La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Memória

Passou ontem na televisão um documentário alemão sobre Olga Benário. Fidelíssima à história, a emissão mostrou imagens de arquivo da Alemanha, da Rússia e do Brasil. Algumas constrangedoras, como a câmara de gás em Bernburg, onde Olga foi assassinada em fevereiro de 1942, após ter sido extraditada pelo governo Vargas à Alemanha nazista, em 1937, grávida de sete meses de Luis Carlos Prestes.

Muito tocante também foram as entrevistas com algumas sobreviventes dos campos de concentração que conviveram com Olga e testemunharam sobre seu enorme carisma, sua capacidade de liderança e de resistência a todo tipo de prova física ou moral.

Hoje, na Alemanha, o nome de Olga Benário é reverenciado em diversos hospitais, asilos e escolas.



Escrito por Teresa Abreu às 09h35
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Ano Mozart

Cheguei no trabalho sexta-feira anunciando: "Hoje é aniversário do Mozart!" Dada a intimidade com a pessoa, aguns colegas hesitaram: "Quem é Mozart?" A pergunta se justifica: podia ser o meu cachorro (que não tenho), um afilhado, o vizinho... Mas não, eu me referia a Wolfgang Amadeus Mozart. 250 anos!

Em toda a Europa as comemorações são intensas. Salzburg e Viena este ano estão com o turismo garantido, faça chuva ou faça sol: essas cidades estão voltadas para o aniversário do austríaco mais querido de todos os tempos.

Na França, Mozart é assunto na televisão, no rádio, nas revistas, nos jornais e nas editoras de livros. Vi na TV o testemunho de um músico que diz ter sido salvo por Mozart: aos 19 anos ele havia decidido se suicidar. No momento em que daria cabo à vida, ouviu, não se sabe vindo de onde, um trecho qualquer de Mozart. Ficou tão fascinado que decidiu viver para saber quem era o autor daquela maravilha... e tornou-se pianista. Outro escreveu Minha vida com Mozart, em que garante que troca correspondências com o próprio.

O jornal Le Figaro publicou uma matéria sobre a descoberta do trecho final do Réquiem de Mozart no Rio de Janeiro, e conta a história bizarra de que um de seus alunos teria viajado aos trópicos levando na bagagem as partituras inacabadas e uma ordem da viúva de Mozart para terminar a obra segundo o que ele próprio teria escrito. O CD traz na capa uma foto do Cristo Redentor e foi denominado O manuscrito do Rio de Janeiro.

Impossível ficar indiferente à febre Mozart desse 2006. Não preciso acrescentar que a Áustria fará parte do meu roteiro no próximo verão.



Escrito por Teresa Abreu às 20h57
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Intuição

Minha intuição me dizia para não ir assistir O Jardineiro Fiel, mas eu não obedeci a ela. Resultado: entalada no meio de uma multidão, eu passei mal durante quase todo o filme. Por vários motivos. Primeiro, e creio que o principal: aquela câmera nervosa que não te deixa fixar o olhar. Fui ficando enjoada, com vontade de chamar o hugooooooooo, suando frio, mas não tive coragem de me mexer, pois o cinema estava lotado e, como disse, eu estava entalada.

Em segundo lugar, a própria história. Eu já sabia que certas cenas eu não agüento, por isso não fui ver Cidade de Deus, do mesmo Fernando Meirelles.

Além do mais, eu conheço pessoalmente a violência das favelas cariocas e a miséria da África, pois já coloquei os pés nas duas.

Antes de ir morar em Brasília, trabalhei numa ONG no Rio, onde ajudei a levantar recursos para construir uma creche para 400 crianças no morro Dona Marta, em Botafogo. Nas duas vezes em que precisei entrar na favela, houve blitz policial, com direito a perseguição, tiros de metralhadora, helicóptero sobre as nossas cabeças.

Em 2001/2002 passei dois meses em Luanda, capital de Angola. Lá eu desenvolvi uma doença auto-imune cujo nome não me lembro, que me afetou um olho. A médica que me tratou disse que meu organismo tinha criado a doença, porque eu não queria enxergar a realidade ao meu redor. Foi a única vez na vida que eu vi um homem se abaixar para beber água da vala da rua.

Resumindo: hoje no cinema eu estava impossibilitada de me levantar para ir embora, e também não conseguia parar de chorar. A única coisa que consegui controlar foi o vômito, mas fiquei enjoada o resto do dia.



Escrito por Teresa Abreu às 21h04
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Madrugada

Acordei de madrugada e, ao passar pelo corredor, vi uma luz intensa que vinha da janela do quarto de visitas. Entrei, curiosa para saber o que era aquele holofote, àquela hora.

Era a lua.



Escrito por Teresa Abreu às 23h53
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A letra desta música mexeu comigo. Procure na Internet:

Goodye, my lover - James Blunt

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.



Escrito por Teresa Abreu às 23h20
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Pesadelo

AFP/HENGHAMEH FAHIMIL, usina de conversão de urânio em Ispahan, Irã, em 30 de março de 2005

Sonhei que havia começado uma guerra entre o Irã e os Estados Unidos e um colega da delegação estava tão apavorado que não conseguia dar a notícia de que o Itamaraty tinha decidido cortar os salários dos funcionários lotados no Exterior, assim como não enviaria passagem para quem desejasse voltar ao Brasil.

Esse sonho horrível aconteceu de manhãzinha e me fez pular da cama às 6 horas.

Tomei café e, ainda escuro, fui para a piscina.



Escrito por Teresa Abreu às 17h18
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País Basco

Pena que a foto não tenha ficado boa. Esta é uma igreja típica do País Basco. Fiquei impressionada de ver que todas as igrejas são rodeadas de seu pequeno cemitério.

Senti uma coisa esquisita ao imaginar os habitantes do vilarejo indo à missa todos os domingos e se deparando com o mausoléu onde repousam seus antepassados. Impossível não pensar que ali será sua morada definitiva.

Pus-me a refletir sobre a dimensão que uma pessoa tem da vida, diante da visão cotidiana de seu destino final. Achei interessante.

Penso que haveria menos egoísmo, menos guerra e menos individualismo se todos nós tivéssemos diante de nossos olhos o verdadeiro resultado de nossa luta diária pela felicidade, pelo dinheiro, pelo status, pelo amor... pela vida, enfim.



Escrito por Teresa Abreu às 12h35
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Em 2006 eu juro que vou: 

- Conhecer Portugal;

- Ver o Carnaval de Veneza;

- Aprender a dançar tango;

- Ter pelo menos uma amiga em Paris;

- Ser feliz.

Passei o Ano Novo em Anglet, vilarejo ao Sul da França, bem ao lado de Biarritz. Ao contrário dos brasileiros, que se vestem de branco na noite de São Silvestre, os franceses não dispensam o pretinho básico. Eu fiz diferente: nem brasileira, nem francesa. De vermelho, chamei a atenção de todo mundo... sem falsa modéstia. Não sei se ele vai gostar, mas apresento Jean-Pierre.

Tenha um lindo 2006!



Escrito por Teresa Abreu às 20h30
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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