La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Uma questão de educação

A situação política que o Brasil vive hoje exige análise e compreensão. A desilusão, o desencanto, às vezes o desespero, de uma pequena parcela do eleitorado diante da vitória do populismo e do messianismo, não deixa dúvidas: a população brasileira precisa de educação. Ou, para ter certeza de que todo mundo entendeu o que eu quero dizer, a população brasileira precisa de "estudo".

Nós, os poucos brasileiros que fazemos parte da "sociedade da informação", escrevemos blogs, cursamos universidades, temos emprego, ganhamos salário, lemos jornais, analisamos, entendemos, criticamos, nos sentimos impotentes diante da ascensão do oportunismo, que só é possível porque uma parcela considerável da nossa gente não tem acesso aos "estudos", esse processo que começa na infância, com o ensino fundamental, se aprofunda na adolescência, com o ensino secundário, e se consolida na juventude, com o ensino universitário. Esse processo que ensina um ser humano a refletir, a ponderar, a escolher. Esse processo que se aperfeiçoa na maturidade, no ensino pós-universitário, cada vez mais necessário no mundo globalizado em que vivemos, onde só sobrevive quem tem um diferencial.

Quando comparamos o índice de escolaridade da massa da população brasileira, sua média salarial, sua expertise, sua capacidade de integração num mercado de trabalho cada vez mais seletivo, e de absorção de informação e independência na sua interpretação, por exemplo, com os sul-coreanos, que com sua "obsessão" por estudar fizeram de seu país o carro-chefe da economia do Leste Asiático, compreendemos porque chegamos onde chegamos.

Quando comparo o tempo de existência do Brasil com países como os Estados Unidos, a Austrália ou a Nova Zelândia, todos crias do período colonial, eu me pergunto porque saímos tão diferentes. E não me diga que a culpa é da herança colonial portuguesa, porque somos independentes há 184 anos. Já era tempo de termos feito alguns progressos. Senão, vejamos: 

" Muitas nações, já no século 19, investiram no sistema de educação pública. O ministro da Instrução Pública da França, Guizot, determinou, em 1833, a abertura de escolas elementares na maioria das comunas e, depois, em 1882, a educação primária no país haveria de se tornar gratuita e obrigatória. A Inglaterra, com a Lei de 1870, criou as primeiras escolas sustentadas pelo Estado e, anos depois, determinou a freqüência escolar obrigatória. A Argentina e o Uruguai organizaram sistemas públicos de educação no mesmo período.

Na Argentina, Domingos Faustino Sarmiento, professor e fundador da primeira escola normal na América do Sul (1842), chegou a senador e presidente da República, empreendendo, nessa condição, substantiva reforma educacional em seu país. No Uruguai, José Pedro Varella, o grande inspirador da Lei Orgânica do Ensino de 1877, possibilitou avanços importantes na educação do país.

No Brasil, uma lei da Assembléia Geral, de 15 de outubro de 1827, logo após a Independência, determinou a criação de escolas de primeiras letras em todas as localidades. Teria sido a Lei Áurea da Educação Brasileira, para usar a expressão de Lauro de Oliveira Lima. Todavia, o Ato Adicional de 1834, digerindo mal o liberalismo da época, delegou às províncias essa responsabilidade, isentando o poder central de uma missão que lhe seria própria, deixando a educação primária à sua própria sorte."  Jorge Werthein

O resto da história está nos jornais nossos de cada dia. Uns poucos inescrupulosos detêm o cabresto com o qual manipulam a maioria que, por falta de oportunidade, vamos dizer assim, ainda acredita na reencarnação de Cristo, de Tiradentes, de Padim Ciço, de Papai Noel.

 

© Unesco



Escrito por Teresa Abreu às 21h11
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Blogagem coletiva

 

 

"A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta". (VALLS, Álvaro L.M. O que é ética. 7ª edição Ed. Brasiliense, 1993, p.7)

 

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ÉTICA é “o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”.

 

Alguns diferenciam ética e moral de vários modos:

 

  1. Ética é princípio, moral são aspectos de condutas específicas;
  2. Ética é permanente, moral é temporal;
  3. Ética é universal, moral é cultural;
  4. Ética é regra, moral é conduta da regra;
  5. Ética é teoria, moral é prática

Afinal, o que é ética?

 

Ética é algo que todos precisam ter.

Alguns dizem que têm.

Poucos levam a sério.

Ninguém cumpre à risca...

 

© Copyright 2002 -  Prof. Vanderlei de Barros Rosas  

 

Desculpa, gente, minha desilusão com esse tema é tão profunda, que não consigo produzir um texto próprio para participar da blogagem coletiva sobre ética na política.

 

Meu desejo sincero é que, no próximo domingo, todos os brasileiros votem com consciência, patriotismo e ética.

 

Visita também este blog aqui.  



Escrito por Teresa Abreu às 16h13
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The glory of love

Bette Midler  

You've got to give a little, take a little
And let your poor heart break a little
That's the story of,
That's the glory of love

You've got to laugh a little, cry a little
Until the clouds roll by a little
That's the story of,
That's the glory of love

As long as there's the two of us
We've got the world and all its charms

And when the world is through with us
We've got each other's arms

You've got to win a little, lose a little
Yes, and always have the blues a little
That's the story of,
That's the glory of love

A filhinha partiu hoje para uma temporada na Inglaterra, para estudar inglês.



