La vie est belle !
(de l'étonnement d'être vivante)


Viva o calor e viva o amor!!!

Moro no mesmo apartamento há quatro anos e toda vez que chega o verão eu digo que vou comprar uma mesa para a varanda. O sol aqui é tão raro e tão rápido que, quando aparece, você pára tudo e vai “pegar sol”, literalmente. Bom, nos últimos anos, devido ao aquecimento do planeta, as coisas têm sido diferentes. Já o inverno do ano passado foi bem xôxo;  o deste ano também, e neste início de maio estamos com temperaturas de verão.

Pois eu aproveitei uma promoção para comprar a tão falada mesa de varanda. Não sei se é porque eu estou apaixonada, sonhando com a perspectiva de que meu chéri e eu possamos tomar o café da manhã ao ar livre, eu achei que a mesa era imprescindível. Et la voilà.

Hoje é feriado na França, em comemoração à capitulação da Alemanha na segunda guerra mundial.  E eu vou pegar sol, literalmente.



Escrito por Teresa Abreu às 13h54
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Quem lê, viaja

O pensamento é uma das forças mais poderosas que um ser humano pode possuir. A organização do pensamento em palavras é um dom, e a coragem de exprimi-las em situações adversas é uma necessidade imperiosa nos espíritos livres. Essa semana eu tive a sorte de conhecer dois exemplares dessa espécie, por intermédio de seus livros: o húngaro Stephen Vizinczey e o chinês Dai Sijie.  Do primeiro, li Éloge des femmes mûres (literalmente, Elogio às mulheres maduras), um livro classificado como “erótico”. Não é, ou melhor, eu não acho que seja. Autobiográfico, o livro mostra a vida do autor do ponto de vista de suas aventuras sexuais. Como pano de fundo, a Hungria sob ocupação nazista, em 1944, e, em seguida, diluída no saco de gatos da União Soviética, passando pela insurreição de 1956 e fragmentos da história húngara desde os tempos do império romano. Uma aula de história, heroísmo e sensualidade.

O segundo livro, Balzac et la Petite Tailleuse chinoise (Balzac e a costureirinha chinesa), é um primor da literatura chinesa, refinada como sua porcelana, sua seda, seus ideogramas. O autor relata a estória, não sei se autobiográfica, de um adolescente que furta uma mala contendo livros de autores ocidentais, proibidos durante a revolução cultural de Mao Tsé Tung, de 1966 a 1976. Aqui também as descobertas amorosas e sexuais do jovem em “reeducação cultural” são entremeadas com fatos históricos de seu país.

Vizinczey é filósofo e vive na Inglaterra. Dai é cineasta e mora na França. Dois espíritos livres, que sobreviveram a seus respectivos totalitarismos, enfrentaram-nos, evadiram-se e encontraram meios lúdicos de denunciar a opressão, usando como recurso a memória afetiva das descobertas da juventude. Em quatro dias de leitura eu adquiri novos conhecimentos sobre a Hungria, a China, a capacidade humana para resistir, a sensibilidade masculina.

       



Categoria: Livros
Escrito por Teresa Abreu às 22h18
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O poder da arte

Do meu humilde ponto de vista, não existe nada mais misterioso do que a manifestação artística. Para mim, a arte é a salvação da humanidade, é o que nos diferencia das bestas. Pois se uma parcela da raça humana tem uma tendência à animalidade, existe uma outra categoria de gente violentamente atraída pelo belo, pelo inefável. Camille Claudel foi um desses pára-raios do sublime. Suas esculturas, em mármore, bronze, gesso, terra cozida, estão em exposição até 20 de julho no Museu Rodin, em Paris.

Fiz questão de dar nome aos materiais que ela utilizava para explicar meu sentimento frente ao seu extraordinário trabalho: ao lado da técnica, perfeita, Camille se doava tão intensamente, que esses materiais, em princípio pesados, inanimados, são impregnados de sentimento. A escultura que ilustra este post é A valsa. Os corpos, as expressões dos rostos, a suavidade dos toques, a intensidade da entrega mútua do casal é tangível no bronze. Se isso não é alquimia, dê-me uma explicação para o fenômeno que é dar vida, paixão, alegria, abandono, desespero, enfim, uma alma, à matéria fria e dura.

Eu não consegui conter as lágrimas diante dessa escultura.



Escrito por Teresa Abreu às 23h44
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La vie

 

La vie est une chance, saisis-la

La vie est beauté, admire-la

La vie est béatitude, savoure-la

La vie est un rêve, fais en une réalité

La vie est un défi, fais lui face

La vie est un devoir, accomplis-le

La vis est un jeu, joue-le

La vie est précieuse, prends en soin

La vie est richesse, conserve-la

La vis est amour, jouis-en

La vie est mystère, perce-le

La vie est promesse, remplis-la

La vie est tristesse, surmonte-la

La vie est un hymne, chante-le

La vie est un combat, accepte-le

La vie est une tragédie, prends-la à bras le corps

La vie est un bonheur, mérite-le

Là ou est la vie, défends-le

 

Meu sentido adeus a Violette Lombard,

transbordante de charme e de doçura,

que nos deixou para sempre

 



Escrito por Teresa Abreu às 15h13
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Ratos no inconsciente

Muitas coisas lhe povoam o pensamento. Uma certa paranóia toma-lhe a mente de assalto. E se estivesse rodeado de olheiros, sanguessugas, ratos de porão que espreitam para comer-lhe as carnes?

 

Como discernir o olhar prolongado daquele homem que sem abrir a boca diz-lhe assim mesmo mil palavras impronunciáveis? Como interpretar o andar da magricela empertigada, com boca de papagaio e olhos de águia, mau humor (e mal de amor) à flor da pele sobre os ossos? E as palavras que lhe são dirigidas, educadas, geladas, comedidas a não mais poder...

 

Vai pro mar, vai pro vento, vai pro week-end de morfedose. Que viver está muito complicado e não se encontra explicação pra tudo. Aliás, não há explicação pra nada, se é que alguma coisa é explicável.

 

Resta-lhe a intuição de que vão lhe arrancar o couro, as vísceras, a alma.



Categoria: Miniconto
Escrito por Teresa Abreu às 14h38
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Meu perfil
Moro na França, onde trabalho para o Governo brasileiro. Gosto de livros, arte e cultura. Sou jornalista, escritora, fotógrafa e especialista em Relações Internacionais

 

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