Antes que o inverno se instale
Com a chegada do frio, mesmo quem não é urso polar sente necessidade de se recolher. Este ano, devido ao verão medíocre, a hibernação se antecipou, pois o que temos é uma prolongação do cinza, da chuva e do vento dos meses de agosto e setembro. Tempo em que a gente entende o que Francis Cabrel sentia quando escreveu “ela coleciona os odores do outono e os galhos mortos de árvores; quando chega o inverno, ela fecha os seus livros e adormece, docemente, sobre seu tapete de lã, rodeada de bonecas indianas, entre as penugens das asas de suas duas pombas brancas, até os primeiros dias da primavera”. Tem que ser muito artista para ver poesia em um espetáculo tão desolador como o do inverno.
Fora isso, a UNESCO está, como a cada dois anos, em Conferência Geral. Se em 2005 o grande atrativo foi a aprovação pelos Estados-membros da convenção sobre diversidade cultural, este ano a novidade é o lançamento da Biblioteca Digital Mundial, uma parceria entre a UNESCO e a Biblioteca do Senado dos Estados Unidos. Projeto ambicioso, prevê a digitalização de documentos, cartas, fotos, mapas nas seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo) e mais o português. Isso, graças à participação do Brasil no projeto, por intermédio da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Tive o prazer de reencontrar o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, que foi meu professor na faculdade de Jornalismo. Pessoa de um impressionante carisma, ele recebeu elogios emocionados de seu homólogo egípcio, em cerimônia no Hotel Hilton Paris, em que só faltou a participação da mídia brasileira... que compareceu em massa ao lançamento do livro do jornalista Reali Jr., na Maison de l’Amérique Latine.

Antes que o frio se instale de vez, eu vou garimpando por essas bandas geladas eventos que enalteçam o Brasil.
Escrito por Teresa Abreu às 16h29
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