La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Passei um Natal simples, em companhia dos meus dois filhos. Ano Novo vou passar em Biarritz.

Desejo a todos um excelente 2006.

 



Escrito por Teresa Abreu às 17h05
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Sol parado

 

Para quem mora acima da linha do equador, a noite de 21 de dezembro é a mais longa do ano. Neste dia, o Sol está na distância angular máxima ao Sul do equador celeste, parecendo parar na esfera celeste. Os raios solares incidem mais obliquamente sobre a superfície do hemisfério Norte da Terra, de forma que o calor é menor. Esse dia é denominado solstício de inverno (solstício significa sol parado, em latim: solstitium). A partir daí, os dias voltam lentamente a ficar claros por mais tempo.

 

Esse fenômeno astronômico, que não tem nada a ver com crendices ou magias, deu origem a lendas, superstições e festas, entre elas, o Natal cristão.

 

Muitos povos do passado celebravam neste dia o nascimento de um novo ciclo do Sol sobre o planeta; as civilizações antigas consideravam o Sol o Filho da Luz. Os druidas, sacerdotes celtas, comemoravam a fertilidade e muitas virgens escolhiam a data para perder a virgindade.

 

Os egípcios praticavam rituais de magia invocando a fertilidade de suas terras. Entre os asiáticos, o solstício representava Deus na Terra, que trazia para a humanidade o Sol, seu filho.

 

Nos primeiros séculos da Era Cristã, o Natal não existia: a Igreja celebrava somente a Ressurreição de Cristo, na Páscoa. As primeiras comemorações do nascimento de Jesus surgiram no século IV, quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano. A festa do Natal se apropriou das datas das Saturnais, festa religiosa romana que celebrava o início do reinado de Saturno, deus das sementes e da agricultura, em 21 de dezembro; e também da festa persa que homenageava o jovem deus Sol Invicto, que renascia em 25 de dezembro.

 

Pelo processo de sincretismo, Jesus foi identificado como a  “Luz do Mundo” e o “Sol da Justiça”, para melhor assimilação dos novos convertidos.

 

E pensar que tudo começou porque os homens tinham medo do escuro...

 

O que eu quero desejar a você, hoje, é que você comemore este Natal com sua família, seus amigos e todos os seus queridos, cercado de muita paz, simplicidade e... luz.

 

Para maiores informações, leia aqui.

 

 

Fontes: André Milone, pesquisador; Evelyn Levy Torrence



Escrito por Teresa Abreu às 16h24
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Eu tenho sido sempre uma pessoa atormentada pela incompreensão do sentido da vida, da injustiça e mesmo da felicidade em meio à miséria. Meu blog reflete um pouco isso, eu acho. Felizmente, não sou a única. O filme O tigre e a neve, de Roberto Benigni, toca nesse assunto que para mim tem sido recorrente.

Não vou contar a estória, para não estragar a sua surpresa. No entanto, quando você for assistir o filme, peço para prestar atenção (nem precisava pedir, pois é impossível não prestar atenção) na frase que o amigo iraquiano do personagem de Benigni fala, em meio aos bombardeios americanos durante a noite em Bagdá. Por sinal, uma noite com um céu deslumbrante.

Se interrogando sobre o porquê das guerras, ele responde: “porque o mundo começou sem o homem, e acabará sem ele”. A frase, segundo Benigni, é de Claude Levi-Strauss.

A resposta do italiano é magnífica: “Eu estou feliz por estar vivo, por existir. Mesmo depois da morte, eu guardarei a lembrança da vida”.

Eis nessa esperança um motivo para colecionarmos bons momentos.

Roberto Benigni conta, em forma de comédia, e tendo como pano de fundo a guerra do Iraque, a batalha pessoal de um homem para salvar a única coisa que realmente importa: o seu amor.



