro capítulo.

 

Memórias de minhas putas tristes eu comentei aqui.

 

Ontem, ao chegar do trabalho, mal jantei e me troquei, não vi o telejornal nem o programa Pekin Express que está mostrando aos franceses belas paisagens brasileiras. Só desgrudei do livro por volta de uma hora da manhã, quando cheguei à ultima página. Em alguns momentos da leitura me lembrei de O Santo Inquérito, de Dias Gomes, por envolver um padre e uma mocinha, na época da Inquisição. Mas esta é a única semelhança, porque Garcia Márquez não deriva ao panfleto político ou anti-religioso. Ele trata exatamente do que o título propõe. Perfeito.



Categoria: Livros
Escrito por Teresa Abreu às 13h27
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Tal bisavô, tal filho

 

Acabo de ler um livro que me impressionou muito, Aïe, mes aïeux, em português Meus antepassados, escrito por uma psicoterapeuta francesa, especialista em terapia transgeracional. Esmiuçando, ela propõe que cada um de nós é um elo na cadeia genealógica e que em alguns casos somos instados a “pagar as dívidas” dos nossos ancestrais, numa espécie de “lealdade invisível” que nos leva a repetir, mesmo contra a nossa vontade ou nosso conhecimento, situações agradáveis ou eventos dolorosos.

 

Assim que soube do livro, me lembrei de outro, Cem anos de solidão, em que Gabriel Garcia Marquez (1927-) relata a saga de uma família em uma cidade imaginária. O que mais me marcou naquele romance foram os comportamentos repetitivos, geração após geração, mesmo que os netos ou bisnetos nunca tivessem tido contato com seus antepassados.

 

O psiquiatra Karl Gustav Jung (1875-1961) já tinha falado em uma possível transmissão por intermédio do inconsciente de fatos marcantes nas famílias, principalmente daqueles não-ditos, os famosos segredos de família, que eclodem repentinamente, causando muito mal-estar e incompreensão. E o Antigo Testamento está repleto de alusões às maldições e bênçãos familiares.

 

De acordo com a terapeuta, é importante conhecermos a história de nossos ancestrais para nos liberarmos de comportamentos e eventos (doenças, acidentes, depressão e até morte) que se reproduzem às vezes na mesma data ou nas mesmas circunstâncias, para enfim vivermos a nossa própria vida. O exemplo que me vem à mente no momento é a saga da família Kennedy, nos Estados Unidos, recheada de mortes trágicas.

 

Editado pela PAULUS, o livro está esgotado no Brasil. Eu achei uma versão americana na Amazon, caso alguém se interesse. E confesso que estou com vontade de ir atrás da minha família para reconstituir a nossa árvore genealógica.

 

         



Escrito por Teresa Abreu às 15h41
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Ano novo, tudo novo

2008 está começando quente, quentíssimo. Promete ser o ano da virada.

E será. 

recados para orkut

Escrito por Teresa Abreu às 09h57
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O homem é o mais perigoso dos animais

 

Eu considero impossível permanecer indiferente à leitura da carta que Ingrid Betancourt escreveu à sua mãe. Ela nos denuncia a bestialidade que nos espreita a alma. Ela nos reaviva o que nos resta de humano. Ela nos conclama a agir, a nos comprometermos, a não nos conformarmos com a situação dos reféns das FARC na Colômbia, dos prisioneiros sem julgamento em Guantánamo, dos habitantes sem cidadania nas favelas brasileiras.

 

 

“Este es un momento muy duro para mí. Piden pruebas de supervivencia a quemarropa y aquí estoy escribiéndote mi alma tendida sobre este papel. Estoy mal físicamente. No he vuelto a comer, el apetito se me bloqueó, el pelo se me cae en grandes cantidades.

No tengo ganas de nada. Creo que eso es lo único que está bien, no tengo ganas de nada porque aquí en esta selva la única respuesta a todo es 'no'. Es mejor, entonces, no querer nada para quedar libre al menos de deseos. Hace 3 años estoy pidiendo un diccionario enciclopédico para leer algo, aprender algo, mantener la curiosidad intelectual viva. Sigo esperando que al menos por compasión me faciliten uno, pero es mejor no pensar en eso.

