La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Hasta la vista!

 

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, e eu estou saindo de férias: no próximo domingo embarco para o México. Vou fazer um circuito pelos sítios arqueológicos do Yucatán e desembocar em Playa del Carmen para me espichar ao sol uns dias.

 

Até a volta!

 

© Jean-Rémy MÉNARD



Escrito por Teresa Abreu às 19h08
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Colírio para os olhos

Achei estranho quando, na segunda-feira passada, ouvi no rádio uma entrevista com o novo apresentador do telejornal da TF 1. O entrevistador ressaltava, sobretudo, o fato de o recém-chegado ser negro. As respostas do entrevistado, lógico, eram óbvias: "não me sinto ícone de nada, nem representante da negritude francesa, sou um profissional, etc, etc". À noite, fui conferir. Ele é negro sim, e hiper-charmoso. Ah, bom...

Harry Roselmack não é um novato. Nascido na Martinica, 33 anos, ele começou como apresentador da meteorologia na RFI e na France 3, como substituto eventual. Depois, passou vários anos no rádio. Até que foi assunto de um documentário na rede saudita Al-Jazira, como exemplo da "diversidade francesa". De volta à televisão, foi um dos repórteres mais solicitados durante a crise nos subúrbios em novembro do ano passado.

Acredite, para os padrões franceses, isso é quase uma revolução. Não só no rádio, mas também uma revista feminina e alguns sites na internet estão falando do "fenômeno" negro que, durante as férias de verão, vai substituir Patrick Poivre d'Arvor (o Cid Moreira daqui) no principal telejornal da emissora. Eu citei Cid Moreira? É isso mesmo: PPDA está precisando ser substituído já faz um tempinho. 

Vida longa à diversidade francesa!

Lintern@ute ©



Escrito por Teresa Abreu às 08h59
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Programa de índio

canícula sf (lat cannicula) 1 Quadra mais quente do ano, no hemisfério boreal, em que a estrela chamada Canícula (ou Sírio) e o Sol estão em conjunção. 2 Grande calor atmosférico. (Michaelis, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa)

Canicule é a palavra que mais se ouve nesses últimos dias em toda a França e é assunto de extensas reportagens nos telejornais daqui e nos jornais daí. Motivo: evitar que se repita o verão de 2003, quando cerca de 15 mil velhinhos morreram de calor, desacostumados que são a temperaturas elevadas. Naquele ano, o termômetro marcou 44 graus.

Esta semana o alerta está no máximo e, nas casas de retiro (prefiro usar esse termo para traduzir maison de retraite, literalmente casa de aposentadoria, no lugar de asilo), os idosos são obrigados a beber água de gré ou de force, ou seja, quer queiram, quer não queiram.

Eu, sem esquecer de entornar litros e litros de água e de chá, ri de mim mesma nesse fim-de-semana prolongado. Quando morava no Rio dizia que o povo que ia de trem suburbano fazer pique-nique na Quinta da Boa Vista, aos domingos, fazia programa de índio. Pois lá fui eu de metrô até o gramado de Champ de Mars me espichar bem debaixo da torre Eiffel para me bronzear, ler, dormir. E o que é mais ridículo: coloquei a parte de cima do biquine, mas fiquei... de short!

Paga, língua!!!



Escrito por Teresa Abreu às 20h01
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Liberté, égalité, fraternité

Moro no sexto andar de um prédio de onde assisto da janela do meu quarto, pela terceira vez, aos fogos na torre Eiffel por ocasião das comemorações do 14 de Julho, a grande festa nacional francesa.

Este ano teve um adicional: os fogos foram acompanhados de trechos das mais conhecidas sinfonias de Mozart, um jeito à la française de festejar os 250 anos de nascimento do gênio austríaco; como fizeram no ano passado, soltando fogos em verde e amarelo, para comemorar o Ano do Brasil na França.

Num dado momento, percebi um avião que voava ao longe. Fiquei imaginando a surpresa daquelas pessoas que estavam passando por Paris naquele momento tão especial. Só não ouviram a música. Eu tive mais sorte: desfrutei dos fogos e de Mozart no conforto do meu camarote particular. Pois, por incrível que pareça, o barulho dos fogos não abafou a música.

