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Cadê o sol?
En avril, ne te découvre pas d'un fil; le mois de mai, fais ce qu'il te
plait. "Continue agasalhado em abril, vista-se como quiser em maio",
diz o ditado popular francês.
Maio já é amanhã e a temperatura voltou aos parâmetros invernais! É
demais!!!
Por conta do frio intermitente, me enfiei em dois museus. Visitei o
Museu
Rodin (quem viu o filme Camille
Claudel, e é uma pessoa normal, deve ter alguma antipatia por esse gênio da
escultura que era, ao mesmo tempo, um rematado machista) e o Museu
do Exército (Hôtel National des
Invalides).
Não sei qual me deixou mais extasiada. Na casa de Auguste Rodin, vi as
esculturas definitivas e os estudos de suas obras mais renomadas (O Beijo,
O Pensador, entre tantas outras, maravilhosas). No Museu do Exército, além do
túmulo de Napoleão, o luxo e esplendor de uma França imperialista, conquistadora
e onipresente.
As fotos estão no meu
fotoblog.
Escrito por Teresa Abreu às 12h24
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... se a alma não é pequena
Muita gente tem manifestado o desejo quase atávico de conhecer a França, em geral, e Paris, em particular. Entende-se. A França está gravada no recôndito da memória brasileira como a pátria da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Por intermédio da literatura e da imprensa, aprende-se que os franceses são um povo liberado de preconceitos pueris, tão enraizados em países de forte ascendência do catolicismo, como o Brasil.
Dada a discrepância entre o Real e o Euro (R$ 1,00 = 2,61 €), no entanto, muitos brasileiros consideram esse sonho impossível. Será mesmo? Vamos ver.
Com seu cartão de crédito você pode financiar a passagem - que não é barata, concordo!!! - em até seis vezes pela Varig, se ela sobreviver. Se não, a TAM oferece vôos Recife-Paris. Dê preferência à baixa temporada, para pagar ainda menos. Algumas companhias européias operam no Brasil, mas é preciso fazer escala no país da tal empresa. E, infelizmente, alguns países barram a entrada de brasileiro na União Européia se tiver pouco dinheiro, ou se for mulher e/ou negro. Não se emmerde com isso: venha numa empresa brasileira, em vôo direto.
Alojamento você pode conseguir no site Vou de mochila . Muita gente tem medo de autorizar débito em cartão de crédito pela internet. Bobagem. Eu mesma paguei o aluguel do meu primeiro apartamento em Paris pela internet, quando ainda estava em Brasília, com cartão de crédito brasileiro. Minha mãe ficou com os cabelos arrepiados, mas deu tudo certo!
É preciso ter fé na vida para se lançar. Na minha opinião, a vida é feita disso mesmo: de saltos no escuro, que podem dar certo, ou não, dependendo do ponto-de-vista de cada um.
Lembro-me de meu pai, um lingüista autodidata (falava vários idiomas, inclusive os falecidos grego e latim), candidato a navegador de longo curso que, no entanto, nunca ultrapassou as 200 milhas do mar territorial brasileiro. Não sei dizer porquê, só sei que eu realizei os sonhos dele... e ele nem está aqui para ver. Uma pena.
Lembre-se de Fernando Pessoa: tudo vale a pena...

Escrito por Teresa Abreu às 15h04
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Mais chique, impossível
Eu posso reclamar do frio e até me sentir muito infeliz no inverno parisiense, mas quem resiste ao charme dessa cidade? Olha a última:

Está acontecendo na prefeitura, até o dia 30 de junho, a exposição Paris au cinéma , uma mostra fotográfica dos filmes rodados em Paris, a cidade mais filmada do mundo. A exposição é dividida em seis espaços temáticos e cronológicos:
- Paris ano zero (o nascimento do cinema)
- Paris das vanguardas (cinema mudo)
- Paris estúdio (dos anos 30 aos anos 50)
- Paris Hollywood (os grandes estúdios)
- Paris ao natural (a Nouvelle Vague)
- Paris "à la carte" (cinema contemporâneo)
Palmas para Bertrand Delanoë, o prefeito marqueteiro da cidade.
Escrito por Teresa Abreu às 19h33
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Eles venceram, mas...