De ahí para adelante, cualquier cosa es un milagro, hasta oírte por las mañanas porque el radio que tengo es muy viejo y dañado.

Quiero pedirte mamita linda que le digas a los niños que quiero que me manden tres mensajes semanales (...) Nada trascendental, sino lo que puedan y se les ocurra escribir de afán (...) No necesito nada más, pero necesito estar en contacto con ellos. Es la única información vital, trascendental, imprescindible, lo demás ya no me importa (...).

Como te decía, la vida aquí no es vida, es un desperdicio lúgubre de tiempo. Vivo o sobrevivo en una hamaca tendida entre dos palos, cubierta con un mosquitero y con una carpa encima, que oficia de techo, con lo cual puedo pensar que tengo una casa.
Tengo una repisa donde pongo mi equipo, es decir, el morral con la ropa y la Biblia que es mi único lujo. Todo listo para salir corriendo. Aquí nada es propio, nada dura, la incertidumbre y la precariedad son la única constante. En cualquier momento dan la orden de empacar y duerme uno en cualquier hueco, tendido en cualquier sitio, como cualquier animal (...)

Me sudan las manos y se me nubla la mente y termino haciendo las cosas dos veces más despacio que lo normal. Las marchas son un calvario porque mi equipo es muy pesado y no puedo con él (...) Pero todo es estresante, se pierden mis cosas o me las quitan, como el bluyin que Mela (Mélani) me había regalado en Navidad, con el que me cogieron. Lo único que he podido salvar es la chaqueta, ha sido una bendición, porque las noches son heladas y no he tenido más que echarme encima.

Antes disfrutaba cada baño en el río. Como soy la única mujer del grupo, me toca prácticamente vestida: shorts, brasier, camiseta, botas. Antes me gustaba nadar en el río hoy ni siquiera tengo alientos para eso. Estoy débil, friolenta, parezco un gato acercándose al agua. Yo que tanto he adorado el agua, ni me reconozco. (...) Pero desde que separaron los grupos no he tenido ni el interés ni la energía para hacer nada. Hago algo de estiramiento porque el estrés me bloquea el cuello y duele mucho.

Con los ejercicios de estiramiento, el split y demás logro aliviar un poco la tensión en el cuello. (...) Yo trato de guardar silencio, hablo lo menos posible para evitar problemas. La presencia de una mujer en medio de tantos prisioneros que llevan 8 y 10 años cautivos es un problema (...) En las requisas le quitan a uno lo que uno más quiere. Una carta que me llegó tuya me la quitaron después de la última prueba de supervivencia en el 2003. Los dibujos de Natasha y Stanis, las fotos de Mela y Loli, el escapulario de mi papá, un programa de gobierno con 190 puntos, todo me lo quitaron. Cada día me queda menos de mí misma. Algunos detalles ya Pinchao te los contó. Todo es duro.

Es importante que le dedique estas líneas a aquellos seres que son mi oxígeno, mi vida. A quienes me mantienen con la cabeza fuera del agua, no me dejan ahogarme en el olvido, la nada y la desesperanza. Ellos son tu, mis hijos, Astrica y mis chiquitines, Fab, tía Nancy y Juangui.

Todos los días estoy en comunicación con Dios, Jesús y la Virgen (...) Aquí todo tienen dos caras, la alegría viene y luego el dolor.
La felicidad es triste. El amor alivia y abre heridas nuevas... es vivir y morir de nuevo. Durante años no pude pensar en los niños y el dolor de la muerte de mi papá copaba toda la capacidad de aguante. Llorando pensaba en ellos, sentía que me asfixiaba, que no podía respirar. Entre mí me decía: "Fab está ahí, él cuida de todo, no hay que pensarlo ni hay que pensar". Casi me enloquezco con la muerte de mi papá. Nunca supe cómo fue, quiénes estaban, si me dejó un mensaje, una carta, una bendición. Pero lo que ha aliviado mi tormenta es pensar que se fue confiando en Dios y que allá volveré a abrazarlo. De eso estoy segura. Sentirte fuerte ha sido mi fuerza. Yo no vi mensajes sino hasta que me unieron con Lucho, Luis Eladio Pérez, el 22 de agosto del 2003. Fuimos amigos entrañables, nos separamos en agosto. Pero durante ese tiempo él fue mi apoyo, mi escudero, mi hermano (...).

