La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Uma estrela sobe

Você já ouviu falar em Youn Sun Nah? Se não, apresento: trata-se de uma coreana de 36 anos, excelente cantora de… jazz. Isso mesmo. A moça, filha de uma cantora (soprano) e de um maestro e cantor (barítono) de Seul, saiu vitoriosa, aos 20 anos, em um concurso de música francesa promovido pela embaixada da França na Coréia do Sul e, como prêmio, recebeu um estada em Paris, que ela aproveitou para estudar canto clássico e jazz.

Sem paralelo no mundo do jazz, Youn oscila entre a timidez natural (aos nossos olhos, bem entendido!) das mulheres orientais e uma desconcertante sensualidade que lhe confere sua voz, que vai do pianíssimo quase imperceptível ao mais retumbante agudo, e isso em questão de segundos.

Sua banda chama-se “Youn Sun Nah 5” e conta com um contrabaixista de nacionalidade israelense. Como grande parte do repertório é de autoria do próprio quinteto, Youn canta em inglês, em coreano e em hebraico.

Coisa rara.



Escrito por Teresa Abreu às 12h30
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Bênção celta

                      Paix pronfonde                    
dans la vague de mer qui s'approche
                                        de toi                                                         

                                Paix profonde                                    
dans l'air qui souffle autour
                                          de toi                                   
                                   Paix profonde                                      
  sur la terre qui a été façonnée pour toi  
 Paix profonde 
dans les étoiles qui brillent pour toi
Paix profonde  
                            dans la nuit qui veille sur toi                                      
Que puissent le ciel et les étoiles  
               t'apporter la lumière pour te libérer de toi...                
                   Paix dans ton coeur et au plus profond de toi.                                      
 
                                 

Aproveite o fim-de-semana para ser feliz!



Escrito por Teresa Abreu às 14h58
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Tudo depende do olhar

 

Uma coisa é andar pelas ruas de Montmartre, aquele bairro artístico/mítico de Paris, do qual já falei, e outra, completamente diferente, é vê-las através da lente de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, filme francês de 2001. O filme passou ontem na televisão e eu o vi pela segunda vez.

 

E vou ver sempre que passar de novo.

 



Escrito por Teresa Abreu às 09h04
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Girando os canais de televisão, em busca de alguma coisa interessante para assistir em mais um domingo de preguiça, encontrei essa entrevista com Nélida Piñon, que julgo imprescindível compartilhar.

"Nélida Piñon, prêmio Príncipe de Astúrias de Letras 2005

É a primeira vez que um autor de língua portuguesa ganha o prêmio Príncipe de Astúrias. Jornalista, professora e lingüista, Nélida Piñon é uma das grandes vozes da literatura comtemporânea. Nascida em uma família de origem galega, a cultura ibérica marca sua obra, da qual os livros mais conhecidos são A Casa da Paz, A República dos Sonhos, A Força do Destino. Nélida garante que, com esse prêmio, a grande honrada é a língua portuguesa, falada por mais de 200 milhões de pessoas no mundo. EuroNews a entrevistou.

EuroNews: A senhora é fruto de uma magia, ou tornou-se escritora porque este era o seu destino?

Nélida Piñon: Prefiro crer que sou o produto da magia que é o ato de contar histórias. Mas acho também que fui predestinada para a literatura. Foi uma opção espontânea, amorosa. Desde a juventude eu tomei conhecimento do mundo por intermédio da aventura. Fui sempre uma aventureira. Eu me dizia que meu sonho era sair de casa e nunca dormir duas noites no mesmo lugar. Queria ser Simbá e realizar as sete viagens marítimas.

EuroNews : A senhora lia muitos livros de aventuras?

N.P. : Muito. Meu pai, muito generosamente, abriu para mim uma conta numa livraria no Rio de Janeiro, onde eu pegava todos os livros que queria. Fora disso, ele também me dava muitos livros. Eu acreditava que a vida de escritor era uma vida fascinante. Queria ser escritora para viver essa vida. Eu não nasci para a permanência, para me estabelecer em um só lugar, sem renovar meu imaginário. Sou alguém em movimento permanente. E sempre apoiei as mudanças, acredito mesmo que sou o produto típico da metamorfose humana.