Espetáculo de uma beleza e emoção que as fotos no fotoblog não conseguem expressar.



Escrito por Teresa Abreu às 22h30
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Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva.

Minha inspiração meirelliana tem sua origem na mesma pena do início do poema, ou seja, a meteorologia. Pois não faz tanto tempo (questão de uma ou duas estações), eu escrevia injúrias e imprecações ao frio e ao cinza quase constantes de Paris. E minha ansiedade pela chegada do verão, para botar as pernas, os pés e os braços de fora, pegar um bronzeado.

E eis que está calor demais. Como tenho pressão baixa, de vez em quando "baixo" na enfermaria para umas boas colheradas de sal. E agora? O frio me deixa de mal-humor. O calor me deixa sem humor nenhum.

Voilà, como um pensamento leva a outro, acabei de me lembrar que, adolescente e devoradora de romances, sempre achava estranha a relação que os autores europeus estabeleciam entre os fatos e as estações do ano. Coisas do tipo "fizemos aquele passeio na primavera". É que aqui as estações são tão marcadas, que a evocação de um acontecimento remete imediatamente ao tempo que fazia.

Como, por exemplo, quando apareci no trabalho com um sapato aberto atrás, estilo anabela, e me perguntaram "é novo?", e respondi na maior naturalidade "não, comprei no verão passado." Faz sentido.

Pois é, estou aqui com o ventilador na minha cara, tendo a mesma dúvida da poeta: "não consegui entender ainda qual é melhor, se isto ou aquilo".



Escrito por Teresa Abreu às 19h23
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Gente fina é outra coisa

 

Informo a quem estiver curioso para saber como foi o "day after" dos franceses: a imprensa rasgou-se em elogios para a Squadra Azzurra tetra-campeã. Para os franceses, mais perturbador do que a derrota para a Itália foi a atitude anti-esportiva de Zinedine Zidane.

 

Ao contrário do presidente italiano, que foi o autor das declarações do post abaixo (aquela história de identidade nacional), Jacques Chirac colocou a participação da equipe francesa no seu justo lugar: "Vocês (dirigindo-se a todos os jogadores) nos fizeram viver uma formidável epopéia esportiva, que ficará inscrita profundamente na memória das francesas e dos franceses".

 

A Zidane, especificamente, ele disse: "você é um virtuose, um gênio do futebol mundial, e é também um homem de paixão, de compromisso, de convicção. É por isso que a França o admira e o ama."

 

Para quem torceu contra a França, lamento decepcionar: eu estou encantada com a classe dos franceses na derrota.

 

                                                                     AFP/STF

 

L'homme libre ne s'embarrasse de rien, pas même de l'honneur



Escrito por Teresa Abreu às 19h16
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Fim de jogo

 

De tudo o que li hoje nos jornais franceses sobre a vitória da Itália e o destempero de Zidani, nada me chamou mais a atenção do que essa intervenção de um leitor (ou leitora) do jornal Le Monde:

 

Se a copa do mundo é isso:

 

- a Suíça germânica que não agüenta mais a arrogância francesa

- a Espanha que se sente humilhada pela fatalidade e pela inesperada dominação da França

- o desespero do Brasil pela derrota em um jogo

- a frustração de Portugal por ver arrancada a vitória

- e a revanche de uma Itália que recupera seu orgulho e identidade nacional vencendo a equipe francesa de futebol, em geral, e Zidane, em particular

 

... bem, então, a copa do mundo deveria ser proibida, em nome da paz entre os povos. (Romora)

 

Eu acrescento a selvageria do jogo Holanda x Portugal para questionar: futebol é esporte, diversão, ou é a guerra por outros meios?



Escrito por Teresa Abreu às 16h13
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Quem ri por último, ri melhor

Informamos que não foi possível realizar o débito de seu pagamento. Favor verificar junto a seu estabelecimento bancário a data de validade de seu cartão de crédito. A encomenda foi anulada junto ao fornecedor.