Escrito por Teresa Abreu às 09h58
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Mudança

 

Estamos com nova chefia na delegação. O embaixador e seu adjunto chegaram e estamos todos em fase de adaptação. Momento delicado, em que eles precisam do feed-back dos funcionários, e nós esperamos que eles mantenham a gentileza quando já tiverem dominado a mecânica do posto.

 

De saída, já fui prejudicada. Aquelas férias que não tirei em agosto passado (post de 06/07) foram perdidas, pois o novo embaixador considerou que eu deveria tê-las tirado durante a gestão do chefe anterior!

 

Tá... vamos manter a calma, que a situação não está para xiliques. Minha amiga Flávia, que não é secretária, é tradutora, recebeu três semanas de licença de seu médico. Ela está com depressão. Resultado: estarei ocupando, na próxima semana, o posto de secretária, já que a secretária do ministro sai de férias e a secretária do embaixador está de licença para cuidar do filho, e não foi substituída.

 

(respirando fundo)

 

Uma semana que será longa, cujos dias estarei contando com expectativa e ansiedade, já que no final do mês vou para um spa em Biarritz. E não me diga que é luxo. É necessidade. É o preço que eu pago por ter trocado o jornalismo pela estabilidade (!?) do serviço público, por trabalhar no ministério que, como a voz do Brasil nos foros internacionais, proclama a primazia dos direitos humanos... dos outros.

 

Se você for à praia este final de semana, pense em mim quando der um mergulho.



Escrito por Teresa Abreu às 13h33
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Voltando

 

Uma semana se passou desde meu último post e eu nem notei !!! Meu filho chegou e no mesmo dia eu me submeti a uma intervenção cirúrgica – nada de mais –, para em seguida emendar uma gripe que ainda não me largou. Essa noite eu suei tanto que tive que trocar a roupa, o travesseiro e o lado da cama, pois ficou tudo encharcado. Pelo menos, amanheci sem febre.

 

Nesses dias de licença, porém, tive oportunidade de contemplar o céu de Paris. Ontem estava engraçado. Tão branco e tão pesado que parecia que a neve tinha sido sugada e estava suspensa. Pena que não fotografei.

 

A paixão é mesmo cega. No ano passado eu estava tão apaixonada pela cidade, que não percebi várias coisas que estão se manifestando para mim como novidades. Por exemplo: o fato de amanhecer depois das oito horas e anoitecer antes das cinco. Juro que não notei isso no meu primeiro inverno! Outra: o céu cinza, que se mistura com a cor dos prédios e cria uma paisagem monótona e um pouco angustiante. Vi, também, no metrô, que realmente as pessoas têm as caras mais fechadas.

 

Ri ao pensar que minha relação com a cidade se parece com alguns desses casamentos, em que os defeitos do companheiro só aparecem depois de algum tempo de convivência. Mas que minhas reflexões não levem a conclusões precipitadas: eu continuo amando Paris.

 

Além das contemplações, li na última semana um livro sobre a história da França, mas sobre isso farei um post à parte.

 

No momento, agradeço os muitos comentários do último post. Vou responder a todos, na medida do meu tempo disponível.



Escrito por Teresa Abreu às 15h26
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Espírito de Natal

Quando eu era pequena, minha mãe tinha o hábito de montar a árvore de Natal no dia primeiro de dezembro. Eu era sempre a mais animada e mais ativa na tarefa.

Depois de adulta, li aquele livro que mencionei no post abaixo e abandonei o objeto. Mas o espírito de Natal sempre esteve presente na minha vida, como aliás, creio, na vida de todo mundo.

Que mês diferente é dezembro! Eu presto mais atenção aos sons, aos cheiros, às luzes. E também aos noticiários, pois fico mais sensível às notícias ruins. Por exemplo, um acidente de automóvel, um terremoto, um atentado terrorista, uma enchente, essas coisas sempre me fazem pensar que, neste Natal, várias famílias terão um ente querido a menos para abraçar.