EuroNews : O fato de ser de origem galega motivou o seu desenvolvimento intelectual, ou isso a senhora descobriu mais tarde?

N.P. : Bem cedo eu me descobri como alguém de dupla cultura, portadora dessa mistura fabulosa do imaginário, da fantasia. Desde a juventude eu percebi que meus coleguinhas comiam feijão preto, enquanto eu comia um polvo de oito pernas… Imagina! Um bicho que anda no fundo do mar e que está ali na sua mesa, para ser comido. Foi um choque, trouxe um impacto para a minha imaginação. Além disso, eu percebia que o suspiro da minha avó galega, que eu adorava, era repleto de melancolia, diferente daqueles que eu escutava no meu país. Quando tinha dez anos, fui levada à Galícia na Espanha, e fiquei lá dois anos. Então, comecei a falar a língua galega. De certo modo, era como falar o português do século XII.

EuroNews : A Academia Brasileira de Letras, da qual a senhora é a presidente, defende que a língua falada no Brasil é uma língua portuguesa mestiça, ou apenas um português ibérico prononciado com sotaque de samba?

N.P. : Acredite, nós nos orgulhamos dessa língua mágica, majestosa, que é a língua portuguesa. Evidentemente, desde os tempos das caravelas que foram para o Brasil no descobrimento, essa língua sofreu influência de outras correntes, outros sopros. Os navegadores portugueses adotaram uma outra maneira de falar a partir do momento em que foram para o mar. Por exemplo, eles passaram a empregar o gerúndio. Não há dúvidas de que a língua falada no Brasil é o português, a língua lusitana, que sofreu enormes modificações nesses cinco séculos. Você não acha que é uma língua cheia de personalidade, de invenções verbais? E acredite, para compreender a realidade brasileira, para explicar quem somos nós, fez-se necessária a criação de novas palavras.

EuroNews : Como a senhora se sente por receber esse prêmio?

N.P. : É a primeira vez que um escritor de língua portuguesa ganha um prêmio de tanto prestígio e respeito internacional. Para mim foi uma grande honra, fiquei muito emocionada. Quando recebi a notícia, pensei nos meus antepassados, na minha família, naqueles que me criaram, que me ajudaram a compreender o mundo. Foi um momento de gratidão e de homenagem aos que sempre amei.

EuroNews : A sua Sheerazade, inspirada das «Mil e uma noites», é uma olhadela à Bagda de hoje, ou trata-se de uma narrativa em si mesma?

N.P. : A narrativa é fundamental para o ser humano. Não se entra numa casa levando apenas um pouco de queijo ou de pão, leva-se junto as suas histórias, como um presente para a família. Embora a arte de contar histórias se situe no plano da ilusão, é o que há de mais sólido a ser transmitido. A arte de Sheerazade, da minha Sheerazade, tem uma origem oral, graças às histórias de todos os que nos rodeiam. Eu só fiz engrossar o molho, a sopa da narrativa; quanto mais ingredientes se coloca, vindos não somente do passado, mas também ingredientes modernos, contemporâneos, mais a sopa se torna generosa e apreciada por todos. A literatura tem um destino natural: captar e descrever com exatidão as nossas histórias mais secretas."

Muito show, não é? Se você clicar no link acima, vai poder ler a entrevista em francês ou, se preferir, ver o vídeo da entrevista. 



Escrito por Teresa Abreu às 21h04
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Por essa eu não esperava!!!

UOL

Meu blog foi indicado para figurar entre os blogs legais da semana.

Aí, meus leitores fiéis, vocês acham que La vie est belle! merece ou não?

Goze o fim de semana.