Os franceses que se uniram aos jovens estudantes no protesto contra o CPE (Contrato Primeiro Emprego) tiveram, ontem, uma vitória estrondosa. O projeto de lei foi retirado e substituído por um “dispositivo em favor da inserção profissional dos jovens em dificuldade” - leia-se, sem qualificação.
Tenho minhas dúvidas se essa foi uma boa solução para a sociedade francesa como um todo. A verdade é que, política e economicamente, a França está bloqueada. O Le Monde publicou o artigo de um analista norte-americano em que dizia que o crescimento global da economia, no ano passado, alavancou as economias de quase todos os países do mundo. Os únicos que não aproveitaram foram os países africanos... e a França.
O país está em convulsão. Senão, recapitulemos: em maio do ano passado o não francês ao referendo europeu deixou boquiabertos os outros 24 membros do bloco (perdão, 23, porque a Holanda também votou não), visto ser a França um dos países fundadores do que hoje é a União Européia. A resposta das urnas deixou na classe política um sentimento de perda de identidade, uma sensação de barco à deriva; em novembro, os protestos dos jovens dos subúrbios, majoritariamente filhos de imigrantes africanos e muçulmanos, mostraram ao mundo inteiro a explosiva insatisfação de toda uma geração sem perspectiva de uma vida melhor do que a de seus pais, ao contrário.
Ironicamente, o CPE foi uma tentativa de resposta a essa demanda. E deu no que deu.
O que torna a França fraca hoje é o resultado do que foi a sua força nos anos pós-guerra: a chamada sociedade de bem-estar social. Para manter a alta qualidade de bens e serviços (saúde, educação, habitação, transporte, segurança...), os trabalhadores pagam um imposto altíssimo, mais alto do que no Brasil!
O trabalhador é super protegido pela lei. Um empregador em dificuldade financeira encontra na Justiça enormes dificuldades para demitir um funcionário. Até encontrar uma nova colocação, o demitido recebe um salário-desemprego (do governo) e uma espécie de auxílio moradia. Os salários, se não são exorbitantes (a sociedade francesa é majoritariamente de classe média), também não são nenhuma miséria.
Resultado: o trabalhador francês é caríssimo. Com todo esse protecionismo, que funcionou muito bem no passado e até fez da França um modelo invejado pelo resto do mundo, o país não tem condição de competir com a globalização econômica, em que o produtor vai buscar seus empregados nos países com mão-de-obra mais barata e descartável.
E voilà, os franceses não querem aceitar que o mundo mudou. E como aqui a democracia impera, o governo não pode agir.
Escrito por Teresa Abreu às 09h50
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Cena (cada vez mais) carioca
Há mais ou menos 17 anos sofri meu primeiro assalto no Rio de Janeiro. Estava eu no ônibus, voltando da TV Globo, onde fizera várias entrevistas, posto que àquela altura trabalhava como correspondente para a imprensa portuguesa (sentiu o sotaque lusitano da frase?), com gravador e máquina fotográfica dentro da bolsa, quando fui interpelada por um garoto sentado ao meu lado. Ele disse qualquer coisa que não entendi, e me voltei com um interrogativo añh??? "Abre a bolsa e me dá o dinheiro, sem fazer escândalo."
Era um garoto bonito, bem vestido, e sua frase me deixou ainda mais confusa. Añh????????????
Lentamente abri a bolsa, tirei a carteira onde havia as fotos de meus dois filhos, ainda bebês. O meliante puxou conversa: - São seus filhos? Assaltada de primeira viagem, falei sem refletir: "São. E com esse dinheiro que você está levando eu ia fazer o supermercado deles, porque eu sou uma mulher divorciada, que trabalha para sustentar os filhos. Agora, se você fosse HOMEM (coloquei ênfase nesta palavra), você assaltava um banco, mas como você é um COVARDE (idem), está roubando uma mulher sozinha..."
Fui silenciada por uma terceira voz que sussurrou: "Cala a boca aí, minha tia..."
Escrito por Teresa Abreu às 20h26
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