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Mecanismo de defesa
Há muitos anos ocorreu-me um fenômeno psicológico digno de nota. Estava eu ao telefone com uma amiga, não me lembro quem ligou para quem e qual o assunto, mas isso não importa. Eu contava algo animadamente, que de tão desimportante já esqueci, quando ela soltou a frase "eu fui estuprada". Continuei contando o meu caso quando ela me interrompeu: "você escutou o que eu disse? eu fui estuprada". Não, eu não tinha escutado, ou por outra, sim, os meus ouvidos ouviram, mas não a minha mente. De tão dolorosa que era a informação, o meu cérebro tentou me proteger, recusando-se a registrar o significado das palavras que tinham entrado no meu ouvido.
Infelizmente, revivi recentemente a experiência. Eu ouvi umas palavras tão insuportavelmente duras, que o meu cérebro me bloqueou o significado delas durante 48 horas. "Ouvi" e continuei conversando normalmente. No dia seguinte, fui para o meu psicanalista e relatei-lhe as palavras que ouvira. Ele me olhava estarrecido. Achando engraçada a cara dele, disse que talvez eu estivesse em estado de choque e sua única reação foi balançar a cabeça, positivamente. Porque, você sabe, os psis não falam, eles deixam você falar. Mas, antes de me despedir, ao fim da sessão, deu-me o número de seu telefone celular, au cas où.
Bem, demorou, mas a ficha caiu. E a única coisa que eu posso fazer, para não enlouquecer, é escrever este post. E orar como Jesus: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem".

Vista da janela do meu quarto
Mécanisme de défense
Il y a quelques années j’ai vécu une expérience psychologique digne de note. J'étais au téléphone avec une amie, je ne me souviens plus qui a appelé qui, et quel était le sujet de la conversation, en tout cas cela n'importe pas. Je lui racontais quelque chose avec beaucoup d’enthousiasme quand elle a "lâché" la phrase suivante : "je me suis fait violée". J'ai continué à raconter ma petite histoire, quand elle m'a interrompue : "tu as entendu ce que je viens de te dire? Je me suis fait violée ". Non, je ne l'avais pas écoutée, ou alors, oui, mes oreilles l’ont entendu, mais pas ma tête. L'information était tellement pénible que mon cerveau, pour me protéger, a refusé d'enregistrer la signification de mots qui sont allés dans mes oreilles.
Malheureusement, j'ai revécu récemment cette expérience. J'ai entendu des mots insupportables et durs et mon cerveau a bloqué leur signification pendant 48 heures. Je les ai entendu mais j’ai poursuivi la conversation, comme si de rien n’était. Le lendemain, je suis allée chez mon psy et lui ai raconté ce qu’on m’avait dit. Il me regardait étonné. En trouvant amusante la façon dont il me regardait, je lui ai dit que j'étais peut-être dans un état de choc et sa seule réaction a été de hocher la tête. Parce que, vous savez, les psys ne parlent pas, ils vous laissent parler. En tout cas, à la fin de la séance, avant de me laisser partir, il m’a donnée son numéro de portable, au cas où.
Eh bien, même avec du retard, j’ai compris la signification sous-jacente de ces mots-là. La seule chose que je peux faire, pour ne pas devenir folle, c’est d’écrire ce post. Et prier tout comme Jésus : "Père, pardonne-leur, car ils ne savent ce qu’ils font".
Escrito por Teresa Abreu às 20h15
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Assédio moral
Passada uma semana do meu último post, continuo sem idéia para escrever, o que me deixa um tanto embaraçada, pois percebo que o contador de visitas está sempre em movimento. As pessoas vêm aqui em busca de novidades e não encontram nada. Muito chato. Comecei, pois, a passear pelos posts antigos, para ver se me vinha alguma inspiração. Chamou-me a atenção este aqui.
Um ano e meio depois de sua publicação, tenho hoje um olhar mais agudo sobre o ambiente interno da Unesco, uma vez que, no restaurante, fiz amizade com algumas secretárias de diferentes delegações. Algumas se queixam do tratamento pouco diplomático que lhes dispensam "suas excelências", os senhores embaixadores, geralmente dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Ou seja, esses senhores e senhoras, que discursam nas tribunas das Nações Unidas sobre temas com elevada carga humanitária, esquecem de rezar, no seu próprio ambiente de trabalho, pela cartilha que pregam.
Uma catástrofe. São queixas que se enquadram nos cânones do assédio moral, expressão que essas figuras, há várias gerações em descompasso com a modernidade, devem ignorar. Explico: a diplomacia, tal como é praticada hoje, surgiu lá pelo século XVII, com o conceito de Estado-Nação. Os embaixadores eram nobres ou clérigos, indicados pelos reis e imperadores para representá-los diante de soberanos estrangeiros. Esse modelo, com algumas evoluções, adentrou o século XXI.
Resultado: muitos desses servidores de seus Estados ainda guardam em seus inconscientes coletivos a idéia de que são revestidos de uma aura que os distancia da plebe, sendo a própria noção de nobres e plebeus, de origem medieval, incompatível com o princípio de cidadania de nossos dias. O que se vê é uma categoria de (altos) funcionários públicos com um comportamento na contramão dos discursos de seus países sobre democracia, administração gerencial, cidadania participativa.
Eu acho isso espantoso.