RE: Recebi sua mensagem e tenho a informar que o valor relativo à compra anulada foi debitado de minha conta bancária. Solicito informações para a regularização da situação.

RE: RE: Favor nos enviar por fax uma cópia de seu extrato de conta (ocultando as informações que não nos dizem respeito) para que nosso serviço de contabilidade possa verificar a melhor maneira de regularizar a situação. A senhora será devidamente informada do seguimento do processo. Gratos por sua compreensão e até breve.

RE: RE: RE: Acabo de enviar um fax com as informações solicitadas.

RE: RE: RE: RE: Acusamos recebimento de sua mensagem. Seu processo será tratado o mais rapidamente possível. A senhora será informada por e-mail do seguimento do processo. Obrigado por sua confiança e até breve.

RE: RE: RE: RE: RE: Acabo de verificar que vocês creditaram em minha conta o valor relativo à encomenda anulada, o que agradeço. Entretanto, o livro relativo àquela encomenda chegou. Além do mais, veio um outro livro, que eu não encomendei. Gostaria de ser informada do procedimento para efetuar o pagamento do livro que encomendei e a devolução do outro.

RE: RE: RE: RE: RE: RE: Lamentamos informar que não podemos mais interferir nesse processo, pois para nós a encomenda foi anulada e o vendedor não deveria ter enviado o artigo, uma vez que ele estava informado, por e-mail, que o débito de seu cartão de crédito não tinha sido efetuado. Sugerimos que entre em contato com o vendedor a fim de regularizar diretamente com ele seu débito, o que deverá ser feito através de nossa página de internet. A senhora deverá: - clicar na rubrica “Acompanhamento de encomendas”, - selecionar a encomenda a respeito da qual deseja falar ao vendedor, - clicar no link “Fazer uma pergunta ao vendedor / ler perguntas e respostas”. Um e-mail será enviado com a resposta do vendedor. Gratos por sua compreensão e até breve.

RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: Obrigada.



Escrito por Teresa Abreu às 19h19
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Bye, bye Brasil

Ontem, ao final do jogo, ouvi o seguinte comentário de um torcedor francês: com essa vitória, fica provado que a teoria da conspiração, largamente defendida pelos brasileiros, de que o resultado da Copa de 98 foi comprado, é pura balela. Ele tem razão. Pois os dois times repetiram a fórmula: os franceses jogaram muito bem e os brasileiros jogaram muito mal.

No bar, a torcida estava equilibrada: metade francesa, metade brasileira. Entre os franceses, 80% eram homens; do lado brasileiro, a mesma proporção de mulheres. Na hora dos gritos de guerra, o tambor da banda de música brasileira tinha que ajudar as nossas vozes femininas.

Cada vez que Zidane tocava a bola, as francesas cantavam allez, Zizou. Estranhamente, nessas horas os homens se calavam. Será que eles não gostam de Zidane, ou acham que apoiar jogador é coisa de mulher? Não sei. Os homens cantavam o famoso refrão allez, les bleus, a Marselhesa e uma musiquinha irritante, ils sont où, les brésiliens?, pergunta que nós também nos fazíamos (cadê os brasileiros?).

Havia alguns ingleses e uns poucos portugueses, que não paravam de gritar vai, Brasil, cada qual com seu sotaque. Os brasileiros logo viram que não dava mais para cantar adieu, les bleus, e dirigiram toda a fúria para Parreira. Quando a imagem do técnico apareceu na tela, levantou-se um retumbante: vai tomar no c*#, filho da p*#!, devidamente acompanhado do tambor. Os franceses, ao serem inteirados do significado das palavras, ficaram boquiabertos.

No final, os ingleses, que já tinham tomado todas, conseguiram tirar um cochilo em meio à gritaria nas ruas, os portugueses estavam com os olhos arregalados (de medo, eu acho) e os franceses... bem, os franceses se continham como podiam, pois quase todos eles, naquele bar, estavam acompanhados de uma brasileira com cara de choro.



Escrito por Teresa Abreu às 08h22
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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