Tengo en mi memoria cada una de las edades (de mis hijos). En cada cumpleaños les canto el Happy Birthday. Solicito que me permitan hacer una torta. Pero desde hace tres años siempre que pido, la respuesta es no. Igual, si traen una galleta o una sopa cualquiera de arroz y fríjol, que es lo usual, con eso hago de cuenta que es una torta y les celebro en mi corazón su cumpleaños.

A mi Melelinga (Melanie); mi sol de primavera, mi princesa de la constelación del cisne, a ella que tanto adoro, quiero decirte que soy la mamá más orgullosa de esta tierra (...) Y si tuviera que morir hoy, me iría satisfecha con la vida dándole gracias a Dios por mis hijos. Estoy feliz con su master en N.Y. Eso es exactamente lo que yo le hubiera aconsejado (...) Pero ojo, es muy importante que haga su DOCTORADO. En el mundo de hoy, hasta para respirar se necesitan credenciales (...) No me voy a cansar en insitirle a Loli (Lorenzo) y Mela que no claudiquen hasta obtener su PhD. Quisiera que Mela me lo prometiera (...).

(Le da muchos consejos a Melanie y concluye) Siempre te he dicho que eres lo mejor, mucho mejor que yo, algo así como la mejor versión de lo que yo quisiera ser. Por eso, con la experiencia que he acumulado en mi vida y en la perspectiva que da del mundo mirarlo desde la distancia, te pido mi vida que te prepares para llegar a la cumbre.

A mi Lorenzo, mi Loli Pop, mi ángel de luz, mi rey de aguas azules, mi chief musician que me canta, y me encata, al dueño de mi corazón, quiero decirle que desde el día en que nació hasta hoy ha sido mi manantial de alegrías. Todo lo que viene de él es bálsamo para mi alma, todo me reconforta, todo me apacigua, todo me da placer y placidez (Asimismo le dedica varios párrafos a su hijo Lorenzo). Al fin pude oírle la voz, un par de veces este año. Me dio temblor de la emoción. Es mi Loli, la voz de mi niño, pero ya hay otro hombre encima de la voz de niño. Una ronquera de hombre-hombre, como la de mi papá. (...) El otro día recorté una foto en la prensa, que llegó de casualidad. Es una propaganda de un perfume de Carolina Herrera '212 Sexy men'. Sale un muchacho joven y pensé: así debe estar mi Lorenzo. Y la guardé
(...) Tienen la vida pendiente, busquen llegar a lo más alto, estudiar es crecer, no solo por lo que se aprende intelectualmente, sino por la experiencia humana, la gente alrededor de uno que lo alimenta emocionalmente para tener cada día mayor control sobre uno mismo, y espiritualmente, para moldear un mayor carácter de servicio a los demás, donde el ego se reduzca a su más mínima expresión y se crezca en humildad y fuerza moral. Una va con otra. Eso es vivir, crecer para servir (...).

A mi Sebastián adorado, mi pequeño príncipe de viajes astrales y ancestrales. ¡Tanto que quiero decirle! Primero, que no quiero irme de este mundo sin que él tenga el conocimiento, la certeza y la confirmación de que no son 2, sino 3 mis hijos del alma (...) Pero con él tendré que desenredar años de silencios que me pesan demasiado desde el cautiverio. Decidí que mi color favorito es el azul de sus ojos (...). Por si acaso no llego a salir de aquí, te lo escribo para que lo guardes en tu alma, mi Babon adorado, y para que entiendas, lo que yo entendí cuando tus hermanos nacieron, y es que siempre te he querido como al hijo que eres y que Dios me dio. Los demás son formalidades.

(Luego le dedica otros párrafos a Fabrice Delloye, el padre de sus hijos) Yo sé que Fab ha sufrido mucho por mí. Pero que su sufrimiento tenga alivio en saber que él ha sido fuente de paz para mí. (...) Dile a Fab que en él me recuesto, sobre sus hombros lloro, en el me apoyo para seguir sonriendo de tristeza, su amor me hace fuerte. Porque está él al frente de las necesidades de mis hijos, puedo terminar de respirar sin que me duela tanto la vida. (...)