A pedido, a versão francesa:
Harcèlement moral
Une semaine après mon dernier post, je n'ai toujours pas d'idée pour écrire, ce qui me laisse quelque peu embarrassée, puisque je m'aperçois que le compteur de visites est toujours en mouvement. Les gens y viennent pour avoir des nouvelles et on ne trouve rien. Pas sympa. Je me suis donc mise à me promener dans des postages précédents, à la recherche d'inspiration. Et je suis tombée dans ceci.
Un an et demi après sa sortie, j'ai aujourd'hui un regard plus aiguë sur l'ambiance à l'intérieur de l'UNESCO, étant donné que j'ai fait des amitiés dans la cafétéria de l'institution avec quelques secrétaires de différentes délégations. Quelques unes se plaignent du traitement peu diplomatique de la part de "ses excellences", messieurs les ambassadeurs, généralement ces des pays sous développés ou en voix de développement. C'est-à-dire, messieurs et mesdames montent aux tribunes des Nations unies pour proférer des discours sur des sujets aux élevés accents humanitaires, tout en oubliant de prier, dans leur ambiance de travail, par la carte sur laquelle ils prêchent.
Une catastrophe. Ce sont des plaintes qui s'encadrent bien dans les canons du harcèlement moral, expression que ces types là, déconnectés depuis plusieurs générations de la modernité, ignorent. Je m'explique : la diplomatie, telle quelle est pratiquée de nos jours, remonte au XVII siècle, avec l'établissement du concept d' État Nation. Les ambassadeurs étaient choisis par les rois et les empereurs parmi les nobles ou les ecclésiastiques pour les représenter devant les souverains étrangers. Ce modèle, avec quelques évolutions, perdure dans ce début du XXI siècle.
Résultat : pas mal de ces serviteurs de leurs États gardent toujours dans leur inconscient collectif l'idée qu'ils sont revêtis d'une aura qui les éloigne de la plèbe, étant la notion même de noblesse et de plébéiens, d'origine médiévale, incompatible avec le principe de citoyenneté de nos jours. Ce qui se voit est une catégorie de (hauts) fonctionnaires publics dont le comportement contredit les discours de leurs pays sur la démocratie, l'administration gestionnaire, la citoyenneté participative.
Je trouve ça étonnant.
Escrito por Teresa Abreu às 09h10
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Só 30 pessoas!

