Puxei a idéia lá do blog da Yvonne. É mais uma daquelas listas de auto-exposição. Talvez eu goste de publicá-las para que as pessoas que me lêem saibam que por trás de um nome que circula na blogosfera existe um ser humano cheio de sentimentos. Não deixa de ser um registro da minha passagem pela vida.
Eu acho: o ser humano muito complicado
Eu quero: paz e amor
Eu tenho: a impressão de que não vou agüentar
Eu odeio: me sentir presa
Eu sinto saudade: do jornalismo e do Rio de Janeiro
Eu escuto: Amy Winehouse e Norah Jones (no momento)
Eu cheiro: o vinho, antes de prová-lo
Eu (não) imploro: nada a ninguém
Eu procuro: refúgio na oração
Eu me pergunto: qual é o sentido da vida
Eu (não) me arrependo: de nada
Eu amo: os meus filhos
Eu sinto dor: física quando me ferem os sentimentos
Eu me importo: com o sofrimento humano
Eu sempre: estou com um livro na mão
Eu não fico: indiferente ao sofrimento ao meu redor
Eu acredito: em Deus
Eu danço: tango
Eu canto: no banho
Eu choro: ao ver telejornais
Eu falho: nos relacionamentos com os homens
Eu luto: contra a depressão
Eu escrevo: para desabafar
Eu ganho: um bom salário para fazer um trabalho frustrante
Eu perco: a paciência facilmente
Eu nunca: escondo ou disfarço as minhas emoções
Eu normalmente sou encontrado: no trabalho
Eu sou: visceral
Eu fico feliz quando: estou com os meus amigos
Eu tenho esperança: de que o Rio de Janeiro vai voltar a ser uma cidade maravilhosa
Tente retroceder, para ver se consegue descobrir o momento em que você transpôs o espelho e, sem se dar conta, passou para o lado da fantasia. Me surpreende a sinceridade com que você acreditou que o seu sonho era a vida real. Contou para os amigos, compartilhou alegrias, nos transportou às nuvens. Até que o seu personagem, não suportando mais o seu papel, jogou uma pedra no espelho mágico.
Quebrado, estilhaçado.
Você não estava preparado para acordar, e agora encontra-se preso nesta parede, sem conseguir encontrar a saída. Há frio e escuridão e desolação aí dentro. O seu personagem, de insustentável que era, desmanchou-se no ar. E a sua crueldade é tão refinada que até parece que você virou personagem de novela.
Como você fez para entrar aí? Em que momento embarcou? Qual foi a conjuntura física, psicológica, emocional e neurológica que propiciou a abertura da janela para a dimensão paralela? Sem respostas, você continua tateando os seus muros sombrios, até encontrar o caminho de volta.
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Miroir magique
Fais un effort pour te rappeler, pour essayer de trouver le moment où, sans t'en rendre compte, tu as transposé le miroir, et tu es passé dans le monde de la fantaisie. C´est surprenant la sincérité avec laquelle tu as cru que ton rêve était réel. Tu as partagé ta joie avec les amis, en nous transportant vers les nuages. Jusqu'à ce que le personnage, ne supportant plus son rôle, a jeté une pierre sur le miroir magique.
Cassé aux éclats.
Tu n'étais pas prêt pour le réveil et maintenant tu te trouves emprisonné dans ce mur, sans trouver la sortie. Il fait froid là-dedans, et il y a de l’obscurité et de la désolation. Le personnage, insoutenable comme il était, s'est défait au contact de l'air. Sa cruauté est si raffinée que l’on dirait que tu es devenu un personnage de feuilleton.
Comment as tu fait pour entrer là dedans ? A quel moment as tu franchi le pas ? Quelle a été la conjoncture physique, psychologique, émotionnelle et neurologique qui a rendu propice l'ouverture de la fenêtre vers la dimension parallèle ? Sans réponses, tu continues à cogner tes murs sombres, à la recherche du chemin de retour.
Amy Winehouseé uma jovem cantora londrina que possui uma voz impressionante, motivando comparações com Erykah Badu e Lauryn Hill.
A formação musical de Amy passou, sem dúvida, pelo jazz e pela audição das suas cantoras sagradas – Ella Fitzgerald, Dinah Washington, Sarah Vaughan e Billie Holiday. Mas não se deteve aí, antes sofrendo a contaminação da música popular urbana sua contemporânea.