A mi Astrica, tantas cosas que no sé por donde empezar. De pronto decirle que su "hojita de vida" me salvó durante el primer año de secuestro, durante el año de duelo de mi papá. (...)
Necesito hablar con ella de todos estos momentos, y abrazarla y llorar hasta que se me agote el pozo de lágrimas que tengo en el cuerpo. En todo lo que hago durante el día está ella como referencia. Siempre pienso, "Esto lo hacía con Astrid cuando éramos chiquitas", o "esto lo hacía Astrid mejor que yo" (...) La he oído varias veces por radio. Siento mucha admiración por su impecable expresión, por la calidad de su reflexión, por el dominio de sus emociones, por la elegancia de sus sentimientos. La oigo y pienso: "Yo quiero ser así" (...). Me imagino cómo gozan con Anastasia y Stanis (sobrinos de Ingrid). Como me ha dolido que me quitaran sus dibujos. El poema de Anastasia decía, "por un golpe de suerte, por un golpe de magia o un golpe de Dios, en tres años o 3 días estarás de vuelta con nosotros". Y el dibujo de Stanis era un rescate con helicóptero, yo dormida en una caleta igualita a las de aquí, y él era mi salvador. (Luego agradece a otros familiares).

Mamita, son tantas las personas a las cuales quiero darles las gracias por acordarse de nosotros, por no habernos abandonado. Durante mucho tiempo hemos sido como los leprosos que afean el baile, los secuestrados no somos un tema "políticamente correcto", suena mejor decir que hay que ser fuertes frente a la guerrilla aún sin sacrificar algunas vidas humanas. Ante eso, el silencio. Solo el tiempo puede abrir las conciencias y elevar los espíritus. Pienso en la grandeza de los Estados Unidos, por ejemplo. Esa grandeza no es el fruto de la riqueza en tierras, materias primas, etc, sino el fruto de la grandeza de alma de los líderes que moldearon la Nación. Cuando Lincoln defendió el derecho a la vida y a la libertad de los esclavos negros de América, también se enfrento con muchos Floridas y Praderas.
Muchos intereses económicos y políticos que consideraban que eran superiores a la vida y a la libertad de un puñado de negros. Pero Lincoln ganó, y quedó impreso en el colectivo de esa nación la prioridad de la vida del ser humano sobre cualquier otro interés.
En Colombia todavía tenemos que pensar de dónde venimos, quiénes somos y a dónde queremos ir. Yo aspiro a que algún día tengamos esa sed de grandeza que hace surgir a los pueblos de la nada hacia el sol. Cuando seamos incondicionales ante la defensa de la vida y de la libertad de los nuestros, es decir, cuando seamos menos individualistas y más solidarios, menos indiferentes y más comprometidos, menos intolerantes y más compasivos. Entonces ese día seremos la nación grande que todos quisiéramos que fuéramos. Esa grandeza está ahí dormidita en los corazones. Pero los corazones se han endurecido y pesan tanto que no permiten sentimientos elevados. Pero hay mucha gente que yo quisiera agradecer porque están contribuyendo a despertar los espíritus y a engrandecer a Colombia. No puedo mencionarlos a todos pero sí a algunos (menciona al ex presidente López "y en general a los ex presidentes liberales", a Hernán Echavarría, a los familiares de los diputados, a Monseñor Castro y al Padre Echeverri).

Mamita, ay vinieron por las cartas. No voy a alcanzar a escribir todo lo que quisiera. A Piedad y a Chávez todo, todo mi afecto y mi admiración. Nuestras vidas están ahí, en el corazón de ellos, que sé que es grande y valeroso. (les dedica de a párrafo de agradecimiento a Chávez, a Álvaro Leyva, a Lucho Garzón y a Gustavo Petro, y luego menciona a periodistas).

Mi corazón también le pertenece a Francia (...) Cuando la noche era la más oscura, Francia fue el faro. Cuando era mal visto pedir nuestra libertad. Francia no se calló. Cuando acusaron a nuestras familias de hacer daño a Colombia, Francia les dio apoyo y consuelo.