Foto: Marcelo Carnaval, o Globo
Me levantei cedo hoje e corri para o computador para assistir na GloboNews às notícias sobre a manifestação convocada pelo vocalista Tico Santa Cruz pelas vítimas da violência no Rio, porque, mesmo estando longe, meu coração está nessa cidade. Qual não foi a minha surpresa, ao constatar que apenas 30 pessoas se dispuseram a participar do ato social.
Assim não dá.
Para você ter uma idéia, a última manifestação pública ocorrida aqui na França, contra o CPE (Contrato Primeiro Emprego), reuniu milhões de estudantes, professores e profissionais de várias categorias, numa mobilização que durou vários meses. O governo chegou a aprovar o projeto de lei que estabelecia o CPE, mas a gritaria foi aumentando, aumentando, aumentando... até que o primeiro ministro Dominique de Villepin retrocedesse. E enterrasse, de quebra, suas veleidades à presidência da República. O André Gabriel, do blog trajedia chegou a comentar no post abaixo que o povo estava acordado, mas o Estado está em coma profundo.
Infelizmente, viu André?, sou obrigada a discordar de você. Assim como o Estado, o povo brasileiro está deitado eternamente em berço esplêndido. E parece que não vai sair nunca desse torpor suicida.

Le Monde
Escrito por Teresa Abreu às 07h12
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Contagem de corpos
Atualização em 16/03: É impressionante!!! Esse contador não pára de rodar. Socorro!!!
"O vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, está organizando uma manifestação pelas vítimas da violência no Rio de Janeiro e convida a sociedade a participar. Será nesta sexta-feira, às 16h, nas escadarias da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
- Estamos chamando este ato de ''Contagem de corpos'' das vítimas de violência na guerra do Rio de Janeiro. Vamos nos deitar nas escadarias e cobrir os corpos com sacos plásticos pretos, para mostrar nossa indignação com o descaso de nossos representantes com as questões sérias que envolvem tanto o nível absurdo de violência quanto sua prevenção - explica Tico.
Quem puder que leve velas e sacos plásticos pretos."
E que a iniciativa se espalhe e vá para São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Recife, Brasília. Que o povo brasileiro acorde!
Escrito por Teresa Abreu às 21h15
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Primavera
Vida
surpresa
alternância
fluxo e refluxo
noite e dia
nu e vestido
faminto e saciado
frio e quente
pálido e colorido
o não e o sim
ventre da Terra
o poço
descendo, descendo
vai dar pé?
pouco importa
coração apertado
escuridão
irresistível apelo
Abismo
ah, como me atrai
semente
destino implacável
frutos e flores
perfume e cor
e música
e brisa
e sol
e palavras de amor
celebração
Vida
Escrito por Teresa Abreu às 09h43
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HELP!!!!!!!!!!!
Meu mais profundo agradecimento a Maria Augusta, do blog Crônicas da Paulicéia Revisitada.
Amigos e amigas blogueiros, estou querendo colocar um subtítulo no meu blog, mas já revirei o template e não descobri o caminho das pedras. Se alguém souber me ajudar, por favor, escreva para teresabreu@hotmail.com.
Gratíssima.
Escrito por Teresa Abreu às 11h26
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Eu me olho no espelho Eu apago a luz
e nos meus olhos eu e fecho os olhos
vejo uma menina pra poder enxergar
gaiata direito
uma mulher me vigia
circunspecta
uma velha louca contempla
o nada

Claudel, Camille - "Jeune femme aux yeux clos" - (v. 1885) - terre cuite - Image Copyright © Association Camille Claudel de l'artiste - Artists Rights Society (ARS), New York (cf. Association Camille Claudel - Contact: info@camilleclaudel.asso.fr)
Escrito por Teresa Abreu às 12h04
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Acabei de acabar Ensemble, c’est tout. Uma bonita estória, mas, influenciada por um post do blog Soraia direto de Chicago, comecei a reparar na escrita cinematográfica do livro, como se ele tivesse sido concebido para virar filme. Argh...
Minha amiga Soraia tem razão, os escritores modernos escrevem com um olho grande na tela grande. Não é que o filme vai estrear em 21 de março? Olha aqui. Bem, eu vou ver o filme. Ele deverá passar aí no Brasil. Não deixe de ver.
Por enquanto, é só.
Escrito por Teresa Abreu às 12h57
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