Amy Winehouse é o link autorizado entre essas duas estéticas temporais e a sua escrita (Amy é compositora da maioria das letras de seu álbum) um compromisso feliz entre o jazz tradicional com perfume anos 40 e a dureza das letras inspiradas na realidade quotidiana. (texto de Otavio Rilke)
It's okay in the day I'm staying busy Tied up enough so I don’t have to wonder where is he Got so sick of crying So just lately When I catch myself I do a 180 I stay up clean the house At least I'm not drinking Run around just so I don't have to think about thinking That silent sense of content That everyone gets Just disappears soon as the sun sets
He gets fierce in my dreams sees in my guts He floats me with dread Soaked in soul He swims in my eyes by the bed Pour myself over him Moon spilling in And I wake up alone
Regardless of my heart I'd rather be restless The second I stop the sleep catches up and I'm breathless As this ache in my chest As my day is done now The dark covers me and I cannot run now My blood running cold I stand before him It's all I can do to assure him When he comes to me I drip for him tonight Drowning in me we bathe under blue light
His face in my dreams seizes my guts He floods me with dread Soaked in soul He swims in my eyes by the bed Pour myself over him Moon spilling in And I wake up alone
Na rua Vinícius de Moraes, no Rio, tem um bar que hoje se chama Garota de Ipanema. Conta a lenda – e talvez seja verdade – que era daquele bar que Vinícius e Tom Jobim viam passar “a caminho do mar” Heloísa Pinheiro, musa inspiradora da bossa-nova mais tocada mundo afora. No 6º arrondissement de Paris o café Les Deux Magots foi imortalizado pela fama de seus freqüentadores, entre outros, os ícones do existencialismo francês, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Em Munique, Alemanha, a cervejaria Hofbräuhaus viu nascer o partido Nazista, embalado pelos inflamados discursos nacionalistas de Hitler, que incendiaram toda a Europa.
Essa pequena digressão serve para dizer que, embora eu não seja uma celebridade, também tenho o meu bar-fetiche. É no Fumoir, no 1º arrondissement, que eu me reúno com freqüência com quatro jornalistas brasileiros que conheci na blogosfera: Fernanda Levy, Jussara Nunes, Mário Camera e Marilane Borges. Já tentamos combinar de nos encontrarmos em Montmartre, naquele bar onde foi filmado Amélie Poulain; já pensamos também em fazer um tour pelos bares dos quartiers residenciais de cada um, mas nada resultou. Como moramos em lugares diferentes, e o Fumoir está localizado num ponto central da cidade, é para lá que sempre acabamos indo. E agora decidimos que não vamos mais procurar outros. No nosso último encontro, eu comentei que no futuro, quando contarmos as nossas memórias, mencionaremos o Fumoir. Se essas memórias não forem relatadas somente para os netos, se por acaso virarem livros, certamente haverá brasileiros que quererão conhecer o bar, assim como hoje os americanos que leram Sartre vão ao Les Deux Magots e os britânicos que visitam a Provence procuram os restaurantes mencionados no livro One year in Provence, do inglês Peter Mayle.
O Fumoir é bar e restaurante, mas o seu grande charme é a biblioteca. Você pode pegar um livro na estante e ficar lá a tarde inteira lendo e sendo servido pelos garçons. Quando chegar a hora de ir embora, se você não tiver terminado a sua leitura, pode carregar o livro, com a condição de que tenha levado de casa um outro, para deixar em troca.
Por sugestão da Fernanda, aí vão as coordenadas do bar:
Le Fumoir Endereço: 6, rue de l’Amiral-Coligny, 75001 Paris Telefone: 01 42 92 00 24 Horários: aberto todos os dias das 11 às 2 da manhã Metrô: Louvre-Rivoli, linha 1 Site: http://www.lefumoir.com
Era sábado e chovia em Paris, o que significa cinemas lotados. Fila descomunal, lá estava eu no meio da multidão. Quando cheguei no guichê, o rapaz disse "Bonjour,Ensemble, c'est tout". Dei risada: "Por que você acha que eu vou assistir a este filme?" - Porque todas as mulheres estão vindo assisti-lo. "Ah, bon?" A mulher que estava atrás de mim deu o dinheiro a ele sem sequer abrir a boca, só fez sim com a cabeça.
É verdade, Enfim, juntosé uma estória de amor, ou melhor, uma estória de amores. Nada a ver, porém, com romance no sentido tradicional: um homem, uma mulher e um final feliz. São outros amores, de pessoas que tinham tudo para dar errado e, no entanto, acertam. Dois homens e duas mulheres, mas a grande dupla amorosa do filme são as duas mulheres. Foi a opção do diretor, pois no livro, que li recentemente, a autora Anna Gavalda desenvolve mais os outros relacionamentos.
Assim que me sentei na poltrona, pus-me a observar a gente que chegava, para ver se realmente o público era tão feminino assim. Exagero daquele moço. Como eu ando muito muito muito sensível, senti meu rosto esquentar e as lágrimas me subiram aos olhos. É que não paravam de chegar moças de mãos dadas com senhoras e rapazes apoiando idosas em seus braços. Tinha mesmo uma mocinha (esta aí, que eu fotografei na saída do cinema) toda preocupada em acomodar a cadeira de rodas da sua velhinha. Para mim, foi a parte mais bonita do filme.
Quando passar aí no Brasil, vá vê-lo. E se você ainda tiver a sua avó, leve-a.
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais