La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Delicadeza

O frio chegou feio. Ando cansada, com preguiça de sair para fotografar. Aproveito para pôr a leitura em dia e... pensar.

Lembrei-me ontem, ao voltar do trabalho, de uma entrevista que fiz com a Cristiani Torloni há muitos anos. Ela namorava o Eduardo Mascarenhas e tinha adotado um discurso todo psicanalisado. Mas disse coisas que até hoje não esqueci.

Cristiani àquela altura espantava-se com a descortesia nas relações humanas, notadamente as relações privadas. Discorreu sobre o perigo que implica entrar em intimidade com o outro. O perigo de tornar-se desrespeitoso em nome da intimidade.

Porque o mundo anda violento, individualista e hedonista, as pessoas não têm com o próximo aquele tipo de cuidado que antigamente era entendido como "o meu direito acaba onde começa o do outro". Em nome da não-repressão, as pessoas se dizem tudo o que lhes vem à mente, pois extravasar é preciso.

Minha filha se sente afrontada, pessoalmente agredida pelo frio. Ela esbraveja. Ao contrário dela, eu gosto do inverno.

Mais difícil para mim é a agressão de pessoas em quem confio. Eu reajo mal. Fico estatelada num primeiro momento, depois me recolho. Ou então, tomo uma atitude drástica: corto sem pena a pessoa que me agride ou me despreza. Tenho uma amiga que disse certa vez, em Brasília, que eu sou "cirúrgica".

E assim, num círculo vicioso, o individualismo alimenta o desrespeito, que aumenta o individualismo... Acho que é por isso que, desde pequena, aprendi a gostar tanto de livros.

Que falta faz a delicadeza.



Escrito por Teresa Abreu às 07h40
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Ano do Brasil na França

Está acabando o  Ano do Brasil na França. Aconteceu muita coisa. Os Ministérios da Cultura dos dois países se esforçaram para mostrar no maior número possível de cidades francesas a enorme diversidade cultural e artística brasileira.

Os dois últimos espetáculos que assisti estão registrados nas fotos aí embaixo.

Em 22 de novembro, Francis Hime apresentou no auditório da UNESCO, em Paris, a Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião, acompanhado de Chico César, Leila Pinheiro, Olivia Hime, Sérgio Santos, Zé Renato e orquestra e coral da UNESCO. Muito engraçado ver aquela miscelânea de estrangeiros cantando em português. A Sinfonia foi uma mostra de vários estilos musicais do Brasil, "costurados" por um fundo comum, que agradou muito aos estrangeiros. Os brasileiros esperavam um pouco mais.

Em 24 de novembro, o maestro Ricardo Kanji dirigiu músicos brasileiros na Igreja Saint Roch, também em Paris, nas Musiques de la cour impériale à Rio de Janeiro - Oeuvres sacrées et profanes de J.M. Nunes Garcia (1767-1830). Destaco a maravilhosa soprano Marilia Vargas e meu amigo de duas décadas, o flautista Marcelo Bonfim.

A lista de eventos brasileiros por toda a França é imensa. Foram espetáculos de música, mostra de artesanato de diversas regiões, colóquios, debates, exposições. Se tudo isso conseguiu quebrar os estereótipos e mostrar um Brasil além de bola e bunda, só o tempo dirá.

  

Agenda

  - Mardi 29 novembre - En préambule du 21e Salon du livre et de la presse jeunesse, un forum intitulé "Culture et inégalités culturelles en France et au Brésil", organisé par le CLPJ-93 à l'UNESCO

 - Du 30 novembre au 5 décembre - 21ème Salon du Livre et de la Presse Jeunesse à Montreuil - Le Brésil est le pays invité d’honneur 2005

 - Samedi 3 décembre - Concert de Lenine à Lyon

 - Du 3 au 15 décembre – Morrinho

 - Mercredi 7 décembre - Presque frères, de Lúcia Murat - Sortie Nationale

 - Jusqu'au 11 décembre - Marc Ferrez - Musée Carnavalet

 - Du 15 décembre au 20 février 2006 - Exposition Tarsila do Amaral

 - Jusqu'au 25 décembre - L'oeuvre photographique de Pierre Verger de 1933 au milieu des années cinquante.



Escrito por Teresa Abreu às 23h13
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Repetindo o post

  

25 de Novembro - Dia internacional pela não-violência contra as mulheres

A França é o país das reivindicações, das associações, das reclamações, que proliferam como cogumelos (versão francesa do nosso chuchu na serra) para tratar da defesa de tudo contra todos.

Mas nenhuma associação é mais popular e mais querida do que a Nem putas nem submissas, da qual virei fã incondicional.

Com o objetivo de chamar a atenção para o velhíssimo problema de mulheres agredidas por maridos, irmãos, patrões, líderes religiosos e machistas diversos, a NPNS foi criada em 2003, após o sucesso da Marcha das Mulheres contra os Guetos e pela Igualdade, de 1º de fevereiro a 8 de março daquele ano, em vários pontos da França.

O motivo da Marcha era o de protestar contra o assassinato de Sohane, 19 anos, queimada viva em 4 de outubro de 2002 numa lixeira de Balzac, bairro árabe em Vitry-sur-Seine, pelo simples fato de não corresponder aos padrões de comportamento da comunidade.

Ao invés de casar com alguém escolhido por seu pai, Sohane queria ser esteticista e abrir seu próprio salão de beleza.

Corajosamente, 5 moças e 2 rapazes oriundos desses guetos percorreram 23 cidades francesas chamando a atenção da opinião e dos poderes públicos para a condição de meninas e mulheres vítimas dessas leis.

A Marcha chegou finalmente a Paris, onde reuniu 30 mil pessoas por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

Hoje o movimento está espalhado em 60 comitês locais por toda a França e começa a alcançar outros países: dois comitês estão em vias de abertura, no Marrocos e no Egito.

Que mulheres e homens do século XXI continuem a botar a boca no trombone!

Este post faz parte de uma blogagem coletiva organizada por Denise Arcoverde.



Escrito por Teresa Abreu às 08h21
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A ciranda das estações

Meu segundo inverno parisiense está começando. Ano passado tudo era novidade: a neve, sair à rua de mantô, cachecol e chapéu, a ansiedade para saber se suportaria o frio.

Gostei. Como tenho pressão baixa, costumo ficar mais animada com temperaturas mais frias. Fui muito ao cinema, ao restaurante, à ópera.

No início do inverno passado assisti o filme Le pont des Arts e por intermédio dele me apaixonei pela música barroca. Procurei uma professora de canto, a polonesa Lilah, de Les Triolets de Paris. Depois, por incompatibilidade de horário do curso e do trabalho, encerrei minha nascente carreira de cantora lírica.

O assunto estaria esquecido se não tivesse ido ver o filme do post abaixo, Joyeux Noël. A única mulher do filme é uma cantora lírica dinamarquesa que canta na noite de Natal para os soldados entrincheirados como se estivesse cantando para o próprio Deus.

Fiquei maravilhada de constatar pela milésima vez a magia que a música pode produzir. E senti saudade do meu CD favorito de barroco, La Venexiana, com 15 músicas de Claudio Monteverdi (1567-1643). As músicas, o cheiro de canela que meu urso de pelúcia exala por causa do calor do aquecedor ligado, os vestidos de lã, a noite que tomba às 5 horas da tarde, tudo me dá a impressão de que o tempo andou para trás.

Mas eu sei que o tempo está indo muito bem para a frente. E quer saber? Vou aproveitar minha animação renovada para voltar às aulas de canto. Se tiver que recomeçar do zero, paciência. Não estou mesmo com pressa. Pegando emprestada a frase da trash, que resumiu soberbamente meu momento, "tudo o que fazemos é somente para passar o tempo".



Escrito por Teresa Abreu às 17h17
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Feliz Natal

Este filme conta um episódio verdadeiro da I Guerra Mundial, ocorrido na noite de Natal de 1914, em vários pontos do front.

 

O anúncio da guerra, em pleno verão de 1914, surpreendeu e envolveu milhões de homens. Até que chega o Natal, trazendo às  trincheiras escocesas, francesas e alemãs os presentes de familiares e de seus Estados Maiores.

 

A grande surpresa, no entanto, não virá pelos correios.

 

Naquela noite, um acontecimento formidável vai transformar para sempre o destino de quatro personagens: um padre escocês, um tenente francês, um tenor alemão e uma soprano dinamarquesa. Embalados pelo mistério da noite de Natal, eles vão protagonizar a mais bela confraternização entre soldados alemães, franceses e britânicos.

Eles abandonarão seus fuzis no fundo das trincheiras para se encontrar face a face com seus “inimigos”, apertar-lhes as mãos, trocar cigarros e desejar-lhes um Feliz Natal.



Escrito por Teresa Abreu às 08h04
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Luto no blogosfera

Foi o Valdo que me deu a notícia. Não via o Roberto Ibanhez nos meus comentários há bastante tempo. Em 4 de novembro deixei duas mensagens no blog dele, a última dizendo que eu também estava derrubada, pois ele postou que iria sumir por uns tempos porque estava gripado.

Ele morreu no dia 15 de novembro.

Gente, uma notícia dessas é um soco no nariz. Fui lá no Botequim do Giba e reli todos os comentários que deixei no blog dele. Depois voltei no meu primeiro blog e saí à cata da sua aparição. Porque foi ele que me achou, em 2 de junho. Ele ainda não tinha blog e deixou um comentário. Como faço com todo mundo, mesmo os sem-blog, respondi-lhe, agradecendo a visita. Sugeri-lhe que criasse um, pois certamente teria muito o que contar.

Quanta coisa ele contou em tão pouco tempo!!! Alma sensível, "cadeirante" (usava cadeira de rodas), amante de São Paulo e finíssimo contador de suas memórias, descortinou sua infância na casa de sua avó, no interior de São Paulo; fez retrospectiva da vida e dos habitantes da rua em que morava; saudou a chegada da Primavera no hemisfério Sul (disse que pensava em mim ao escrever aquele post); foi em busca de suas raízes italianas, no que resultou um post belíssimo.

Foi tragado pela pneumonia, ele, que não botava fé na homeopatia (ele colocou um post sobre suas dúvidas a esse respeito, mas meu filho teve pneumonia aos 4 anos e foi tratado com homeopatia). 

Tenho registradas as palavras de força que ele me deu nas minhas depressões, além de afinidades, tais como: fez aniversário em 20 de setembro, como minha mãe, e seu avô chamava-se Estevão, como meu filho. A última, morreu de pneumonia, como meu pai.

Nunca vi seu rosto, não sei que idade tinha, mas confesso: estou com o coração em luto. Alguém já disse - não consigo lembrar quem, nem onde -, sobre a blogosfera, que "as amizades são reais, o meio é que é virtual".

Eu perdi um amigo.



Escrito por Teresa Abreu às 14h48
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Eu não matei o coelho

Minha filha, que é uma futura estilista, me condenou. Eu mesma, quando morava no Brasil, achava errado, mas precisei vir morar no hemisfério Norte para saber que ter um casaco de pele não é ser anti-ecológica. É uma necessidade.

Comprei um, pronto. Pele de coelho, em preto. O modelo é lindíssimo, mas o bacana é que ele é muuuuuuito quente.

Elisa me perguntou se eu não sofria ao pensar no coelho, tão lindo!, usando o casaco. Disse que não. Como não pensava no boi quando comia um bife (coisa raríssima, aliás), nem no frango e nem no peixe. Nem no pinto que não foi, ao comer um ovo.

Além do mais, arrematei, eu sofro com o frio e o coelho está morto. E não fui eu quem matou o coelho.

Imagina se os russos estão preocupados com os ursos e outros bichos que eles matam para salvar a própria pele, digo, a própria vida! Aliás, os russos não estão preocupados nem mesmo com seres humanos.

Vi ontem no telejornal que os skinheads fazem o maior sucesso em Moscou e recebem mesmo apoio do governo para aterrorizar a vida dos imigrantes. É verdade: civis estão recebendo um documento da polícia que os autoriza a interpelar transeuntes e pedir-lhes os documentos.

A televisão francesa foi lá entrevistá-los e o repórter perguntou a um deles se ninguém o acusava de racista. Ele sorriu candidamente e disse: - Eu não sou racista; sou um russo patriota.



Escrito por Teresa Abreu às 06h58
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Ideologia, eu quero uma pra viver

Fui à locadora e peguei dois filmes: O Declínio do Império Americano (1986) e  As Invasões Bárbaras (2003), ambos do canadense Danys Arcand. Apesar de independentes, eles se completam, pois o diretor, embora tenha amadurecido bastante, mantém a tese da decadência dos Estados Unidos como potência dominante, aproveitando oportunamente, para sustentá-la, o episódio do ataque às torres gêmeas em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

Os filmes, contudo, não são panfletos políticos. São histórias de seres humanos atingidos por fatos do cotidiano. O Declínio retrata a geração do desbunde (professores universitários se reúnem num jantar onde debatem acaloradamente sexo, vida e os rumos políticos do mundo). As Invasões descortina a perplexidade dessa geração diante da morte iminente de um deles e do fim de todas as suas ideologias.

    

  O Declínio do Império Americano                                   As Invasões Bárbaras, praticamente o mesmo elenco



Escrito por Teresa Abreu às 20h47
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À vous de juger

Passou ontem na televisão um programa que pode ser traduzido por "Julgue você". Foi um amplo debate sobre a crise nos subúrbios, que teve como convidados o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy (o mal-amado dos pobres), o ministro do Emprego e da Coesão Social, jovens negros e muçulmanos oriundos desses subúrbios "difíceis", prefeitos das periferias, representante do sindicato patronal, de empresa de recrutamento e seleção de pessoal, comissário de polícia, deputados de partidos da situação e da oposição, educadores, membros de associações de integração social, representante da Igreja. Tinha também um número de telefone aberto à participação do público.

Durante duas horas e meia lavou-se muita roupa suja ao vivo. Os jovens acusaram a polícia e os políticos de racistas e violentos e falaram das dificuldades para conseguir um emprego quando têm um nome como Jamil ou Fatina. Uma moça loira e de olhos azuis, moradora da periferia, contou para o comissário seu constrangimento quando a polícia só pede documentos para suas amigas magrebinas ou negras.

Todos, inclusive Sarkozy, admitiram o preconceito, a discriminação, o racismo e a ignorância dos franceses em relação aos jovens provenientes da imigração. Houve momentos de tensão, de críticas, de acusações, um início de agressão verbal, mas também de reconhecimento, de pedido de socorro, de voto de confiança, de esperança, finalmente.

Eu me emocionei e confesso: confio que o país vai conseguir virar essa página. Vi nesse debate um esforço coletivo para resolver não somente a crise do momento, mas uma vontade de melhorar a França, que todos eles parecem amar profundamente. Leia aqui.

Banlieues: comment s'en sortir ?


Fiquei imaginando se um dia será possível uma união cívica como essa no Brasil. Um debate ao vivo pela TV Globo sobre o tráfico de drogas, em que os jovens brasileiros negros e pobres do morro Dona Marta e da Freguesia do Ó poderiam contar livremente e sem medo de retaliação sobre a ação da polícia, a influência dos traficantes na vida diária das favelas, a situação das escolas, suas lutas para conseguir emprego. E isso tudo para os ouvidos atentos de todo o país, na presença dos ministros do Desenvolvimento Social, da Integração Nacional e do Trabalho e Emprego, dos comissários de polícia do Rio, São Paulo e Belo Horizonte, da ROTA e do BOPE, dos padres e pastores que atuam nas favelas, de educadores, urbanistas, deputados e senadores.



Escrito por Teresa Abreu às 00h21
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Paranóia

Hoje é aniversário da filhinha e levei-a para jantar naquele bairro chique, Bercy. Até chegar lá, no entanto, revivi uma paranóia digna dos tempos em que pegava ônibus no Rio de Janeiro. 19 horas, horário de rush, metrô cheio. Ainda assim, havia lugares para sentar. Sentei-me em frente a um homem e a primeira coisa que me chamou a atenção nele foi seu rosto crispado. Já não gostei. Ele me encarou com seu rosto marcado por profundas rugas de uma angústia indisfarçável. Tentava ler um livro, o que me pareceu perfeitamente normal, dado que todo mundo lê no metrô em Paris. A cada parada do metrô, no entanto, ele interrompia sua leitura e olhava o nome da estação, e me olhava, num nervosismo tal, que me deixou incomodada. Olhei seu livro, estava escrito em árabe. Olhei o passageiro ao meu lado e a passageira ao lado dele. Os dois observavam o homem e seu livro. O homem tinha uma mochila.

Olhei para a Elisa e sugeri-lhe sairmos do vagão e pegar outro trem. Ela achou que era bobagem. Agüentei firme. Meti na cabeça que ele iria explodir uma bomba na estação Place d'Italie, que é um ponto de conexão de duas outras linhas de metrô. Pensava comigo mesma: "quando morava no Rio, sempre descia do ônibus ao pressentir que ia haver um assalto." No mais, procurava estar sempre "em dia" com Deus, porque, quando saía de casa, não tinha certeza se voltaria.