No podría creer que es posible algún día libre de aquí, si no conociera la historia de Francia y de su pueblo. Le he pedido a Dios que me cubra de la misma fuerza con la que Francia ha sabido soportar la adversidad para sentirme más digna de ser contada entre sus hijos. Quiero a Francia con el alma, las voces de mi ser buscan nutrirse de los componentes de su carácter nacional, siempre buscando guiarse por principios y no por intereses. Quiero a Francia con mi corazón, porque admiro la capacidad de movilización de un pueblo que como Camus entiende que vivir es comprometerse. (...) Todos estos años han sido terribles, pero no creo que podría seguir aún viva sin el compromiso que nos brindaron a todos los que aquí vivimos muertos.

(...) Sé que lo que estamos viviendo está lleno de incognitas, pero la historia tiene su propios tiempos de maduración, y el presidente Sarkozy está parado en el meridiano de la historia. Con el presidente Chávez, el presidente Bush y la solidaridad de todo el continente podríamos presenciar un milagro.

Durante muchos años he pensado que mientras esté viva, mientras siga respirando, tengo que seguir albergando la esperanza. Ya no tengo las mismas fuerzas, ya me cuesta mucho trabajo seguir creyendo, pero quería que sientan que lo que han hecho por nosotros marca la diferencia. Nos hemos sentido seres humanos (...). Mamita tendría más cosas para decirte. Explicarte que hace tiempo no tengo noticias de Clara y de su bebé (...). Bueno, mamita, Dios nos ayude, nos guíe, nos dé paciencia y nos cubra.
Por siempre y para siempre.”



Escrito por Teresa Abreu às 14h38
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Se eu sobreviver, este ano eu vou

. me expor menos. Eu falo muito de mim e das minhas coisas, mostro muito as minhas emoções, o que me torna vulnerável, pois meus ouvintes, nem sempre altruístas, se apropriam das minhas palavras para pôr em relevo minhas fraquezas. Então, serei mais fechada

. acreditar menos. Eu tenho a credulidade de uma criança. Qualquer que seja a mentira que você me contar, eu vou acreditar, porque, em princípio, para mim, você está falando a verdade. Mesmo que esteja mentindo de brincadeira, só para se distrair, eu não vou perceber o “jogo” e vou tomar ao pé da letra a sua declaração. Então, serei mais desconfiada

. servir menos. Eu estou sempre pronta a encontrar uma solução para os problemas, meus e das pessoas que me cercam. Muitas vezes, deixo de fazer o que me dá prazer, e ofereço a oportunidade a outrem, porque a alegria alheia também me faz feliz. Mas, a minha hora nunca chega, pois as pessoas estão sempre “precisando” de um pouco mais de mim. Então, serei mais egoísta

. esperar menos.  Um dos meus grandes defeitos é esperar a compreensão e o apoio das pessoas que me cercam, principalmente daquelas a quem me exponho, em quem acredito e a quem sirvo. Bobagem. Quanto mais eu espero, menos recebo, porque todos já aprenderam que eu vou continuar esperando. Então, serei mais indiferente

E assim, se eu sobreviver a essa metamorfose, eu terei, talvez, um bom 2008



Escrito por Teresa Abreu às 18h27
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Cidade maravilhosa

Governo anuncia alta de impostos e corte de gastos para compensar CPMF

Crueldade no assalto ao filho de Lídio Toledo

Marquise cai em Ipanema. Leitor fotografa

Com medo de assaltos, leitores pedem o fim dos redutores de velocidade

Sobe para seis número de baleados no Réveillon

Governador Sérgio Cabral vai dar R$ 5 milhões para Escolas de Samba do Grupo Especial e de Acesso

Bandidos assaltam agência bancária e agridem funcionário

Carnaval 2008: escolha a melhor passista do Rio

Estas são algumas das manchetes do jornal O Globo Online desta quinta-feira, 3 de janeiro de 2008. Ontem à tarde eu tomava chá com uma amiga francesa, que de repente me saiu com a frase seguinte: “Teresa, você fala raramente do Rio de Janeiro. Me conta como é a sua cidade”.



Escrito por Teresa Abreu às 10h24
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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