Escrito por Teresa Abreu às 13h33
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Sem entender

Saiu em todos os jornais e telejornais esta semana: a França é alvo prioritário de ataques da Al-Qaida, de acordo com mensagem de vídeo do dia 11 de setembro, do número dois da rede terrorista, Ayman Al-Zawahiri. O GSPC (Grupo Salafista para a Pregação e o Combate), da Argélia, foi orientado a combater os "cruzados" franceses, semeando o medo "nos corações dos traidores e dos filhos apóstatas da França". Os "traidores" são os muçulmanos que migraram para a França em busca de uma condição de vida melhor do que aquela que encontravam em seus países.

Ao mesmo tempo, foi confirmado por um chefe de polícia a existência de uma estrutura antiterrorista, com sede em Paris, de cooperação e troca de informação entre a França, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha, o Canadá e a Austrália.

Agora essas novas manifestações dos muçulmanos por causa de umas palavras mal empregadas pelo Papa. Espero que ele peça desculpas oficiais, mas a verdade é que, pedindo desculpas ou não, esse retorno bizarro à Idade Média parece inexorável.

Estou relendo O Lexus e a Oliveira, do sensacional Thomas Friedman, colunista de política externa do jornal The New York Times.

O livro trata do intenso tráfego de informação, mercadoria, bens e serviços, característico do atual momento histórico, ao qual chamamos Globalização. Ele conta como um produto pode ser produzido em diversas etapas diferentes, em vários países do mundo, tudo para garantir um preço competitivo para o consumidor. Ou como um serviço de atendimento ao consumidor de um grande fabricante americano de computadores é feito por indianos... na Índia. Ou como o Lexus, o automóvel que dá título ao livro, é fabricado no Japão, quase sem ser tocado por mão humana, mas por robores. A oliveira refere-se a essa região de história tão remota, o Oriente Médio, desde o início dos tempos envolvida em lutas tribais que adentram o século XXI.

Eu acho incrível tudo isso. Não consigo entender como a sofisticação tecnológica que nos proporciona uma comunicação em escala planetária via informática pode conviver com tanta barbárie e obscurantismo.

Se eu estou com medo? Não estou não. Só estou perplexa.



Escrito por Teresa Abreu às 12h33
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Blogagem divertida

Meire me propôs mostrar que "cara" tem a minha geladeira e eu corri para fotografá-la.

Aí está: sou colecionadora de ímãs de geladeira. Tenho um de cada lugar por onde já passei.

Algumas das viagens foram a trabalho, outras para estudar, e umas tantas a passeio mesmo, que eu não sou de ferro. Daqui a pouco vou precisar de outra geladeira.

E você, aceita o desafio? Mostre a cara da sua geladeira.



Escrito por Teresa Abreu às 18h41
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Fim de tarde, fim de verão

Numa simples caminhada, Paris te enche os olhos, as narinas, os ouvidos. Durante o verão pode-se ouvir música clássica e jazz da melhor qualidade no Parque Floral de Bois de Vincennes, um dos jardins botânicos da cidade. O espetáculo de ontem, Aniversário de Mozart, apresentado pela Orquestra Nacional de Ile-de-France, entremeou, sob o sol clemente de setembro, Beethoven e Mozart com grasnar de pássaros e balbuciar de bebês. Uma hora e meia de puro fascínio. Depois, fui apreciar a exposição das flores que ganharam o concurso 2006.

Hoje fizemos uma Promenade plantée, passeio por um caminho absolutamente campestre e rústico, em pleno coração da cidade. Inacreditável. As fotos estão no fotoblog.

Os lançamentos no cinema começam. Faz sentido: francês não vai ao cinema no verão. Nos dias quentes todo mundo quer se espichar nos parques e jardins para garantir o bronzeado, ler, tirar um cochilo. Com a chegada das temperaturas mais amenas, nada como o escurinho do cinema para escapar do vento frio.

Mas ainda não é o momento. O mercúrio do termômetro está acima dos 25 graus e aproveitar é preciso... que o outono não tarda.



Escrito por Teresa Abreu às 19h24
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As versões da vida real

 

Assisti ontem na televisão a um filme-documentário com os sobreviventes do World Trade Center, chamado 11 de Setembro, dentro das torres gêmeas. Não é o filme que traz Nicolas Cage no papel de policial/super-herói. Tive que tirar o chapéu para os americanos. Cinco anos depois da tragédia que deu o formato das relações internacionais neste início de século XXI, eles souberam dar a volta por cima. Algum membro da Al-Qaeda que estivesse eventualmente assistindo àqueles depoimentos teria de se sentir um rato. Porque cada americano que vem ao mundo é um alterego de Indiana Jones.

 

Explicando: ninguém, dentro das torres em chamas, mostrou desespero, apenas um medo contido e conformado; os cônjuges trocaram declarações de amor via celular antes do afundamento dos edifícios; mais de um morreu porque, ao invés de correr para salvar a própria pele, resolveu ajudar um desconhecido em dificuldade moral para continuar descendo as escadas. Ou seja, um país onde se esbarra em super-heróis a cada esquina.

 

Fora essas bravatas, o filme prende até o fim. Justamente por não se tratar de um filme, de uma ficção bate-estaca tão cara à cinematografia norte-americana. Em 2001, durante a transmissão ao vivo dos ataques às torres, a locutora da CNN gritava, completamente fora de si, que aquilo não era um filme, era a vida real.

 

Os americanos mostraram com esse filme que a vida real tem duas versões: a dos vencedores e a dos vencidos. E eles preferiram a primeira.

 



Escrito por Teresa Abreu às 13h31
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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