O homem desceu em Place d'Italie, levando consigo sua imensa agitação interna. Olhei o passageiro e a passageira. Todos respiramos aliviados. Depois, fiquei imaginando que talvez o homem também estivesse com medo de mim, posto que me encarava sempre, e dos outros passageiros que o circundavam.

O medo é recíproco, afinal. Nunca se sabe.



Escrito por Teresa Abreu às 21h47
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Oui, nós temos desigualdade social

Como você tem acompanhado pela televisão aí no Brasil, há uma semana os subúrbios de Paris estão em chamas. O motivo? A mesma desigualdade social que flagela nossos centros urbanos. A diferença é que no Brasil, ou ao menos no Rio, não existe mais distinção entre bairro abastado e periferia porque as favelas estão em toda parte e as classes sociais se misturam nas ruas.

Em Paris os pobres moram longe.

A origem, porém, é a mesma. Remonta ao modelo europeu de colonização, de exploração dos países africanos. Condensando o tempo: ao fim do período colonial, esses países foram abandonados à própria sorte, e a Europa, também flagelada pela segunda Guerra Mundial, precisava cuidar de si.

Aqui, a história do velho continente e a do Brasil se bifurcam, pois, nos «anos dourados» da economia mundial, que vai do fim da segunda guerra até as crises do petróleo, na década de 1970, a Europa proporcionou aos seus habitantes o chamado «Estado de bem-estar social», investindo forte na educação e criando, com isso, uma vasta classe média.

Com a elevação do nível de escolaridade, começou a faltar mão-de-obra desqualificada e os imigrantes começaram a chegar. Os africanos, tanto os do Magreb como os do sul do Saara, foram muito bem vindos e logo passaram a desfrutar os direitos à educação, à saúde e a todas as benesses sociais oferecidas pelas políticas públicas. E foram instalados na periferia, o que não pareceu anormal aos olhos de ninguém.

Os ventos da economia mundial mudaram de direção e a globalização atingiu em cheio os países com altos encargos sociais. Com o desemprego batendo à porta, os franceses começaram a exigir para si as vagas que eram compartilhadas com os filhos dos primeiros imigrantes, nascidos na França, portanto, franceses, e que receberam a mesma educação. Belo barril de pólvora.

O resto da história você já sabe.

Foto: Reuters



Escrito por Teresa Abreu às 09h45
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Todos os Santos

Ontem foi feriado na França. Ao contrário do Brasil, que guarda o dia de Finados, a França festeja Todos os Santos. Particularmente, acho mais interessante a opção francesa, mais voltada para a vida do que para a morte.

Bem, mas não é disso que quero falar. Todos os Santos me proporcionaram uma tarde deliciosa. Fui assistir a um filme que, quando passar no Brasil, você tem que ir ver sem falta: Je ne suis pas là pour être aimé.

Saí do cinema em estado de graça e fui jantar em Bercy, bairro muito chique. Antigo entreposto dos carregamentos dos vinhos procedentes de várias regiões, o lugar foi transformado num point de charme, onde as antigas caves viraram lojas e restaurantes que abrem todos os dias, inclusive aos domingos e feriados.

É lá que está o restaurante Chai 33, ambiente acolhedor, comida deliciosa. O must do restaurante, no entanto, está na sua cave. Ao invés de escolher o seu vinho numa carta, você vai à cave, olha as garrafas e toma conselhos com a especialista, que explica qual o vinho mais adequado para cada prato. Daí, você escolhe sua garrafa, a moça abre-a ali na sua frente, te dá uma dose e, caso você aprove, leva a sua garrafa para a mesa.

Que Todos os Santos digam sempre amém.



Escrito por Teresa Abreu às 23h06
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Saudade do Brasil

    

Hoje está fazendo um ano e meio que cheguei a Paris. Gostei da cidade desde o primeiro minuto e não tenho do que reclamar. Ultimamente, porém, ando com muita saudade do Brasil.

Fiz uma inscrição na Globo Media Center e agora fico vendo a GloboNews ao vivo, ou ouvindo a rádio Globo. Apesar das tristes notícias diárias - parece que o mar não vai parar nunca de produzir lama - eu me sinto muito reconfortada por ouvir notícias sobre o Brasil em português.

Não tem nada não. Em fevereiro vou derreter no calorzão do Rio de Janeiro.



Escrito por Teresa Abreu às 10h36
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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