Porque, digam o que disserem contra o Natal - a desculpa mais corrente é a de que virou comércio -, esta é uma festa de confraternização. A única, talvez, onde desafetos familiares e do trabalho dão um tempo à paz, para a troca de presentes, uma taça de champagne, ou um tapinha nas costas.

Para mim, o Natal já começou. Papai Noel está vindo hoje, pela Varig, trazendo meu filho.



Escrito por Teresa Abreu às 07h12
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Inverno

Protegida pelo aquecedor a gás ligado no máximo, assisto através da cortina o meu segundo inverno parisiense. O dia só clareia depois das 8:30h e às 17 horas já está escuro de novo. Por isso, é bom estar confortável dentro de casa.

Jehan-Pierre vai trazer hoje a árvore de Natal, que decidi montar este ano, depois que assisti Joyeux Noël. Explico: Há muitos anos, lendo sobre as origens das festas e tradições cristãs, caí sobre a história da árvore de Natal. Dizia o livro que, como quase todos os costumes "cristãos", esse objeto tão adorado pelas crianças é de origem pagã. Isso não teria o menor problema, pois o sincretismo é uma conseqüência natural do encontro de povos com costumes diferentes.

Mas eu não suportei saber que, na origem, ao invés das bolas, os sacerdotes das religiões bárbaras penduravam cabecinhas de bebês, oferecidos em sacrifício aos deuses, para apaziguar-lhes a fúria durante o inverno. A partir daí, renunciei à árvore de Natal.

No entanto, aquele filme me fez mudar de idéia. Porque a história é verdadeira, pus-me a pensar que aqueles soldados alemães, britânicos e franceses deram uma trégua na noite de Natal, cantaram, beberam e rezaram juntos por causa da força de suas lembranças de infância.

Obviamente, ao invés de bolas, colocarei outros penduricalhos.

Música: Lakmé, de Léo Delibes



Escrito por Teresa Abreu às 09h30
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Ensina a teu filho

Eu amo este texto do Frei Betto. Foi publicado em vários jornais no ano passado e eu mesma distribuí aos amigos da minha caixa eletrônica, quando ainda trabalhava no Planalto, onde tive a honra de ter um brasileiro dessa estirpe como chefe.

Para quem não sabe, o título é retirado de um versículo do Antigo Testamento da Bíblia, que diz: "Ensina a teu filho o caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele".

Ontem, após ler as notícias sobre a cassação do José Dirceu, tive o texto na mente o dia inteiro.

"Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que esta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.

Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros, administradores competentes, autoridades honradas, que não se deixam corromper, não varrem as mazelas para debaixo do tapete, não temem desagradar amigos e desapontar poderosos, ousam pensar com a própria cabeça e preservar mais a honra que a vida.

Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo, e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes, e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.

Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais férteis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.

Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas, griladas ou devolutas são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.

Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.

Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de suas vidas no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória, que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.

Ensina a teu filho evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que tenta nos incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética. Convence-o de que a felicidade não resulta da soma de prazeres e a via espiritual é um tesouro guardado no fundo do coração – quem consegue abri-lo desfruta de alegrias inefáveis.

Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e Frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Hélder Câmara e Chico Mendes.

Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz ao unir-se àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.

Ensina a teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem, e se a maioria o tiver será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.

Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito, a reverência pelos mais velhos, o cuidado da natureza, a proteção dos mais frágeis.

Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita."

Frei Betto é escritor, autor de "Alfabetto – autobiografia escolar" (Ática), entre outros livros.



Escrito por Teresa Abreu às 06h59
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Xô, traidor!

                                                                                      Globo Online

 Dirceu negou todo o seu passado quando esteve à frente da Casa Civil, sujou o próprio nome e traiu milhões de brasileiros



Escrito por Teresa Abreu às 12h32
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1º de Dezembro, Dia Internacional de luta contra a AIDS



Escrito por Teresa Abreu às 12h23
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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