Escrito por Teresa Abreu às 19h02
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Classe média desinformada

 

Outro dia fiquei meio indignada porque alguém escreveu no blog No front do Rio que a classe média brasileira era desinformada.

 

Hoje mudei de idéia. Acho que a pessoa tem razão. Procurando nos sites dos jornais brasileiros repercussões da brigalhada que está acontecendo aqui na Conferência Geral da Unesco por conta da aprovação de uma convenção sobre diversidade cultural, só as encontrei na Folha de São Paulo e, mesmo assim, baseadas em press-release da agência France Presse.

 

Que é isso, minha gente? Um país com uma tamanha variedade de manifestações culturais não toma conhecimento de que seus representantes estão travando uma batalha gigantesca com os EUA para defender sua arte e, de quebra, tentar reduzir a hegemonia do cinema e da música americanos nas nossas vidas cotidianas!!!

 

Ô, imprensa brasileira, vê se cumpre melhor o seu papel!!!



Escrito por Teresa Abreu às 12h15
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Dia de preguiça

Decidi que não vou sair de casa hoje. Vou ficar "de molho".

O tempo está nublado e faz um pouquinho de frio. Só um pouquinho. O almoço está pronto, repeti a receita do gratinado provençal, tenho pão, queijo e vinho. 

Estou com dois livros pra ler, mas não consigo decidir por qual vou começar. Ou então, vou me espichar no sofá pra ver televisão.

Eu mereço.

Antes, porém, de me entregar ao dolce far niente, vou responder à pergunta do Val no post da Clarice Lispector. Ele pergunta como o público reagiu quando a mulher come a barata. 

Dá vontade de rir, porque o público não reagiu.

Semana passada fui assistir a um filme francês, Caché, um drama envolvendo uma família de classe média, muito educada e civilizada. Pois lá pelas tantas, um personagem que tinha uma desavença com o protagonista pega uma navalha e corta a própria jugular, morrendo imediatamente, numa cena completamente inesperada.

Eu e a brasileira que estava comigo fomos as únicas a gritar, de susto, no cinema.

É... eu acho que francês tem sangue de barata.



Escrito por Teresa Abreu às 10h28
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As boas surpresas da vida

 

Não é todo dia que se ganha ingresso para assistir a um espetáculo; mais raro ainda é ganhá-lo duas vezes na mesma semana.

 

No domingo, não paguei a entrada para A paixão segundo G.H. Por quê? Estava eu chegando à Cité Universitaire com uma hora e vinte minutos de antecedência, porque o telefone para reserva só funciona de segunda a sábado, quando pergunto a uma senhora que caminhava à minha frente onde ficava o teatro.

 

Ela me perguntou: - Você veio assistir à peça em português? Eu fiz que sim, e ela me disse que era ainda cedo, que a peça só começava às 17:30h. Respondi que sabia disso, mas tinha ido mais cedo para garantir meu bilhete. Ela me falou que eu não precisava comprar, que ela me daria um dos seus, que estava sobrando. Felicíssima, perguntei seu nome e ela disparou: “Pra quê? Por que você quer saber meu nome?”

 

- Pra agradecer, minha senhora...  

 

A alma caridosa de ontem tem nome conhecido: meu colega de trabalho e amigo Álvaro Oliveira tinha ingressos para assistir a ópera La Bohème. Ele sabe que eu amo ópera e perguntou se eu queria comprá-los, porque um imprevisto profissional o impediria de ir ao espetáculo. Recusei.

 

Pois não é que ele me deu os ingressos e disse para eu ir, mesmo que fosse sozinha, que o espetáculo valia a pena...

 

Desnecessário dizer que não me arrependi de ter aceito.

Antes que me chamem de ingrata, esclareço que tentei vender o outro ingresso na porta do teatro.



Escrito por Teresa Abreu às 12h00
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Clarice Lispector só para iniciados

Sabe o que é ficar uma hora e meia dentro de um teatro, ouvindo uma mulher tecer desvairadas elucubrações sobre a vida (a sua própria e a de toda a raça humana desde os tempos imemoriais), tudo por causa do encontro com uma barata?

Fui assistir a peça A paixão segundo G.H., adaptada de texto de Clarice Lispector, com a atriz Mariana Lima sob a direção de Enrique Diaz, no Théâtre de la Cité Universitaire.

Segundo o libreto, “Clarice Lispector relata um percurso iniciático, entremeado de pequenos acontecimentos e repleto de metáforas. […] No livro, G.H. aparece rodeada de demônios interiores, fantasmas e outras imagens projetadas nas paredes do quarto e também na gosma branca da barata”.

A encenação em si foi bonita, apesar de muito angustiada, coisa que definitivamente não me dá o menor prazer, sobretudo num domingo à tarde.

Não sei se é porque o meu trabalho me coloca em contato com dramas da vida real, como a fome, a violência, a discriminação, o terrorismo, o autoritarismo, o subdesenvolvimento, etc, etc, eu não tenho mais paciência para questionamentos existenciais de pessoas infantilizadas.

Ou então, eu não entendo nada de Clarice Lispector. Estou, portanto, pronta para a fúria de seus admiradores.

Mas de uma coisa tenho certeza: os franceses, que já estão bem acostumados com mulheres neuróticas, adoraram.

 



Escrito por Teresa Abreu às 17h57
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A esperança é a última que morre

Desde o início do mês, e até o dia 21 de outubro, a Unesco está em Conferência Geral, evento que acontece a cada dois anos, para fazer um balanço das ações dos Estados nas áreas de atuação da Organização: educação, cultura, ciências humanas, sociais e naturais, comunicação e informação.

A julgar pelos discursos dos delegados dos 191 estados-membros, tem-se a impressão que sim, o mundo tem jeito.

É com uma sinceridade tocante que representantes dos países mais reacionários do planeta descrevem os avanços nas áreas de direitos humanos, eqüidade entre os sexos, liberdade de expressão… e prometem se engajar ainda mais acirradamente na luta contra todo tipo de desigualdade.

Basta botar o pé fora da instituição e abrir os jornais para voltar à vida real.

Mas, o que seria a vida, sem os sonhos e as esperanças?



Escrito por Teresa Abreu às 08h32
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Les Nuits de Bossa Nova

Assisti hoje a um espetáculo de bossa nova no Cirque d’Hiver-Gouglione. Muito show. No palco Carlos Lyra, Roberto Menescal, Wanda Sá e Celso Fonseca.

Matei a saudade de Felicidade, Samba de Verão, O Barquinho, Se Todos Fossem Iguais a Você, Água de Beber, Garota de Ipanema, Samba da Bênção e muitos outros hits da boa e velha bossa nova.

Momento emocionante foi uma canja de uma oriental que, a convite de Carlinhos Lyra, subiu ao palco para cantar Samba da Bênção... em japonês. O público delirou e eu quase chorei. 

Quanto às perguntas que me fizeram sobre a música barroca brasileira apresentada ontem na Catedral de Notre-Dame, informo que foram apresentados a Missa Pequena e Credo abreviado, de José Maurício Nunes Garcia (1763-1830), com cantores brasileiros e franceses, do Le Couvent, Centre International des Chemins du Baroque de Sarrebourg.



Escrito por Teresa Abreu às 20h48
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Noite em claro

Hoje acontece a quarta edição da Nuit Blanche em Paris. Trata-se de uma "Noite em claro", em que várias atividades culturais são programadas para durar até o raiar do dia.

Mergulhos de piscina, recitais de poesia, leitura de novos lançamentos literários, exposições, espetáculos de música e de dança, há opções para todos os gostos.

Eu vou assistir a uma apresentação de música barroca brasileira na Notre-Dame, onde haverá, também, uma projeção da imagem do Cristo Redentor sobre a fachada da catedral.

Obra da francesa Agnès Winter, que é a responsável pela iluminação do monumento, no Rio de Janeiro.



Escrito por Teresa Abreu às 14h05
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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